Papado - História dos Papas Católicos

 

 

Obs:   Este Estudo foi montado em Setembro de 2008, ainda nao havia mudado o Papa, estavamos na Era para Joao Paulo II, que falecue em 2005, quando assumiu Bento XVI em 2013,   agora estamos na Era papa Francisco, desde 13/03/2013.    Obrigado!

 

 

 

 

265 Papas: de São Pedro à Bento XVI

 

A História do papado é a história do Papa e Bispo de Roma, chefe da Igreja Católica, tanto em seu papel espiritual e temporal, que cobre um período de aproximadamente dois mil anos. O papado é uma das instituições mais duradouras do mundo, e teve uma participação proeminente na história da humanidade. A Igreja Católica acredita que a "doutrina (…) sobre o papado é bíblica e decorre do primado de São Pedro entre os Apóstolos de Jesus. Como todas as doutrinas cristãs, desenvolveu-se ao longo dos séculos, mas não se afastou dos seus elementos essenciais, presentes na liderança do Apóstolo Pedro."
Os papas na Antiguidade auxiliaram na propagação do cristianismo e a resolver diversas disputas doutrinárias. Na Idade Média eles desempenharam um papel secular importante na Europa Ocidental, muitas vezes, servindo de árbitros entre os monarcas e evitando diversas guerras na Europa. Atualmente, para além da expansão e doutrina da fé cristã, os Papas se dedicam ao diálogo inter-religioso, a trabalhos de caridade e à defesa dos direitos humanos.
Não existe uma lista oficial de papas, mas o Anuário Pontifício, publicado anualmente pelo Vaticano, contém uma lista que é geralmente considerada a mais correta, colocando o atual Papa Bento XVI como o 265º Papa.
 
Controvérsias sobre acontecimentos históricos
O Martírio de São Pedro (Santa Maria del Popolo, Roma, Caravaggio, 1600).Existe grande controvérsia entre os historiadores sobre a história do papado durante o cristianismo primitivo, destacando-se a questão da veracidade do martírio de Pedro e Paulo em Roma; sobre a organização da Igreja Romana no século I e princípio do século II, e o exercício da primazia papal.Alguns historiadores argumentam que Pedro nunca foi realmente a Roma, e que essa crença se originou somente mais tarde. No entanto, outros estudiosos citando os documentos cristãos primitivos (mais proeminentemente, a descrição da morte Pedro e Paulo em Roma nas cartas de Clemente em c. 96, Santo Inácio de Antioquia em c. 107,Dionísio de Corinto entre 166 e 176, e Irineu de Lyon, em torno de 180 d.C.) concluem que Pedro foi de fato martirizado em Roma.  Uma vez que no século I os termos “presbíteros e bispos” eram sinônimos usados para os líderes da igreja local submetidos a um apóstolo;muitos argumentam que no final do século I e até a metade do século II, a Igreja Romana não possuía uma organização monoepiscopal (um só Bispo como chefe da igreja local), mas uma forma colegiada de liderança, sendo que o monoepiscopado começou somente mais tarde, e assim, originalmente o ministério papal não existia. No entanto, outros estudiosos discordam, defendendo que os apóstolos designaram seus sucessores na liderança das igrejas locais (originalmente também chamados de "apóstolos" e no inicio do século II, de “bispos”), como por exemplo, Tito e Timóteo investidos por Paulo de Tarso, e nos escritos posteriores de Clemente de Roma, Inácio, e Irineu, que prematuramente atestaram a sucessão linear de Bispos desde a época dos apóstolos.  Alguns historiadores afirmam que os papas não possuíam direitos ou privilégios primaciais no cristianismo primitivo sobre a Igreja Universal, no entanto, uma vez que em muitas ocasiões os Bispos de Roma intervieram em comunidades locais, como Clemente I, ou tentaram estabelecer uma doutrina vinculativa a Igreja Universal como Vítor I (sobre a controvérsia quartodecimana), a visão predominante entre os historiadores, é que a Sé e o Bispo de Roma possuíam nesse período uma proeminência em questões relacionadas aos assuntos da Igreja Católica, mas esse papel se desenvolveu e se acentuou profundamente nos séculos seguintes, especialmente a partir do século V e após o XI.
 
Cristianismo primitivo (c. 30-325)
O primeiro documento fornecido por um papa, é de Clemente I no final do século I, em que interveio em uma disputa em Corinto, na Grécia,Clemente foi o primeiro Pai Apostólico da Igreja, fundando o período eclesiástico patrístico, que duraria até o século VIII. No século II os bispos romanos erigiram monumentos aos apóstolos Pedro e Paulo, davam esmolas às igrejas pobres e lutaram contra gnósticos e montanistas na Ásia Menor. No final do mesmo século, o Papa Vítor I ameaça de excomunhão os bispos orientais que continuarem praticando a Páscoa em 14 de Nisã (quartodecimanismo).Nessa época Santo Inácio, e algum tempo depois Santo Ireneu, enfatizam a posição única do bispo de Roma.
No século III os papas preocuparam-se em afirmar a possibilidade do perdão dos pecados, se os fiéis se arrependessem e fizessem penitência (ao contrário do que pregava o novacionismo), como pode ser observado nos decretos de Calixto I e Cornélio I. No final desse século, papas como Estêvão I e Sisto II condenaram o rebatismo, como pregava a heresia do donatismo.Muitos aspectos da vida dos papas primitivos, especialmente os primeiros, permanece envolta em mistério, como São Lino, que teria sido o segundo papa, cuja vida e ações como Bispo de Roma é incerta e desconhecida.Devido a perseguição aos cristãos pelo Império Romano, os livros da vida dos santos de Roma afirmam que foram mártires todos os Papas dessa época, sendo a maioria dos pontificados curto (embora exista incerteza sobre a morte de muitos Bispos de Roma, cujos relatos de martírio surgiram apenas muito tempo depois de sua morte, como por exemplo, São Clemente I, que viveu no final do século I, mais a história de seu martírio remonta apenas ao século IV). Alexandria e Antioquia também eram centros importantes para o cristianismo e seus bispos possuíam jurisdição sobre certos territórios. Muitos historiadores tem sugerido que seus poderes especiais provieram do fato de que as três comunidades foram chefiadas por São Pedro (Roma e Antioquia foram, segundo a Sagrada Escritura e Tradição fundadas por Pedro e Alexandria por seu discípulo São Marcos).
 
Antiguidade tardia e cesaropapismo
Em 313, o imperador Constantino I concede liberdade para todas as religiões iniciando a Paz na Igreja; e passando a interferir em diversas questões eclesiásticas (como a convocação em 325 do Primeiro Concílio de Niceia), originando o cesaropapismo, e uma relação de "difícil entrosamento entre Igreja e Estado". Constantino também ordenou a construção de três basílicas em Roma e as doou ao papado.
A organização conciliar e sinodal que havia sido vital no século III, também cresceu em importância nessa época – através dos concílios ecumênicos convocados pelos imperadores (por questões pragmáticas e também cesaropapistas), para proporcionar uma resolução definitiva para os litígios doutrinários na Igreja Católica. A tentativa de alguns concílios de independerem da autoridade papal, desafiá-la ou mesmo controlá-la, fez que o Papa Bonifácio I declarasse precocemente que o poder papal é superior ao conciliar e o último não pode julgá-lo.Uma das primeiras demonstrações de um poder estatal administrado pelos papas, também surgiu nessa época, embora fosse de caráter puramente diplomático, como "defensor dos necessitados e da população", como observado por exemplo, no confronto do Papa Leão I com Átila, imperador dos hunos, em que Leão convence Átila a não invadir e saquear Roma.Nessa época também aprofundaram-se os conflitos entre a Igreja do Ocidente e Oriente. Em 330 a capital do Império Romano foi transferida para Constantinopla, dessa maneira rapidamente no Império Romano do Oriente o poder civil controlou a Igreja e o bispo de Constantinopla cresceu em importância, baseando seu poder no fato de ser bispo da capital e por ser um homem de confiança do Imperador, no Ocidente por sua vez, o bispo de Roma pôde consolidar a influência e o poder que já possuía desde o cristianismo primitivo. Em 380, o Édito de Tessalónica publicado pelo imperador Teodósio I, estabeleceu que a religião católica conforme ensinada pelo Papa Dâmaso I, como religião de estado exclusiva do Império.
 
Idade Média (493–1417)
Papado Ostrogodo (493-537)
Após a queda do Império Romano do Ocidente, a Itália foi dominada pelo Reino Ostrogodo, sendo que o rei ostrogodo era tolerante com a Igreja e não interferia em questões dogmáticas. Rapidamente tribos bárbaras se converteram ao arianismo ou ao catolicismo. Quando o rei dos francos Clóvis I, converteu-se ao catolicismo, aliando-se assim com o papado e os mosteiros, outras tribos como os visigodos seguiram seu exemplo. Em 494 o Papa Gelásio I a fim de refrear o cesaropapismo e o abuso dos governantes seculares, publica a epístola Duo sunt, sobre as competências do poder temporal e espiritual, na qual defende que os papas e os bispos devem administrar a Igreja; e o imperador e os príncipes a vida temporal, cada um independente do outro.[54] No final do século VI, o Papa Gregório, o Grande iniciou reformas administrativas e organizou missões para evangelizar a Grã-Bretanha.[32] Gregório também foi um importante teólogo, e suas perspectivas representam a mudança religiosa da perspectiva clássica para a medieval, seus escritos tratam sobre demonologia, angelologia, escatologia e etc. Logo no início do século VII exércitos muçulmanos haviam conquistado grande parte do sul do Mediterrâneo, e representam uma ameaça para a cristandade ocidental.
 
Papado Bizantino (537-752)
Influência dos francos (756-857)
A Coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III. Afresco na Capela Sistina, de Raphael, em torno de 1516-1517.No século VIII a iconoclastia (destruição de imagens religiosas), tornou-se uma fonte de conflito entre os papas e a Igreja Oriental. A eleição do papa nessa época era conturbada, especialmente devido ao poder civil, enquanto alguns imperadores como Carlos Magno (771-814), e Luís I, o Piedoso (814-840) não interferiram e respeitaram as eleições papais, Lotário I (823-855), interveio abertamente e exigiu a confirmação do Sacro Imperador Romano na eleição papal. Em 898, o Papa João IX em um concílio realizado em Roma, decretou que a eleição devia ser feita apenas pelos cardeais-bispos e pelo clero. No final do mesmo século, buscando proteção contra os lombardos, o Papa Estevão II apelou para os francos para proteger a Igreja, Pepino, o Breve subjugou os lombardos e doou terras italianas ao papa, formando então os Estados Pontifícios, que se tornou o Estado da Igreja. Quando o Papa Leão III coroou Carlos Magno (800), os próximos imperadores passaram a ser ungidos por um papa. Carlos Magno conjuntamente com a Igreja inicia uma importante reforma educacional e artística, conhecida como Renascimento carolíngio.
 
Saeculum obscurum
O assassinato do Papa João VIII inaugurou um período marcado por curtos pontificados, no qual doze papas foram mortos (algumas vezes após sua deposição), mais três depostos e dois abdicaram, num período conhecido pelos historiadores como Saeculum Obscurum (latim: idade das trevas),  sendo considerado o ponto "mais baixo do papado". Durante este período, os papas eram fortemente influenciados e lutaram com uma poderosa família aristocrática, Teofilactos e seus parentes, sendo depostos ou assassinados. Na sequência da aliança do Papa Sérgio III com Teofilato I, Conde de Túsculo (o pai de Marózia) e sua esposa, Teodora, os Teofilactos influenciaram com sucesso na eleição de quatro dos próximos cinco papas. O filho de Sérgio III com Marozia se tornou o Papa João XI, sendo deposto pelo rei Alberico II de Spoleto, que foi capaz de controlar a instalação dos próximos quatro papas, acabando por instalar seu próprio filho, o Papa João XII, cujo principal ato foi a coroar Oto I como imperador do Sacro Império Romano. Um sínodo em 963 depôs João XII, e Oto I elegeu o Antipapa Leão VIII (963-965), mas os romanos não o aceitaram e quando seu protetor partiu, ele foi deposto e João XII reassumiu o cargo, no entanto, ele morre repentinamente e o povo elege o Papa Bento V (964), que Oto I substituí por Leão VIII, agora papa legítimo. Oto teve ainda mais sucesso no processo de nomeação do Papa João XIII (965-972) e Papa Bento VI (973-974).
 
Conflitos com o Sacro Imperador (1048-1257)
O cargo do imperador carolíngio foi disputado entre os seus herdeiros e senhores locais, nenhum saiu vitorioso até que Oto I, Sacro Imperador Romano-Germânico invadiu a Itália. A Itália tornou-se um reino constituinte do Sacro Império Romano em 962, a partir do ponto dos imperadores germânicos. Com a sua posição de imperador consolidada, as cidades-estados do norte da Itália se dividiram entre Guelfos e Gibelinos. Devido às interferências do poder civil, os conflitos no processo de escolha dos papas continuavam, por exemplo, Henrique III ao visitar Roma em 1048, encontrou dois antipapas e várias disputas provocadas pelo Papa Bento IX, Henrique instalou seu próprio candidato preferido ao papado, o Papa Clemente II. A história do papado de 1048 a 1257 continuará a ser marcada por conflitos entre papas e os Sacro Imperadores Romanos.
 
Grande Cisma do Oriente
Do século V ao XI foram numerosas as rupturas seguidas de reconciliação entre as igrejas do Ocidente e Oriente. Em 1054 os legados romanos do Papa Leão IX, viajaram para Constantinopla para insistir no reconhecimento da primazia papal,o patriarca de Constantinopla se recusou a reconhecer sua autoridade e se excomungaram mutuamente, posteriormente a separação entre Ocidente e Oriente se desenvolveu quando todos os outros patriarcas orientais apoiaram Constantinopla, no evento do Grande Cisma.
 
Reforma Gregoriana e Questão das Investiduras
Desde o século VII era comum entre o reino dos Francos, bem como na Itália e na Espanha, que os reis, imperadores e nobres fundassem bispados e abadias, nomeando ou depondo os clérigos do local, e controlando suas ações.As investiduras (nomeações) feitas pelos nobres visavam interesses pessoais e do reino, provocando a corrupção entre os membros do clero[46] . Entre os anos 900 e 1050 surgiram ideais e centros de reforma contra os abusos e a corrupção, como os mosteiros de Cluny (França) e Görze (Alemanha), de onde partem grupos renovadores para a Bélgica, Itália, Espanha, Inglaterra e demais países europeus. A abadia de Cluny, que surgiu em 910, quando os mosteiros estavam em profunda decadência, foi fundada pelo duque Guilherme de Aquitânia que, renunciou ao direito de propriedade e doou-a ao papa, assegurando a liberdade do mosteiro. Assim "a abadia ganhou o antigo rigor monástico e profunda renovação espiritual, pois ingressava em Cluny quem realmente queria ser monge (…) Cluny colocou-se a serviço da liberdade da vida monástica, e de toda a Igreja. Era um mosteiro livre (…) Seu exemplo se alastra: Papas e bispos, (…) chamam os monges de Cluny para reformarem seus mosteiros". Em 1059 o Papa Nicolau II promulga a bula In nomine Domini estabelecendo como únicos eleitores do papa os cardeais da Igreja Romana (apesar ainda de seguido pela aprovação dos leigos de Roma e pelo Sacro Imperador Romano). Em 1073, esses ideais ganharam força com a eleição do Papa São Gregório VII, que baseando-se em ideais ascetas e monásticos, adotou uma série de medidas no movimento conhecido como Reforma Gregoriana, lutando radicalmente contra a simonia e a intromissão do poder civil na investidura de bispos, abades e dos próprios papas, tentando restaurar a disciplina eclesiástica.  Em reação, o imperador do Sacro Império Henrique IV, aliou-se a bispos alemães proibidos de exercerem suas funções religiosas, e considerou o papa deposto; este, em resposta, excomungou o imperador. Desenvolveu então um conflito aberto entre eles, que ficou conhecido como "Questão das Investiduras". Henrique IV em 1077, pediu perdão ao papa por meio da Penitência de Canossa, embora não dispositiva no contexto da disputa, tornou-se lendária. Esse conflito só foi resolvido em 1122, pela Concordata de Worms, que adotou uma solução de meio-termo: caberia ao papa a investidura espiritual dos bispos e ao imperador, a investidura temporal.
 
Cruzadas e Inquisição
Em 1095, o imperador bizantino Aleixo I pediu ao Papa Urbano II para ajudá-lo militarmente contra as invasões muçulmanas, assim Urbano, no concílio de Clermont convoca a Primeira Cruzada, destinada a auxiliar o Império bizantino a retormar os antigos terrítórios cristãos, especialmente Jerusalém. As cruzadas provocaram a formação de várias ordens militares, tais como os Cavaleiros Templários, os Cavaleiros Hospitalários, e os Cavaleiros Teutônicos.Em 1209, o Papa Inocêncio III declarou a Cruzada dos Albigenses contra os Cátaros, uma seita gnóstica cristã que se instalara no Languedoc, França. Para regulamentar a maneira como a Igreja lhe dava com os hereges, em 1231, Gregório IX instituiu a Inquisição Papal.
 
Papado de Avignon e Grande Cisma do Ocidente
De 1309 a 1377, o papa não residia em Roma, mas em Avignon, um período geralmente chamado de Cativeiro Babilônico, em alusão ao exílio bíblico de Israel na Babilônia.O Papa Gregório XI deixou Avignon e restabeleceu a Santa Sé em Roma, onde morreu em 27 março de 1378. A eleição de seu sucessor, definiria a residência do futuro papa em Avignon ou Roma. O nome do Bartolommeo Prignano, Arcebispo de Bari, considerado com uma rígida moral e inimigo da corrupção, foi proposto e eleito em Roma por dezesseis cardeais italianos em conclave em 7 de abril, e no dia seguinte escolheram novamente Prignano. No dia 13 eles realizaram uma nova eleição e, novamente, escolheram o Arcebispo Prignano para se tornar papa. Durante os dias seguintes todos os Cardeais aprovaram o novo papa, que tomou o nome de Urbano VI e tomou posse. No dia seguinte, o cardeais italianos notificaram oficialmente a eleição de Urbano aos seis cardeais franceses em Avignon, que o reconheceram como papa, em seguida, escreveram ao chefe do império e aos demais soberanos. Tanto o Cardeal Roberto de Genebra, o futuro Antipapa Clemente VII de Avignon, e Pedro de Luna de Aragão, o futuro Antipapa Bento XIII, também aprovaram sua eleição.  Mapa ilustrando o Grande Cisma do Ocidente: Os territórios em rosa, são territórios obedientes ao antipapado de Avignon, os territórios em roxo, são territórios obedientes ao papado de Roma.O Papa Urbano não atendeu as necessidades de sua eleição, criticou os membros do Colégio Sagrado, e se recusou a restaurar a sede pontifical em Avignon. Os cardeais italianos então em maio de 1378, se retiraram para Anagni, e em julho para Fonti, sob a proteção da Rainha Joana de Nápoles e Bernardon de la Salle, iniciaram uma campanha contra a sua escolha, e se prepararam para uma segundo eleição. Em 20 de Setembro, treze membros do Colégio Sagrado fizeram um novo conclave em Fondi e escolheram o Roberto de Genebra como antipapa, que tomou o nome de Clemente VII. Alguns meses depois, apoiado pelo Reino de Nápoles, assumiu sua residência em Avignon, e o cisma começava.  Clemente VII possuía relações com as principais famílias reais da Europa, os estudiosos e os santos da época normalmente apoiavam o papa adotado pelo seu país. A maior parte de estados Italianos e Alemães, a Inglaterra e o Flanders apoiaram o papa de Roma.   Por outro lado França, Espanha, Escócia, e todas as nações aliadas da França apoiaram o antipapa de Avignon. Os Papas excomungaram-se mutuamente, enviando mensageiros para a cristandade defendendo sua causa. Posteriormente Bonifácio IX sucedeu Urbano VI em Roma e Bento XIII sucedeu Clemente em Avignon. Vários clérigos reuniram-se em concílios regionais na França e em outros lugares, sem resultado definitivo.O rei da França e seus aliados em 1398 deixaram de apoiar Bento e Geoffrey Boucicaut, sitiou Avignon, o bloqueio privou o antipapa de comunicação com todos aqueles que permaneceram fiéis a ele. Bento retomou a liberdade somente em 1403. Inocêncio VII já tinha sucedido Bonifácio de Roma, e após um pontificado de dois anos, foi sucedido por Gregório XII.Em 1409 um concílio que se reuniu em Pisa acrescentou um outro antipapa e declarou os outros dois depostos. Depois de muitas conferências, discussões, intervenções do poder civil e várias catástrofes, o Concílio de Constança (1414) depôs o Antipapa João XXIII, recebeu a abdicação do Papa Gregório XII, e finalmente, conseguiu depôr o Antipapa Bento XIII. Em 11 de novembro de 1417, o concílio elegeu Odo Colonna, que tomou o nome de Martinho V, terminando assim o grande cisma do Ocidente.O prestígio da Santa Sé foi profundamente afetado com esta crise, o que causou a criação da doutrina conciliar, que sustenta que a autoridade suprema da Igreja encontra-se com um concílio ecumênico e não com o papa,sendo efetivamente extinta no século XV.O prestígio do papado foi profundamente afetado com esta crise, o que causou a criação da doutrina conciliar, que sustenta que a autoridade suprema da Igreja encontra-se com um concílio ecumênico e não com o papa,[76] sendo efetivamente extinta no século XV.
 
Idade Moderna – Renascimento
A Basílica de São Pedro, a maior igreja do cristianismo, foi construída pelos papas do Renascimento, demonstrando seu incentivo as artes.Durante o Renascimento os papas patrocinaram e incentivaram artistas e intelectuais, tornando-se importantes mecenas, tais como Júlio II e Leão X, que contrataram artistas como Bramante, Bernini, Rafael e Michelangelo,transformando a cidade de Roma num dos principais centros do Renascença Italiana, juntamente com Florença.O papado renascentista é normalmente associado a corrupção e a degradação moral.[81][82] Os papas desse período não estavam à altura das necessidades da Igreja, suas preocupações eram mais políticas e artísticas. O nepotismo atinge seu auge: papas e cardeais estavam mais interessados em garantir o futuro de seus familiares do que numa reforma religiosa. Os cardeais eram criados entre parentes, sem se olhar a idade, virtudes morais e intelectuais (foram os famosos cardeais-sobrinhos). Reforma Protestante e Católica (1517-1585).Antichristus, por Lucas Cranach (1521), representação do Papa como o Anticristo, cercado de funcionários da Cúria Romana. Lutero sustentou que sendo o papa o Anticristo, a violência devia ser usada para derrotá-lo.A Reforma Protestante iniciada a partir de 1517, desconsideraria diversas doutrinas e dogmas católicos, e provocaria os maiores cismas do cristianismo.Muitos reformadores afirmaram que o papa seria o "anticristo", tais como Martinho Lutero, que argumentou que a violência deveria ser usada para derrotar sua autoridade, João Calvino, Thomas Cranmer,[88] John Knox, Cotton Mather, e John Wesley.Calvino despertou revolta inclusive entre seus próprios seguidores ao chamar de "papistas" muitos cristãos respeitados. Os papas por sua vez, compararam os reformadores a "raposas [que] avançam procurando destruir a vinha (…) [que] entregastes o cuidado, norma e administração (…) a Pedro, como cabeça e vosso vigário e a seus sucessores. O javali da floresta procura destruí-la e toda fera selvagem vem devastá-la."Como retaliação os papas instituíram a Reforma Católica(1560-1648), que lutou contra as contestações protestantes e instituiu reformas internas. O evento mais significativo da reforma católica foi à convocação do Concílio de Trento (1545-1563),[92] pelo Papa Paulo III (1534-1549).Os papas também tiveram um papel importante na Colonização das Américas: como por exemplo, o Papa Alexandre VI, que dividiu os direitos e as terras recém-descobertas entre Espanha e Portugal.Os papas também tentaram conter os abusos cometidos contra os índios por exploradores e conquistadores, condenando a escravidão, tais como Paulo III, Urbano VIII (1623-1644), e Bento XIV (1740-1758).
 
Idade Contemporânea
Questão Romana (1870–1929)
No século XVII, após a ascensão de Napoleão Bonaparte e a eclosão das Guerras Napoleônicas, os Estados Pontifícios foram ocupados e extintos pela França, as revoltas do povo romano contra os franceses foram esmagadas e o Papa Pio VII preso em Savona e depois na França. Com o Congresso de Viena, os Estados Pontifícios foram recriados, e extintos novamente em 1870 por Victor Emmanuel II, no âmbito da unificação da Itália, iniciando-se a Questão Romana.No mesmo ano o Concílio Vaticano I proclamou o primado e infalibilidade papal como dogma.Em resposta aos desafios sociais da Revolução Industrial, o Papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum, estabelecendo a doutrina social da Igreja em que rejeitava o socialismo, mas que defendia a regulamentação das condições de trabalho, o estabelecimento de um salário mínimo e o direito dos trabalhadores de formar sindicatos. Em 1929, o Tratado de Latrão assinado entre a Itália e o papa Pio XI estabeleceu a independência do Vaticano, como cidade-estado soberano sob controle do papa, utilizada para apoiar sua independência política.Depois de violações da Reichskonkordat de 1933, que havia garantido a Igreja na Alemanha nazista alguma proteção e direitos, o Papa Pio XI emitiu em 1937 a encíclica Mit brennender Sorge, que condenou publicamente a a perseguição da Igreja pelos nazistas e sua ideologia de neopaganismo e superioridade racial. Depois que a Segunda Guerra Mundial começou em setembro de 1939, a Igreja condenou a invasão da Polônia e as subsequente invasões nazistas de 1940. No Holocausto, o Papa Pio XII dirigiu a hierarquia da Igreja para ajudar a proteger os judeus dos nazistasApesar de Pio XII ter ajudado a salvar centenas de milhares de judeus, segundo muitos historiadores,[106] ele também foi acusado de não fazer o suficiente para impedir as atrocidades nazistas, e o debate sobre a validade dessas críticas continua atualmente.
 
Concílio Vaticano II (1962-presente)
O Concílio Vaticano II, reunido nos anos 60, modernizou o papel e a ação da Igreja na sociedade. Após sua conclusão, o Papa Paulo VI e seus sucessores, especialmente o Papa João Paulo II, passaram a ser conhecidos como os "papas peregrinos", viajando para diversas partes do mundo e dedicando-se ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso, a trabalhos de caridade e a defesa dos direitos humanos.Desde uma perspectiva protestante, o papado não é uma instituição de origem divina, mas resultou de um longo e complexo processo histórico. As Escrituras não dão apoio a essa instituição como uma ordenança de Cristo à sua igreja. É verdade que o Senhor proferiu a Pedro as bem conhecidas palavras: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18). Todavia, isto está muito longe de declarar que Pedro seria o chefe universal da igreja (o primado de Pedro) e que a sua autoridade seria transmitida aos seus sucessores (sucessão apostólica). As primeiras gerações de cristãos não entenderam as palavras de Cristo dessa maneira. Tanto é que não se vê em todo o Novo Testamento qualquer noção de que Pedro tenha ocupado uma função especial de liderança na igreja primitiva. No chamado "Concílio de Jerusalém", narrado no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, isso não aconteceu, e o próprio Pedro não reivindica essa posição em suas duas epístolas. Antes, ele se apresenta como apóstolo de Jesus Cristo e como um presbítero entre outros (1 Pe 1.1; 5.1).Mais difícil ainda é estabelecer uma relação inequívoca entre Pedro e os bispos de Roma. Os historiadores não vêem uma base absolutamente segura para afirmar que Pedro tenha estado em Roma, quanto mais para admitir que ele tenha sido o primeiro bispo daquela igreja. Ademais, é um fato bem estabelecido que não houve episcopado monárquico no primeiro século. As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros (ver Atos 20.17 e 28; Tito 1.5 e 7). Ao mesmo tempo, não se pode deixar de reconhecer que ainda na igreja antiga os bispos de Roma alcançaram grande preeminência, que o papado em muitas ocasiões prestou serviços crucialmente relevantes à igreja e à sociedade e que muitos papas foram homens de grande piedade, integridade moral, saber teológico e habilidade administrativa. Ao longo dos séculos, muitos dos principais eventos da história da igreja nas áreas da teologia, organização eclesiástica e relações entre a igreja e a sociedade tiveram conexão com a instituição papal. Originalmente, a palavra grega papas ou a latina papa foi aplicada a altos oficiais eclesiáticos de todos os tipos, especialmente aos bispos. A partir de meados do quinto século passou a ser aplicada quase que exclusivamente aos bispos de Roma. Foram múltiplos e complexos os fatores que levaram ao reconhecimento de que esses bispos detinham autoridade suprema sobre a igreja ocidental. Em primeiro lugar, há que se destacar a importância crescente da igreja local de Roma desde o primeiro século. O livro de Atos dos Apóstolos termina com a chegada de Paulo a Roma. O apóstolo aos gentios escreveu a principal de suas epístolas a essa igreja e no segundo século surgiu uma tradição insistente de que tanto Paulo como Pedro, os dois apóstolos mais destacados, haviam sido martirizados naquela cidade. Além disso, já numa época remota a igreja de Roma tornou-se a maior, a mais rica e a mais respeitada de toda a cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a ascendência da igreja romana e do seu líder foi a própria centralidade e importância da capital do Império Romano. Ao contrário da região oriental, em que várias igrejas (Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla) competiam pela supremacia em virtude de sua antiguidade e conexões apostólicas, no ocidente a igreja de Roma desde o início foi praticamente a líder inconteste. Outrossim, a partir de Constantino muitos imperadores romanos fizeram generosas concessões àquela igreja, buscaram o conselho dos seus bispos e promulgaram leis que ampliaram a autoridade dos mesmos.Outro elemento importante é que desde cedo a igreja romana e os seus líderes reivindicaram, direta ou indiretamente, certas prerrogativas especiais. No final do primeiro século (ano 96), o bispo Clemente enviou em nome da igreja de Roma uma carta à igreja de Corinto para aconselhá-la e exortá-la quanto a alguns problemas que a mesma estava enfrentando. Um século depois, o bispo Vítor (189-198) exerceu considerável influência na fixação de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante face à centralidade da liturgia na vida da igreja. As consultas entre outros bispos e Roma também datam de uma época antiga, embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo de Roma em resposta formal à consulta de outro bispo) só tenha surgido em 385, com o papa Sirício. Por volta de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de Mateus 16.18 para defender as suas idéias numa disputa com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-84) tentou oferecer uma definição formal da superioridade do bispo romano sobre todos os demais.Essas raízes da supremacia eclesiástica romana foram alimentadas pelas atividades capazes de muitos papas. No quinto século destaca-se sobremaneira a figura de Leão I (440-61), considerado por muitos "o primeiro papa". Leão exerceu um papel estratégico na defesa de Roma contra as invasões bárbaras e escreveu um importante documento teológico sobre a pessoa de Cristo (o Tomo) que exerceu influência decisiva nas resoluções do Concílio de Calcedônia (451). Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade papal, articulando mais plenamente o texto de Mateus 16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I (492-96) expôs a célebre teoria das duas espadas: dos dois poderes legítimos que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual – representado pelo papa – tinha supremacia sobre o poder secular sempre que os dois entravam em conflito.O apogeu do papado antigo ocorreu no pontificado do notável Gregório I ou Gregório Magno (590-604), o primeiro monge a ocupar o trono papal. Sua lista de realizações é impressionante. Ele supervisionou as defesas romanas contra os ataques dos lombardos, realizou complicadas negociações com o imperador bizantino, saneou as finanças da igreja e reorganizou os limites e responsabilidades das dioceses ocidentais. Ele foi também um dedicado estudioso das Escrituras: suas exposições bíblicas, especialmente um comentário do livro de Jó, foram muito lidas em toda a Idade Média. Seus escritos sobre os deveres dos bispos deram forte ênfase ao cuidado pastoral como uma atividade prioritária. Ele reformou a liturgia, regularizou as celebrações do calendário cristão e promoveu a música sacra ("canto gregoriano"). Finalmente, Gregório foi um grande promotor de missões, enviando missionários para vários centros estratégicos do norte e do oeste da Europa e expandindo a área de jurisdição do papado.Um momento especialmente significativo na evolução do papado ocorreu no Natal do ano 800, quando o papa Leão III coroou Carlos Magno como sacro imperador romano. A esta altura, a complexa associação dos elementos citados (e outros mais) havia criado uma situação na qual o bispo romano era amplamente considerado o principal personagem eclesiástico do ocidente, bem como o representante do cristianismo ocidental junto ao oriente. Algumas décadas antes, o pai de Carlos Magno havia cedido à igreja os amplos territórios do centro e norte da Itália que vieram a constituir os estados pontifícios. Isso fez dos papas governantes seculares como os demais soberanos europeus. Por vários séculos, os papas teriam um relacionamento estreito e muitas vezes altamente conflitivo com esses soberanos. Mas a sua autoridade como líderes máximos da igreja ocidental não seria questionada.O papado também teve seus períodos sombrios, marcados por imoralidade e corrupção. Um desses períodos ocorreu entre o final do século IX e o início do século XI, quando a instituição papal foi controlada por poderosas famílias italianas. A história revela que um terço dos papas dessa época morreu de forma violenta: João VIII (872-882) foi espancado até a morte por seu próprio séquito; Estêvão VI (885-891), estrangulado; Leão V (903-904), assassinado pelo sucessor, Sérgio III (904-911); João X (914-928), asfixiado; e Estêvão VIII (928-931), horrivelmente mutilado, para não citar outros fatos deploráveis. Parte desse período é tradicionalmente conhecida pelos historiadores como "pornocracia", numa referência a certas práticas que predominavam na corte papal.A partir de meados do século XI, surgiram vários papas reformadores que procuraram moralizar a administração da igreja, lutando contra vários males que a assolavam. O mais notável foi Hildebrando ou Gregório VII (1073-1085), que notabilizou-se por sua luta contra a simonia, ou seja, o comércio de cargos eclesiásticos, e ficou célebre por sua confrontação com o imperador alemão Henrique IV. Ele escolheu como lema do seu pontificado o texto de Jeremias 48.10: "Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente". Todavia, o ápice do poder papal ocorreu no pontificado de Inocêncio III (1198-1216), considerado o papa mais poderoso de todos os tempos, aquelo que, mais do que qualquer outro, concretizou o ideal da "cristandade", ou seja, uma sociedade plenamente integrada sob a autoridade dos reis e especialmente dos papas. Ele foi o primeiro a utilizar o título "vigário de Cristo", ou seja, o papa era não somente o representante de Pedro, mas do próprio Senhor. Seus sucessores continuaram por algum tempo a fazer ousadas reivindicações de autoridade sobre toda a sociedade, sem contudo transformá-las em realidade como o fizera Inocêncio.Novo período de declínio e desmoralização do papado ocorreu no século XIV e início do século XV. Primeiro, os papas residiram na cidade de Avinhão, ao sul da França, por mais de setenta anos (1305-1378), colocando-se sob a influência dos reis franceses. Esse período ficou conhecido como "o cativeiro babilônico da igreja". Em seguida, por outros quarenta anos (1378-1417), houve dois e finalmente três papas simultâneos (em Roma, Avinhão e Pisa), no que ficou conhecido como "o grande cisma". Essa situação embaraçosa foi sanada por vários concílios reformadores, especialmente o de Constança, que reivindicaram autoridade igual ou mesmo superior à dos papas. Em reação, estes reafirmaram ainda mais enfaticamente a sua autoridade suprema sobre a igreja.O final do século XV e início do século XVI testemunhou o pontificado dos chamados "papas do renascimento", os quais, ao contrário de muitos de seus predecessores ou sucessores, tiveram escassas preocupações espirituais e pastorais. Como papa Alexandre VI (1492-1503), o espanhol Rodrigo Borja dedicou-se prioritariamente a promover as artes e a embelezar a cidade de Roma; Júlio II (1503-1513) foi um papa guerreiro, comandando pessoalmente o seu exército; e Leão X (1513-1521) teria dito ao ser eleito: "Agora que Deus nos deu o papado, vamos desfrutá-lo". Foi ele quem despertou a indignação do monge agostiniano Martinho Lutero ao autorizar a venda de indulgências para concluir as obras da Catedral de São Pedro. O resultado dessa indignação é conhecido de todos.
 
ORIGEM DO NOME
“PAPA”
Como e quando surgiu o primeiro papa?
A Igreja Católica considera São Pedro - Simão Pedro, um dos 12 apóstolos de Jesus - o primeiro papa da história. Ele teria assumido a função de líder do cristianismo logo após a morte de Jesus, ainda no século 1. "Certamente naquele tempo não havia articulação entre todas as comunidades cristãs. Mas em um número expressivo delas surgia a liderança de Pedro como chefe dos 12 apóstolos. A Igreja Católica reconhece nessa proeminência inicial algo desejado por Jesus. Assim como os apóstolos tiveram sucessores, Pedro os teve. Por isso o papa é considerado o sucessor dele", afirma o teólogo Pedro Lima Vasconcellos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mas a questão não é tão simples assim. "Quando se pergunta pela origem do papa, é preciso refletir: está se pensando numa autoridade política, além de religiosa?Se assim for, teríamos de localizá-la no século 5, onde se destaca a figura de Leão Magno, que teve papel fundamental no contexto da queda do Império Romano", diz Pedro Lima. Também é importante lembrar que a palavra "papa" - que vem do grego pappas, "pai" - foi durante vários séculos usada para designar todos os bispos do Ocidente. Apenas no ano 1073, por ordem do papa Gregório VII, ela se tornou de uso exclusivo para o bispo de Roma, autoridade máxima da Igreja Católica. A única exceção é o patriarca de Alexandria, autoridade da Igreja Ortodoxa Grega, que também mantém o título até hoje. Há quem defenda a origem da palavra como resultado das iniciais do título de S. Pedro: (Pedro Apóstolo, Príncipe dos Apóstolos = usando as primeiras letras P A P, S. Pedro a quem JESUS CRISTO outorgou o primado da Igreja, (João 21, 15-17; Mateus 16, 18-19), estabeleceu sua sede em Roma pelos anos 42 d.C., que se tornou então a sede principal da cristandade. A conexão entre Roma e o papado vem atestado por Inácio, Irineu e outras mais testemunhas da antiguidade e inspirada por Deus.Como sucessor de Pedro, o papa é o supremo soberano e mestre dos fiéis, exercendo autoridade suprema e universal. Quando, como chefe supremo da Igreja, define verdades de fé ou moral para toda Igreja Católica de todo o mundo, tem o dom da infalibilidade. É o supremo legislador e juiz, promulgando leis para toda Igreja, ou concedendo dispensa nas leis comuns. Somente ele pode erigir e dividir dioceses; transferir e nomear bispos; convocar e dissolver concílios universais. Concede indulgências do tesouro da Igreja, comina censuras, como a excomunhão, e reserva para si, o poder de levantar determinadas excomunhões.Nos primeiros séculos, o bispo de Roma, como os de outras cidades, era escolhido pelo povo e pelo clero, com assentimento dos bispos vizinhos, e o eleito era consagrado pelo bispo de Óstia. Hoje, porém, realiza-se a eleição papal num conclave do sacro colégio dos cardeais que deve começar não antes de 15 dias, depois da morte do pontífice. Para a eleição requer-se a maioria de dois terços mais um voto. O escrutínio é completamente secreto. Os cardeais não estão obrigados a escolher um do sacro colégio, até um leigo poderia ser eleito. Até 1.870, eram os papas também os soberanos temporais dos Estados Pontifícios  e a partir de 1.929 do Vaticano.São Pedro de Betesaida, na Galiléia, príncipe dos Apóstolos que recebeu diretamente de Jesus Cristo o supremo Poder Pontifical, para transmiti-lo a seus sucessores, residiu como papa, primeiro em Antioquia 8 anos, depois durante 25 anos, em Roma, onde foi martirizado em 67 d.C. Até o Papa Bento XVI – são 304 Papas em 1.976 anos.
SUA ORIGEM
O Sistema Católico Romano começou a tomar forma quando o Imperador Constantino, convertido ao Cristianismo presidiu o l.o Concílio das Igrejas no ano 313. No Século IV construíram a primeira basílica em Roma.As Igrejas eram livres, mas começaram a perder autonomia com Inocêncio I, ano 402 que, dizendo-se "Governante das Igrejas de Deus exigia que todas as controvérsias fossem levadas a ele."Leão I, ano 440, aumentou sua autoridade; alguns historiadores viram nele o primeiro papa. Naqueles tempos ninguém supunha que "S. Pedro foi papa", fora casado e não teve ambições temporais.O poder dos pretensos papas cresceu ainda mais quando o Imperador Romano Valentiniano III, ano 445, bajulado, reconheceu oficialmente a pretensão do papa de exercer autoridade sobre as Igrejas. O papado surgiu das rumas do Império Romano desintegrado no ano 476, herdando dele o autoritarismo e o latim como língua, embora o primeiro papa, oficialmente falando, foi Gregório no ano 600 d.C.A palavra "papa" significa pae, até o ano 500 todos os bispos ocidentais foram chamados assim: aos poucos, restringiram esse tratamento aos bispos de Roma, que valorizados, entenderam que a Capital do império desfeito deveria ser Sede da Igreja.Nicolau l, ano 858, foi o primeiro papa a usar Coroa. Usou um "Documento Conciliar falso (espúrio) dos Séculos 2.o e 3.o que exaltava o poder do papa e impôs autoridade plena r Assim, o "Papado que era recente, tomou-se coisa antiga." Quando a farsa foi descoberta Nicolau já não existia!O Vaticano projetou-se quando recebeu de Pepino, o Breve, ano 756, vastos territórios; essa doação foi confirmada pôr Carlos Magno, ano 774, quando ocupava o trono papal Adriano I. (Taglialatela, II pág. 44).Carlos Magno elevou o papado a posição de poder mundial, surgindo o "Santo Império Romano" que durou 1.100 anos. Mais tarde, Carlos Magno arrependeu-se pôr doar terras aos papas. No seu leito de morte sofreu "horríveis pesadelos". Agonizando, lastimava-se assim: "Como me justificarei diante de Deus pelas guerras que irão devastar a Itália, pois os papas serão ambiciosos, eis porque se me apresentam imagens horríveis e monstruosas que me apavoram devo merecer de Deus um severo castigo" (Piliati, Tomo I, ano 1776, Edson Thompson, Londres).O Vaticano derramou muito sangue, até ser invadido pôr Napoleão Bonaparte, em 1806. O papa foi preso e perdeu suas terras; tentou reagir mais tarde, mas Vítor Emanuelli, ano 1870. derrotou novamente as "tropas do papa" tomando-se o primeiro Rei da Itália.Assim caiu o "Santo Império Romano"! O Papa vencido advertia: "Não somos simples mortais" Ocupamos na terra o lugar de Deus, estamos acima dos anjos e somos superiores a Maria, mãe de Deus, porque ela deu a luz a um Cristo somente, mas nós, podemos fazer quantos Cristos Referia-se a transubstanciação. (Gazzeta da Alemanha n.o 21 ano 1870).Até 1929, os papas ficaram confinados no Vaticano quando Mussoline e Pio XI legalizaram com o tratado de Latrão esse pequeno Estado religioso que atualmente é "controlado pela Cúria Romana, mas governado pôr 18 velhos Cordiais, que controlam a carreira dos bispos e monsenhores, o papa fica fora dessa pirâmide". (Est. S. Paulo 28-3-82).No Brasil a liderança Católica está nas mãos de 240 bispos mais conhecidos pelas suas posições políticas do que pela religiosidade. Estão divididos entre Conservadores, Progressistas e não Alinhados. (Dom Luciano Cabral. Rev. Veja 30-1-80).

A ÚLTIMA NOITE DO PAPA SORRISO
Quantos papas, no curso da história, terão morrido envenenados? A pergunta é formulada por John Cornwell, em seu livro Um Ladrão na Noite, que a Viking lançou recentemente, na Inglaterra(1989), e cujo tema é a morte, até hoje não convenientemente esclarecida, do Papa João Paulo I. E o autor cita um número muito maior de pontífices assassinados do que se poderia esperar. João VIII, o primeiro papa a ser morto, foi envenenado em 882 por membros de sua própria corte. A poção demorou tanto a agir, que ele foi eliminado a pancada. Aproximadamente dez anos mais tarde, o corpo do Papa Formoso, envenenado por uma facção dissidente do seu séqüito, foi exumado pelo seu sucessor, Estevão VII, solenemente excomungado, mutilado, arrastado pelas ruas de Roma e lançado às águas do Tíbre.No século dez, João X foi envenenado no cárcere por Marozia, filha de sua amante e mãe de João XI. Ainda no mesmo século, foram envenenados Benedito VI e João XIV. O novo milênio não se mostrou mais benévolo para os santos padres: o primeiro a ser envenenado foi Silvestre II, conhecido como O Mago, por suas alegadas transações com o diabo, e, poucas décadas depois, Clemente II e seu sucessor Dâmaso II - embora não se exclua a hipótese de este último ter sucumbido à malária. No apagar das luzes do século 13, Celestino V foi envenenado pelo seu sucessor, Bonifácio VIII. Nos primeiros anos do século 14, Benedito XI teria morrido por ter ingerido vidro moído misturado com figos. Cerca de 150 anos se passaram, até a morte de Paulo II, depois de comer "dois grandes melões". Embora a causa da morte possa ter sido o pecado mortal da gula, suspeitou-se de veneno. E em 1503, Alexandre VI, o famigerado papa da família Borgia, morreu provavelmente envenenado de uma poção destinada à outra pessoa. A maneira de sua morte sugere arsênico: sua carne enegreceu; em torno de sua língua, monstruosamente aumentada, formou-se espuma, e seu corpo ficou inchado de gases, tão intumescido que os encarregados do seu sepultamento foram obrigados a pular em cima do seu estômago para que a tampa do caixão pudesse ser fechada. Nem todas as tramas tiveram êxito. Cerca de dez anos após a morte de Alexandre VI, o colégio elegeu Leão X, que o autor descreve como "um homem tão ávido por dinheiro, que leiloava chapéus cardinalícios". Cinco cardeais contrataram um cirurgião florentino para assassiná-lo pela introdução de veneno no ânus, ostensivamente para tratar das hemorróidas papais, mas a conspiração foi descoberta. Teriam cessado os assassinatos pontifícios com o advento dos tempos modernos? Comwell não responde à pergunta, mas, segundo o que ele descreve como "um livrinho infame intitulado Os Documentos do Vaticano", de um certo Nino Lo Bello, um assassinato dessa natureza havia ocorrido em 1939. No princípio de fevereiro daquele ano, Pio XI, de 82 anos, planejava um discurso especial contra o fascismo e o anti-semitismo e denunciaria a concordata firmada com Mussolini. II Duce tinha, pois, motivo forte para dar cabo do idoso papa. Conta-se que 24 horas antes de Pio ler o seu discurso para uma reunião especial de bispos, recebeu uma injeção de um Dr. Francesco Petacci. Além de suas funções médicas dentro do Vaticano, Petacci era o pai de Clara Petaccí, amante de Mussolini. Os defensores da teoria da conspiração acreditam que Petacci tenha injetado veneno no papa, pois ele morreu na manhã seguinte, antes de poder ler o seu discurso, cujo texto nunca foi encontrado". E agora surge o caso de Albino Luciani, eleito no dia 26 de agosto de 1978, no quarto escrutínio, numa das eleições mais rápidas da história do Vaticano, e morto no dia 28 de setembro do mesmo ano, um dos reinados mais curtos da história do papado. Mas não o mais curto de todos. Este triste privilégio coube a Urbano VII, que, em 1590, ocupou o trono de São Pedro durante 13 dias, morrendo de morte natural, assim como Celestino III, que, em 1045, foi papa por 22 dias e Marcelo II, que reinou 23 dias, em 1555. O único que teve morte violenta foi o já citado Dâmaso II, cujo papado, em 1048, durou 24 dias. No prefácio de Um Ladrão na Noite, John Cornwell escreve: "Esta é a história de uma investigação das circunstâncias da morte súbita do Papa João Paulo I(...) e as alegações de que teria sido assassinado por altos prelados da Igreja Católica Romana".O Vaticano esperava que o autor obtivesse provas conclusivas da falsidade dessas teorias. Cornwell se confessa um católico relapso. Passou sete anos estudando em seminários ingleses, mas deixou a Igreja em conseqüência de uma decisão consciente de rejeitar tanto a vocação como a fé em Deus. Não obstante, dedicou-se a um projeto de investigação de fenômenos "sobrenaturais", como a história de Padre Pio, o Estigmático; as mais recentes provas a respeito do Santo Sudário de Turím, e as aparições de Maria às crianças de Medjugorje, na Iugoslávia. Foram essas últimas que levaram o escritor a Roma, em outubro de 1987. e ali foi súbita e surpreendentemente estimulado pelo Vaticano a considerar um projeto inteiramente diferente: a verdadeira história da morte de João Paulo I. O primeiro encontro de Cornwell foi com o Arcebispo John Foley, presidente da Comissão de Comunicação Social, "um homem grande e calvo (...) o rosto inocente e redondo como uma bolacha". Depois de uma troca de amenidades, Foley surpreendeu o autor, dizendo: "Há quem diga que o Papa João Paulo 1 foi envenenado por um de nós, aqui, no Vaticano. Um de nós esta sendo apontado como ~ suspeito principal. E pena que alguém como você não escreve a verdade sobre o que realmente aconteceu (...) Estou certo de que seria mais interessante do que toda essa ficção sensacionalista.'Desnecessário dizer que john Cornwell aceitou a missão e acabou produzindo Um Ladrão na Noite, um trabalho minucioso e, supõe-se fiel a verdade, o que lhe falta em emoção e drama sobra lhe em precisão e inteireza. É, na verdade, mais um relatório do que uma obra de leitura e como relatório deve ser lido. Cabe, aqui, uma Biografia de Albino Lucíani. Nasceu em I7 de Outubro de 1912. Filho de um operário francamente socialista. Freqüentou o seminário locais e foi ordenado em 1935, sendo nomeado vigário - geral de Belluno, sua terra ttata!, Em 1948. Em 1958 foi designado bispo de Vittoria Vencto. A partir de 1969, quando já era Patriarca de Roma, passou a adotar um ponto vista mais de direita. Sua eleição como papa causou quase tanta estupefação com a sua morte 33 dias depois. Como podia o "candidato de Deus" escolhido com tal entusiasmo por cardeais orientados pelo "Espírito Santo" já estar morto?Como causa mortis, infarto do miocárdio. O papa que tinha 66 anos incompletos e goza de boa saúde. Não morrera dormindo, dizia o comunicado, mas sentado na cama lendo, com os ósculos sobre o nariz.
Na quinzena que se seguiu a morte do papa choveram declarações porta-vozes do Vaticano, de membros da papal, e de importantes testemunhas, oficiais ou não. Nessas declarações, Cornwell detectou dez contradições que persistem até hoje e que envolvem um grave desacordo a respeito dos seguintes pontos:
Quem encontrou o corpo?
onde o corpo foi encontrado?
A causa oficial da morte.
A estimativa da hora da morte.
A hora e a legalidade do embalsamamento.
O que o papa tinha nas mãos no momento da morte.
O verdadeiro estado de sua saúde nos meses anteriores à sua morte.
O paradeiro dos objetos pessoais do papa que estavam na alcova papal.
Se a Cúria havia ou não ordenado e realizado uma autópsia secreta.
10º Se os embalsamadores haviam ou não sido chamados antes de o corpo ser oficialmente encontrado.
Os boatos de que João Paulo I teria sido assassinado começaram a circular no dia mesmo de sua morte. Uma das primeiras suspeitas foi levantada por uma organização ligada ao ultratradicionalista Arcebispo Lefebvre: o papa fora assassinado por "liberais" da igreja católica, porque planejava abolir as modificações introduzidas pelo Concilio Vaticano. Algumas das discrepâncias acima citadas não haviam escapado à atenção do grupo. A Rádio Vaticano anunciou no dia 29 de setembro que ao morrer, o papa lia A Imitação de Cristo, popular obra de devoção dos católicos. Outras fontes disseram que se tratava de sermões e discursos ou, alternativamente de um discurso que iria proferir ante uma assembléia de jesuítas. A agência noticiosa italiana ANSA por sua vez, afirmou que o corpo não fora encontrado pelo secretário papal. Padre John Magee, mas por uma irmã. Vincenza, que trazia o desjejum do pontífice, e que seus restos mortais foram descobertos. não às 5h3Omin, mas às 4h3Omin. Que teria acontecido nessa hora crucial?   Mas o despacho mais estranho, também divulgado pela ANSA dizia que os embalsamadores, os irmãos Ernesto e Renato Signoracci, foram apanhados em suas casas por um carro do Vaticano às cinco horas da manhã e levados diretamente à morgue da pequena cidade-estado, onde começaram o seu trabalho. Em outras palavras, os irmãos haviam sido chamados antes da descoberta oficial do corpo. O Vaticano nunca se pronunciou a respeito. A teoria da conspiração dos tradicionalistas continuava a vir à tona, até atingir um bizarro auge em 1983, no livro de Jean-Jacques Thierry, A Verdadeira Morte de João Paulo I segundo o qual o secretário de Estado, Cardeal Jean Villot, teria colocado um sósia no lugar de Paulo VI e de ter planejado o assassinato de João Paulo 1, depois de o infeliz papa ter descoberto um ninho de maçons no Vaticano. No mesmo ano foi publicado Pontífice, de Max Morgan-Witts e Gordon Thomas, que também defendia a teoria do assassinato, sugerindo que se tratava de um boato circulado pela KGB para desacreditar o Vaticano. Também em 1983 surgiu um roman-à-clef, intitulado A Batina Vermelha, do francês Roger Peyrefitte, que combinava uma trama da KGB com uma conspiração da Máfia, os maçons e o Banco do Vaticano. Usando para os seus personagens pseudônimos mal disfarçados (o Arcebispo Paul Marcinkus, por exemplo, chama-se Larvenkus), Peyrefitte sugere uma reviravolta na motivação: o papa não era um reacionário morto por liberais. Ao contrário: era um reformador liberal decidido a acabar com a corrupção. O pano de fundo da intriga era baseado em fatos bem conhecidos. O Banco do Vaticano tinha de fato fortes elos com Roberto Calvi, o ambicioso presidente do Banco Ambrosiano de Milão. Calvi, por sua vez, estava ligado a Michele Sindona, um advogado e financista siciliano, que estivera preso nos Estados Unidos e na Itália por estelionato. Ambos eram amigos do presidente do Banco do Vaticano, o notório Arcebispo Paul Marcinkus, e estavam associados a Licio GeIli, um financista italiano que controlava a loja pseudomaçônica P-2.
No dia 17 de junho de 1982, após o colapso do Banco Ambrosiano, Calvi foi encontrado enforcado debaixo de uma ponte em Londres. Até hoje não se sabe se foi suicídio ou assassinato, e, em 1986, Sindona morria envenenado numa prisão italiana. Em fins de 1987, Gellífora extraditado da Suíça para Itália, onde era procurado pela Justiça.No romance de Peyrefitte, Marcinkus e Villot assassinam o papa com veneno injetado. Ao crime estão associados Calvi, Sindona e Gelli. O motivo imediato dos prelados era evitar a sua demissão. No caso de Marcinkus, sua exoneração teria posto a descoberto o envolvimento maior do Banco do Vaticano em extensas negociatas com a Máfia e os maçons. Em 1984, o assunto ressurgiu num livro de David Yallop, Em Nome de Deus, com a volta de todos os personagens centrais. Assim como os autores que o precederam, Yallop, na opinião de Cornwell, é forte em motivação e mistérios circunstanciais e fraco em provas conclusivas que ligassem os prelados ao assassinato. E os teóricos da conspiração, fictícios ou reais, o que poderiam atribuir a esses homens de Deus para trair a sua vocação e correr o risco da excomunhão e danação eterna, sem falar nos castigos no mundo dos vivos? Na verdade, o único com um passado não imaculado era Marcinkus, que, segundo revela Cornwell, esteve envolvido em escândalos financeiros já em 1972, quando foi investigado pelo FBI por envolvimento na falsificação de bônus no valor de um bilhão de dólares. Sua amizade com Síndona e Calvi era conhecida.Os quatros autores são unânimes em afirmar que o novo papa estava de olho nele e a ponto de expô-lo. As repercussões no mundo financeiro e as implicações para as finanças do Vaticano teriam sido incalculáveis. Até onde iria Marcinkus para evitar o desastre?  Foi enfrentando esse labirinto de contradições que John Cornwell iniciou a sua investigação. Avistou-se com Deus (no sentido figurado, é claro) e todo mundo. Entrevistou o próprio Marcinkus, que, entre outras coisas, afirmou jamais se ter envolvido nas finanças do Vaticano. Esteve com Don Diego Lorenzo, o secretário italiano do papa morto. Compareceu a uma missa rezada por João Paulo II e dele ouviu palavras de encorajamento: "Quero que você saiba que tem o meu apoio e a minha bênção neste seu trabalho." Em janeiro, Cornwell procurou David YalLlop. que entrevistara a irmã Vincenza e os irmãos Signoracci. A primeira havia morrido em junho de 1983 e os embalsamadores se mostraram tão confusos em seu depoimento a YaIlop, e mais tarde a Cornwell, que a hipótese de uma esclerose avançada não podia ser afastada. Antes de voltar a Roma, Cornwell se avistou com um cardiologista Americano que passava as férias em Londres.  O médico foi taxativo: "Os cadáveres não ficam sentados, sorridentes e lendo". De regresso ao Vaticano, o autor voltou a se encontrar com o Bispo John Magee, que lhe narrou um episódio ocorrido um dia antes da morte de João Paulo I. O papa acusou dores e mandou chamar a irmã Vincenza, recusando-se a ver um médico. Sentindo-se melhor, jantou bem, e Magee perguntou: "Santo Padre, já escolheu a pessoa que vai promover o retiro da próxima Quaresma?" Respondeu afirmativamente e acrescentou logo: "O tipo de retiro de que gostaria neste momento seria uma boa morte".A morte, segundo Magee era um dos assuntos constantes de suas conversas. Seu papado seria de curta duração e ele seria substituído "pelo estrangeiro". E citou uma prece: Senhor, concede-me a graça de aceitar a morte que me abaterá. No dia seguinte, Deus atendeu o pedido daquele homem modesto e bondoso, cujo mais constante pedido, formulado milhares de vezes durante o seu curto reinado, era: "Senhor, por favor, leva-me".A magnitude de sua missão o assustava. Num dos últimos parágrafos de Um Ladrão na Noite, John Cornwell diz, mas não assegura: "João Paulo, quase com certeza, morreu de embolia pulmonar, devido a uma condição de coagulabilidade anormal do sangue. Necessitava de descanso e medicação monitorada. Se estes tivessem sido receitados, ele quase sem dúvida teria sobrevivido. As advertências de uma doença mortal estavam claras, à vista de todos. Pouco ou nada foi feito para socorrê-lo ou salvá-lo." Como sempre, as doenças, vistas em retrospecto, são bem mais fáceis de diagnosticar e de curar. (Extraído da Revista "Manchete" ano de 1989, Número 1942, Ano 38, p.30-34; Pedimos desculpas caso haja alguma falha, pois esta matéria foi scaneada de uma revista muito velha.  O proprietário nos informou que a Revista Manchete queria pagar-lhe uma nota para que fosse recolhida do mercado. Se isso é verdade não podemos afirmar, mas a matéria é contundente).
 
SUCESSÃO APOSTÓLICA
Todos conhecem o vocábulo "Papa" e designam-no ao supremo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Este termo vem do grego e significa "Pai". Já em latim ele é formado pela junção da primeira sílaba das duas palavras latinas: "Pater Patrum", que quer dizer "Pai dos Pais". Mas o significado que os católicos mais gostam é: "Petri Apostoli Potestatem Accipiens", isto é, "aquele que recebe autoridade do apóstolo Pedro". Segundo a doutrina católica, o papa é o sucessor de São Pedro no governo da Igreja Universal e o Vigário de Cristo na terra. Tem autoridade sobre todos os fiéis e sobre toda a hierarquia eclesiástica. Além da autoridade espiritual exerce uma territorial (interrompida de 1870 a 1929), que, a partir de 1929, é limitada ao Estado da cidade do Vaticano. É infalível quando fala "ex-cathedra" em assuntos de fé e moral. Alguns títulos que o papa ostenta dão uma amostra deste desvario descomunal, são eles: Bispo de Roma, Primaz da Itália, Patriarca do Ocidente, Vigário de Jesus Cristo, Servo dos Servos de Deus, Sumo-Pontífice da Igreja Universal, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Arcebispo e Metropolita da Província Romana e Santo Padre. O papado teve durante a história de sua existência seus altos e baixos. Recentemente, o atual papa teve de pedir desculpas aos judeus pelo seu antecessor o papa Pio XII e se vê em palpos de aranha com a questão do celibato. Apesar de toda esta imponência de chefe de Estado, líder espiritual da maior parcela de cristãos do mundo (1 bilhão) e administrador de um império financeiro que a cada ano acumula bilhões de dólares; algumas perguntas entretanto precisam ser feitas, tais como: existem provas bíblicas e históricas que indiquem ser o papa o sucessor do apóstolo Pedro? E Pedro, foi o primeiro papa e gozou de supremacia sobre os demais apóstolos? Teria Pedro fundado a igreja de Roma e tornado ela a sede de seu trono episcopal? O escopo de nossa matéria é apresentar respostas adequadas a perguntas cruciais como estas, haja vista, a internet estar cheia de sites de cunho apologético católico com o fito de refutar as verdades claras das escrituras sagradas apresentadas pelos evangélicos.  "TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM MEAM !"  Esta perícope de Mateus 16:18 é tão especial para a cúria romana, que mandaram grava-la em enormes letras douradas na cúpula da Basílica de São Pedro em Roma. Destarte ela é a fonte primacial de toda a dogmática católica. O "Tu es Petrus", carrega atrás de si um séqüito de outras heresias erigidas em cima dos sofismas, dos textos deslocados de seus respectivos contextos, interpretados de modo arbitrário pelos teólogos e doutores papistas. É ele o genitor da infalibilidade papal, do poder temporal, e das demais aberrações teológicas, ilogismos e invencionices dessa igreja. Portanto, desmontar à luz da Bíblia todo este disparate teológico é desmoralizar a base em que se firma a eclesiologia do catolicismo.A tese católica se firma em três questionáveis pressupostos principais a saber:
1. A primeira é a que diz que Cristo edificou a Igreja sobre Pedro, numa interpretação toda tendenciosa e arbitrária de Mateus 16:18,19.
2. A segunda é a que afirma que Pedro fundou e dirigiu a Igreja de Roma sendo martirizado também lá.
3. A terceira se firma na suposta sucessão apostólica numa cadeia ininterrupta até nossos dias; de Pedro à Karol Wojtyla (João Paulo II ).
 

EM QUE PEDRA A IGREJA ESTÁ EDIFICADA?

O site católico http://www.lepanto.org.br/ApIgreja.html#Fund da "Frente Universitária Lepanto" é um site antiprotestante, e na página sobre a Igreja Católica, interpretando Mat. 16:18, traz a seguinte declaração: "Esse ponto é muito importante, pois a interpretação truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria dizer: "Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim." Ora, é uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para "Kephas", deixando claro quem seria a "pedra" visível de Sua Igreja." Essa bombástica assertiva nada mais é do que o ecoar das conjeturas conciliares pontificais. A princípio pode até impressionar, mas carece totalmente de fundamentos. Se não, vejamos: Jesus ao proferir a frase "E eu te digo que tu és Pedro,(Petrus) e sobre esta pedra(Petra) edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus." estava afirmando que realmente era ele a "PEDRA" a qual seria edificada sua igreja. Para isto temos razões à saciedade:
1. Jesus ao se referir a Pedro usa o termo grego "Petros" que significa um "seixo", "pedregulho", mas ao se referir à edificação da Igreja diz ser edificada não sobre o "Petros" (Pedro), mas sobre a "Petra", um rochedo inabalável. Ora, Jesus fez nítida diferença semasiológica entre "Petra" e "Petros": um é substantivo feminino singular e está na terceira pessoa; o outro masculino plural e se encontra na segunda pessoa. Demais disso, nunca o termo "Petra" é usado na Bíblia em relação a homem algum, mas somente em relação a Deus. Outrossim, tal verso nem de longe insinua alguma coisa sobre Roma, sucessão apostólica e congênere. Os católicos conseguem ver o que não existe no texto!
2. A frase "Tu és o Cristo filho do Deus vivo" é a chave para entendermos toda a problemática. Jesus perguntou a "TODOS", e não somente a Pedro, Quem Ele era. A ele foi revelado confessar que Cristo era o Messias, o Filho de Deus, daí a frase: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...", ou seja, sobre a confissão de que Ele era o Filho de Deus. A bem da verdade, a Igreja nunca poderia estar solidamente edificada sobre homem algum pois Pedro apesar de ter sido um grande apóstolo, foi no entanto, falível e passível de erro como demonstra de maneira sobeja o contexto imediato (Mat16: 23) e os demais escritos neotestamentario.
3. O significado de "Petros" e "Petra" está de perfeito acordo com o contexto doutrinário e teológico do N.T. Sendo "Petros" um fragmento tirado da grande rocha, há de se ver uma conotação com todos os cristãos como petros, e isto é descrito pelo próprio Pedro: "vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual..." I Pedro 2:5 (ênfase acrescentada). Por sua vez todas elas estão edificadas sobre a grande Petra que é Jesus Efésios 2.20. Agora compare estes dois versos: "E quem cair sobre ESTA PEDRA será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó..." "E eu te digo que tu és Pedro, e sobre ESTA PEDRA edificarei a minha Igreja..." (ênfase acrescentada). Indubitavelmente, na primeira e na segunda sentença Jesus é a pedra. Desde a época do salmista (Sl. 118:22), passando pelo profeta Isaias, a palavra profética já anunciava o Messias, como a PEDRA DE ESQUINA (Is. 28:16). Jesus afirmou ser ele mesmo essa Pedra, Mateus 21:42,44. Outrossim, é bom rememorar que na narrativa de Marcos a frase de Cristo: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja", é omitida (Mc 8.27-30). Isto não é de pouca relevância, pois Marcos por muito tempo foi companheiro de Pedro (I Pe 5.13) e segundo Eusébio, foi deste que Marcos coletou suas informações para redigir seu evangelho. Pedro em nenhum momento disse de si mesmo como a rocha ou pedra da igreja, se não, Marcos teria confirmado de modo enfático. Se porventura o dogma da superioridade de Pedro é verdadeiro e de tamanha importância, como a Igreja Católica ensina, não parece praticamente inconcebível que os registros de Marcos e de Lucas se silenciem a respeito?
4. Kephas significa pedra ou Pedro? João nos dá a resposta: "E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)." João 1:42. Veja que Cefas ou Kephas, significa Pedro e não pedra! Para fazer jus à coerência e a lógica, Jesus deveria ter dito mais ou menos assim: "Tu és Kephas e sobre esta kephas edificarei..." ou "Tu és Pedro e sobre este Pedro edificarei..." se não houvesse nenhuma diferença.
5. Teria Jesus mudado o nome de Simão Barjonas para Pedro ou apenas acrescentado? Ora, quando se muda um nome faz-se necessariamente uma substituição. O nome anterior não é mais mencionado como no caso de Abrão para Abraão. Já no caso de Pedro apenas foi acrescentado como bem atesta Lucas "agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro" Atos 10:5,18,32 - 11:13 (ênfase acrescentada). Veja que é um nome acrescentado e não mudado como querem os teólogos do Vaticano. Veja ainda que ele continuou sendo chamado de Simão (Atos 15:19) ou Simão Pedro (João 21:2,3,7) algo que no mínimo seria estranho se o antigo nome tivesse sido trocado. Querer ver nisto uma ligação da suposta supremacia petrina com relação ao papado é ir longe demais!
6. Alardeia os católicos em ver na simbologia das chaves (v.19) uma supremacia jurisdicional sobre toda a cristandade. Conquanto sabemos ser a chave outorgada realmente a Pedro para "abrir" e "fechar", no entanto cabe salientar que foram as chaves do Reino do Céu e não da Igreja que foram dadas...e Reino do Céu não é a Igreja! O uso dessas chaves estavam antes nas mãos dos fariseus (cf. Lucas 11:52). Essas chaves representam a propagação do evangelho de arrependimento de pecados, pelo qual todos os cristãos, e não Pedro apenas, podem abrir as portas dos céus para os pecadores que desejam ser salvos. Tanto é, que em Mateus 18:18 Jesus a confia aos demais apóstolos; Pedro portanto foi o primeiro a usa-la em Pentecostes, onde quase três mil almas foram salvas, depois a usou para pregar ao primeiro gentio Cornélio. É esta a chave que abre a porta, e não é prerrogativa exclusiva do hierarca católico. Ninguém tem poder de monopoliza-la como querem os Católicos Romanos. Certo site Ortodoxo comentando sobre o assunto em lide, disse com muita propriedade: "Para a Igreja una e indivisa a interpretação desta passagem do Evangelho é toda outra. Como disse Orígenes (fonte comum da Tradição patrística da exêgese), Jesus responde com estas palavras à confissão de Pedro: este torna-se a pedra sobre a qual será fundada a Igreja porque exprimiu a Fé verdadeira na divindade de Cristo. E Orígenes comenta: "Se nós dissermos também: 'Tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo', então tornamo-nos também Pedro (...) porque quem quer que seja que se una a Cristo torna-se pedra. Cristo daria as chaves do Reino apenas a Pedro, enquanto as outras pessoas abençoadas não as poderiam receber?". Pedro é, então, o primeiro "crente" e se os outros o quiserem seguir podem "imitar" Pedro e receber também as mesmas chaves. Jesus, com as Suas palavras relatadas no Evangelho, sublinha o sentido da Fé como fundamento da Igreja, mais do que funda a Igreja sobre Pedro, como a Igreja Romana pretende.Tudo se resume, portanto, em saber se a Fé depende de Pedro, ou se Pedro depende da Fé... Por isso mesmo, Cipriano de Cartago pôde afirmar que a Sé de Pedro pertence ao Bispo de cada Igreja Local, enquanto Gregório de Nissa escrevia que Jesus "deu aos Bispos, através de Pedro, as chaves das honras do Céu".A sucessão de Pedro existe onde a Fé justa (ortodoxa) é preservada e não pode, então, ser localizada geograficamente, nem monopolizada por uma só Igreja nem por um só indivíduo. Levando a teoria da primazia de Roma às últimas conseqüências, seríamos obrigados a concluir que somente Roma possui essa Fé de Pedro - e, nesse caso, teríamos o fim da Igreja una, santa, católica e apostólica que proclamamos no Credo: atributos dados por Deus a todas as comunidades sacramentais centradas sobre a Eucaristia." E mais "Afirma, depois, a Igreja de Roma que é ela a Igreja fundada por Pedro e que essa fundação apostólica especial lhe dá direito a um lugar soberano sobre todo o universo. Ora a verdade é que, para além do fato de não sabermos realmente se Pedro foi o fundador dessa Igreja Local e o seu primeiro Papa (aliás, terão os Apóstolos sido Bispos de qualquer Igreja Local...?), temos conhecimento que outras cidades ou outras localidades mais pequenas podiam, igualmente, atribuir a si mesmas essa distinção, por terem sido fundadas por Pedro, Paulo, João, André ou outros Apóstolos.Assim, o Cânone do 6º Concílio de Nicéia reconhece um prestígio excepcional às Igrejas de Alexandria, Antioquia e Roma, não pelo fato de terem sido fundadas por Apóstolos, mas porque eram na altura as cidades mais importantes do Império Romano e, sendo assim, deram origem a importantes Igrejas Locais..."
 
ONDE A PRIMAZIA DE PEDRO?
A dialética vaticana ávida por achar um nepotismo em Pedro em detrimento aos demais apóstolos, esquiva-se em seus sofismas teológicos. Procuram a qualquer preço encontrar nas sagradas escrituras um elo de ligação entre a "protagonização" de Pedro e a alegada supremacia do papa. Os argumentos apresentados são quase sempre furtados de seus contextos a fim de fortalecer essa cadeia de quimeras teológicas. Para justificar tal devaneio, saem pela tangente arrazoando que:
a) A Pedro foi conferida com exclusividade a chave dos céus (Mat. 16:19).
b) A Pedro foi dado por duas vezes, cuidar com exclusividade do rebanho de Cristo (Lc. 22:31,32 - Jo 21:15,17).
c) Pedro foi o primeiro a pregar um sermão em Pentecostes. (At. 2:14)
d) Pedro foi o primeiro a evangelizar um gentio. (At. 10:25)
e) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo. (At. 4:8)
f) No catálogo dos apóstolos (Mt 10:2-4; Mc 3:16-19; Lc 6:13-16; At 1:13), o nome de Pedro sempre é colocado em primeiro lugar.
g) Escolhe Matias para suceder Judas. (At. 1:15)
A pessoa que analisar o assunto pelas lentes papistas, tende a ficar impressionada com a avalanche de textos que colocam Pedro no topo da lista de exclusividades. A primeira vista, a abundância de primeiro, primeiro, primeiro tende a sustentar essa corrente. Entrementes, vamos expurgar do engodo romanista tais textos e veremos que não são tão pujantes quanto parecem.
a) A questão correspondente já está respondida de maneira sobeja neste opúsculo.
b) Os católicos frisam nestes textos a palavra "confirmar e apascentar" e vêem neles uma suposta primazia jurisdicional petrina. A falácia deste argumento está em não mostrar que o apóstolo Paulo também "confirmava" as igrejas (cf. At. 14:22 - 15:32,41). Quanto ao "apascentar", esta também não era uma exclusividade de Pedro pois todos os bispos consoante At. 20:28 deveriam ter esta incumbência. Para sermos coerentes deveríamos dar este "status" de primazia aos demais, pois não só apascentavam como confirmavam as igrejas.
c) Ora, Pedro ao pregar em pentecostes estava apenas fazendo uso das chaves para abrir a porta da salvação. Demais disso, alguém tinha de tomar a palavra e coube a Pedro o mais velho e intrépido. Mas... ao terminar a mensagem, ninguém o teve por especial, mas dirigiram-se a todos (At. 2:37) com a expressão: "Que faremos varões IRMÃOS?" (ênfase acrescentada). Dirigiram-se a toda a igreja e não apenas a Pedro.
d) Ao contrário do que pensam os católicos, o caso de Cornélio é um contragolpe no argumento romanista pois Pedro teve de dar explicações perante a Igreja por ter se misturado e comido com um gentio. Raciocinemos, onde a primazia de Pedro neste episódio? Se a tivesse, porventura daria explicações perante seus supostos comandados? Certamente que não! Mas Pedro teve de se explicar, por que não possuía nenhum governo sobre os demais.
e) A refutação segue o mesmo parâmetro da anterior.
f) É bom frisarmos que este primeiro lugar na lista de nomes é apenas de caráter cronológico e não funcional. Percebe-se que os quatro primeiros nomes da lista dos sinópticos são: Simão, André, João e Tiago são os primeiros a serem chamados para seguir o mestre e dentre eles coube a Pedro ter uma prioridade cronológica. Não obstante em outros lugares como em Gálatas 2:9 seu nome não aparece nesta posição.
g) A miopia exegética é um mal constante na cúpula romana e leva-a a ver o que não está no texto! Lendo cuidadosamente At. 1:15-26 vemos que Pedro apenas expôs o problema, qual seja, a falta de um sucessor para o cargo de Judas, no entanto Matias foi eleito pela igreja por voto comum, e não por decisão de Pedro. Os sofismas destes textos são flagrantes, contudo, a derrocada teológica peremptória destes argumentos, está nas atitudes de Cristo - o ÚNICO Sumo Pastor, Chefe Supremo, Cabeça e Fundamento da Igreja - em não titubear e corrigir algumas precoces ambições de supremacia entre eles. Certa feita tal idéia foi sugerida ao mestre (Mateus 20:18-27) que no mesmo instante a rechaçou dizendo: "...Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles.Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;..." (ênfase acrescentada). Noutra feita essa questão foi novamente levantada. (cf. Lucas 22:24) Veja que se os apóstolos tivessem cientes desta utópica promessa, de maneira alguma teriam levantado esta questão e o próprio pescador Galileu, ou mesmo Jesus, haveriam de esclarecer-lhes o primado de Simão Pedro sobre eles, a recordar a alegada promessa em Mateus 16:18. Mas não o fez, simplesmente por não existir.O próprio Pedro desfaz essa lenda ao dizer que: "ninguém tenha DOMÍNIO sobre o rebanho..." (cf. I Pd. 5:1-3) Não se pode ver aí nenhum vestígio de superioridade, supremacia ou destaque sobre os demais, pois ele mesmo se igualava aos outros dizendo: "...que sou também presbítero com eles..." Pedro jamais mandou! Pelo contrário, foi mandado...e obedeceu (Atos 8:14) fazendo jus às palavras de Jesus "Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou." (Jo. 13:16).

PEDRO ESTEVE EM ROMA?
Não obstante a Bíblia trazer um silêncio sepulcral sobre o assunto, os católicos afirmam ser fato incontestável ter sido o apóstolo Pedro o fundador da igreja em Roma. Atribuem-lhe ainda um pontificado de 25 anos na capital do império e conseqüente morte neste lugar. É claro que estas ligações são a-priori de valor inestimável, pois entrelaçadas vão robustecer a tese vaticana da primazia do papado. Contudo, não deixam de ser argumentos gratuitos! Há de se frisar que somente a chamada "(con) tradição", vem em socorro da causa romanistas nestas horas e mesmo assim de maneira dúbia. Vejamos:Pedro não pode ter sido papa durante 25 anos, pois foi martirizado no reinado do Imperador Nero, por volta de 67/68. Subtraindo vinte cinco anos, retrocederemos ao ano de 42 ou 43. Nessa época não havia se realizado o Concílio de Jerusalém (Atos 15), que se deu por volta de 48-49, Pedro participou (mas não deveria pois segundo a tradição, nesta época, ele estava em Roma), no entanto, foi Tiago quem o presidiu (Atos 15;13,19). Em 58, Paulo escreveu a epístola aos Romanos. E no capítulo 16 mandou uma saudação para muitos irmãos, mas Pedro sequer é mencionado. Paulo chegou a Roma no ano 62 e foi visitado por muitos irmãos (Atos 28;30 e 31). Todavia, nesse período, não há nenhuma menção de Pedro. O Apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossensses, Filemon(62) e Filipenses(entre 67 e 68) mas Pedro não é mencionado em nenhuma delas. Se Pedro estava em Roma no ano 60, como se deve entender a revelação referida nos Atos dos Apóstolos 23:11, em que Jesus disse a Paulo: "Importa que dês testemunho de mim também em Roma?" Cadê o papa de Roma na ocasião?É por estas e outras que não acreditamos que Pedro tenha fundado ou presidido a Igreja de Roma como afirmam os católicos!
 
O INSUSTENTÁVEL SUPORTE DA TRADIÇÃO
A tradição é um dos pilares nos quais se assenta a teologia romanista. O principal órgão desta tradição é a chamada "Patrística" que são os escritos dos primitivos cristãos. Essa tradição é de relevante valor à causa católica, pois dela advem toda a sofismática da tal "Sucessão Apostólica". É dela que é extraída a má interpretação de Mateus 16:18, da primazia de Roma, da corrente sucessória de S. Pedro etc. Na verdade as coisas são bem diferentes quando analisadas de maneira honesta. Dos inúmeros "pais da Igreja", somente 77 opinaram a respeito do assunto de Mateus 16:18, sendo que 44 reconheceram ser a fé de Pedro a rocha. 16 deles julgaram ser o próprio Cristo e somente 17 concordaram com a tese vaticana. Nenhum deles afirmavam a infalibilidade de Pedro e tão pouco o tinham como papa. Exemplo disso é S. Agostinho que em seu Livro I, Capítulo 21 das Retratações (Livro escrito no fim da sua vida, para retratar-se de seus escritos anteriores) expressamente afirma que sempre, salvo uma vez, ele havia explicado as palavras Sobre esta pedra - não como se referissem à pessoa de Pedro, mas sim a Cristo, cuja Divindade Pedro havia reconhecido e proclamado.Diz certa fonte católica que: "Se a corrente da sucessão apostólica por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios, realizados por pessoas ilegalmente ordenadas - desprovidos da graça divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o bensino dogmático presente nela não esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início." Pois bem, procurarei não ser prolixo ao historiar sobre essa questão. Todos sabem que o trono dos papas teve seus momentos de vacância, muitos papas conquistaram este título por dinheiro, alguns papas considerados legítimos foram condenados como hereges, outros pela ganância do cargo foram envenenados por seus rivais, ainda outros foram nomeados por imperadores; quando não, havia três ou mais papas se excomungando mutuamente pela disputa da cadeira de São Pedro. Sem falar é claro, da época negra da pornocracia. Não é debalde que na "Divina Comédia", Dante Alighieri, coloca vários papas no inferno! Há ainda uma tremenda contradição nas muitas listas dos pontífices romanos expostas por historiadores católicos, nas quais os nomes de tais sucessores aparecem trocados ou faltando. Não creio que estes homens sejam os verdadeiros sucessores da cátedra de Pedro! A bem da verdade, essa tal sucessão ininterrupta e contínua dos papas é totalmente arrebentada e falsa. É por demais ultrajante mesmo para uma mente mediana suportar tamanha incongruência!Pelo que foi resumidamente exposto acima, podemos concluir serenamente que: PEDRO NUNCA FOI PAPA E NEM O PAPA É O VIGÁRIO DE CRISTO.
 
A IMPORTÂNCIA DA TRADIÇÃO NO CATOLICISMO

O Concilio de Trento define a tradição como o "conjunto de doutrinas reveladas referentes à fé e a moral, não consignadas nas Escrituras Sagradas, mas oralmente transmitidas por Deus à Igreja" (Sessão IV, de 8 de Abril de 1546)"A Sagrada Tradição", afirma O Concílio Ecumênico Vaticano II através de sua Constituição Dogmática Dei Verbum "a Sagrada Tradição...transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos apóstolos..." A teologia da idade Média escampada pelos Concílios Ecumênicos de Trento, do Vaticano I e do Vaticano II, impingiu a tese de que o consenso unânime dos pais da Igreja se constitui em legitima revelação. Ele é imprescindível e fundamental na Tradição.A tradição é a fonte primordial de todas as doutrinas extrabíblica encontrada no bojo dogmático do catolicismo e o papado é uma delas. Por isso que somente após o concílio tridentino da contra-reforma, foi que apareceram as primeiras coleções de obras patrísticas - o primeiro órgão da Tradição - fazendo frente à reforma protestante levada a cabo por Martinho Lutero. Era necessário dar um status de autoridade à tradição a fim de dar suporte às heresias papais. O teólogo católico Van Iersel, em seu artigo: "O uso da Bíblia na Igreja Católica", inserido no vol. V, de Temas Conciliares na página 17, confessa: "...em oposição à reforma deu-se um lugar à Tradição ao lado da Escritura, o que tornava muito relativo o valor da Bíblia".(ênfase acrescentada)Foi assim que a tradição ganhou força junto às Escrituras, sendo até mesmo superior a esta pois, "Pela mesma Tradição...as próprias escrituras são nela cada vez melhor compreendidas..." sublinha o Concílio Vaticano II.
 
MALOGRO ROMANISTA
A assertiva da cúria papal de que havia unanimidade e consenso de opinião entre os pais da igreja, tornou-se um tanto utópica, quando se constatou que só numa coisa êles concordavam: - é que discordavam em quase tudo.Forjar a necessária concordância unânime era preciso!Com esse propósito, o papa Leão X, em 28 de Abril de 1515, como produto da 10ª Sessão do 5º Concílio de Latrão, emitiu a Bula "Inter Multiplices", estabelecendo os Índices Expurgatórios, cujo objetivo consistia em examinar as obras patrísticas existentes. Muitas obras dos seis primeiros séculos dos pais da igreja foram repudiadas.Em 8 de Abril de 1546, na 4ª Sessão do Concílio de Trento, foi levado a cabo o trabalho de "expurgo", anteriormente estabelecido pelo papa Leão X no Concilio de Latrão. Trechos inteiros contra as pretensões (doutrinárias) romanistas refutadas pelos reformadores, foram extraídos e houve muito enxerto...muitas frases e palavras foram interpoladas no intuito de se transformar o significado dos textos ao sabor das interpretações desejadas. Como disse certo professor de seminário (católico) a um de nossos apologistas: "a interpretação dessas obras depende muito de quem as traduzem!". Todavia é importante salientar que nem mesmo as passagens que são amiúde invocadas pelos apologistas católicos com o fito de angariar apoio ás pretensões da origem e desenvolvimento do papado, não são tão relevantes assim, e muitas são até mesmo distorcidas e deslocadas do seu contexto. Muita dessa tradição entra em contradição não só com a Bíblia mas mesmo entre si como veremos.
 
A IGREJA PRIMITIVA
Ao contrário do que afirma a Igreja Católica, o cristianismo primitivo não estava dividido hierarquicamente. Ademais, é um fato incontestável que não houve episcopado monárquico no primeiro século. As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros que eram termos usados de modo intercambiável (ver Atos 20.17 e 28; Tito 1.5 e 7). O teólogo católico José Comblin, em seu livrete intitulado "Hierarquia", na página 18 é concorde em dizer que: "No meio deles, Pedro tem um papel de porta-voz.", entretanto, alerta: "Mas ele não é como o superior. São todos iguais.(ênfase acrescentada).Afirma ainda que nas primeiras comunidades cristãs não havia hierarquia, pois todos estavam unidos no colegiado apostólico e "cada igreja agia de modo independente" (pág. 19). Portanto, a tal supremacia de Pedro sobre os demais são argumentos inconsistentes, pueris que veio à tona apenas 200 anos depois da morte de Cristo, e que posteriormente foi usado para promover a doutrina do papado.Há de se ressaltar que em meados do século II, borbulhavam, muitas obras apócrifas contendo histórias sobre este apóstolo, tais como: Os Atos de Pedro, Evangelho de Pedro, Apocalipse de Pedro e outras. Isto posto, declaramos que não há indício algum de que Cristo tenha feito de Pedro o chefe, ou como costuma dizer o hierarca romano: o príncipe dos apóstolos. Tudo isto é argumento gratuito.
 
ENTÃO COMO SE DEU A ORIGEM DO PAPADO ?
Seja como for, uma coisa é certa: ela não se deu da noite para o dia. O desenvolvimento da sé romana e a supremacia de seu líder se deram paulatinamente. A primeira menção desta igreja aparece na epístola do apóstolo Paulo dirigida aos cristãos ali congregados. Algo que merece nossa atenção é que nesta epístola, Paulo manda saudações a diversos irmãos, mas em nenhum momento menciona o suposto papa "São Pedro" ou sua primazia. Contudo, muitos fatores contribuíram para dar vida ao papado no cenário mundial; eis alguns deles:
AS TRADIÇÕES: No segundo século surgiu uma tradição propalada por Irineu de que tanto Paulo como Pedro, haviam fundado e dirigido àquela igreja, posteriormente diz outra "tradição" levada a cabo por Orígenes de que os dois haviam sido martirizados naquela cidade. Jerônimo chega a dizer que Pedro governou esta igreja durante 25 anos. Assim, mais e mais foi se solidificando a lenda de que Pedro havia fundado a igreja em Roma e transferido para lá o seu pontificado, sem ter contudo apoio bíblico. Este foi apenas o embrião da supremacia da igreja de Roma. Outrossim, visto à grosso modo, muitos pais da igreja como Cipriano e Irineu deram a entender que a sé romana tinha algum tipo de supremacia sobre as demais, ainda que limitada.
AUMENTO DO PODER: Além disso, já numa época remota, a igreja de Roma tornou-se a maior, a mais rica e a mais respeitada de toda a cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a ascendência da igreja romana e do seu líder foi a própria centralidade e importância da capital do Império Romano. Logo apareceram cinco cidades que se destacaram como metrópoles: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, os bispos destas regiões receberam o título de "Patriarcas". Apesar dos bispos das igrejas serem iguais uns aos outros na administração dos ritos litúrgicos e na doutrina, eles começaram a distinguir-se em dignidade de acordo com a importância dos lugares onde estavam localizadas suas dioceses. Ao Bispo de Roma foi concedida a precedência honorária simplesmente porque Roma era então a capital política do mundo, ele foi considerado "o primeiro entre os iguais".
PREDOMINÂNCIA DO BISPO ROMANO (I) : Outro elemento importante é que desde cedo a igreja romana e os seus líderes reivindicaram direta ou indiretamente, certas prerrogativas especiais.. No fim do segundo século, o bispo Vítor (189-198) exerceu considerável influência na fixação de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante face à centralidade da liturgia na vida da igreja. Relevante também foi o alvitre de S. Irineu (202) o qual, como ele mesmo confessa, procurou conscienciosamente um bispo que pudesse ser aceito pela maioria do episcopado, para desempenhar a missão de árbitro nas questões disciplinares e nas dúvidas e controvérsias doutrinárias, que surgiam freqüentemente entre os bispos das várias igrejas. Esta proposta foi aceita quase imediatamente pela quase totalidade das igrejas, e fez que o Bispo de Roma começasse a ser consultado com freqüência, o que muito contribuiu para aumentar a sua autoridade, embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo de Roma em resposta formal à consulta de outro bispo) só tenha surgido em 385, com Sirício. Por volta de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de Mateus 16.18 para defender as suas idéias numa disputa com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-84) tentou oferecer uma definição formal da superioridade do bispo romano sobre todos os demais.Essas raízes da supremacia eclesiástica romana foram alimentadas pelas atividades capazes de muitos papas. No quinto século destaca-se sobremaneira a figura de Leão I (440-61), considerado por muitos na verdade"o primeiro papa". Leão exerceu um papel estratégico na defesa de Roma contra as invasões bárbaras e escreveu um importante documento teológico sobre a pessoa de Cristo (o Tomo) que exerceu influência decisiva nas resoluções do Concílio de Calcedônia (451). Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade papal e usou muito o titulo "papa" (mais tarde Gregório VII, reivindicou para a sé romana este título com exclusividade) articulando mais plenamente o texto de Mateus 16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I (492-96) expôs a teoria das duas espadas: dos dois poderes legítimos que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual - representado pelo papa - tinha supremacia sobre o poder secular sempre que os dois entravam em conflito.O Sínodo de Sárdica declarava que se um bispo fosse deposto pelo sínodo de sua província, este poderia apelar para o bispo de Roma. Já o Sínodo de Palma declarava que o bispo de Roma não estava submisso a nenhum tribunal humano. O máximo de pretensão papal de supremacia se encontra no artigo 22 do Dictatus do papa Gregório VII em que se afirma que jamais houve erro na Igreja Romana. Já Inocêncio III cria ser o papa, o verdadeiro "Vigário de Cristo" na terra. O imperador Valentiniano III num edito de 445, reconhece a supremacia do bispo de Roma: "Para que uma tola perturbação não venha a atingir as igrejas ou ameace a paz religiosa, decretamos - de forma permanente - que não apenas os bispos da Gália mas também os das outras províncias, não venham a atentar contra o antigo costume [de submeter-se à] autoridade do venerável padre (papa) da Cidade Eterna. Assim, tudo o que for sancionado pela autoridade da Sé Apostólica será considerado lei por todos, sem exceção. Logo, se qualquer um dos bispos for intimado a comparecer perante o bispo romano, para julgamento, e, por negligência, não comparecer, o moderador da sua província deverá obrigá-lo a se apresentar."
PREDOMINANCIA DO BISPO ROMANO (2) : Comitantemente às reivindicações eclesiásticas cresceu também o poder temporal dos papas devido ao declínio dos principais rivais de Roma. O bispo de Jerusalém perdeu o poder após a destruição pelos romanos. O bispo de Éfeso perdeu o poder quando foi sacudida pelo cisma montanista. Alexandria e Antioquia declinaram logo também, deixando Roma e Constantinopla como as maiores sedes do cristianismo primitivo. Todavia as guerras teológicas e os inúmeros cismas juntamente com as invasões dos mulçumanos, aos poucos foram minando a unidade dos orientais, deixando isolado o bispo de Roma. Este foi se solidificando cada vez mais no Ocidente como o "pai" dos cristãos. Coube a ele defender Roma dos ataques bárbaros. Muito ajudou, a conversão destes povos para o cristianismo romano; no que mais tarde iria desembocar no famigerado poder temporal.
FALSOS DOCUMENTOS : Essas teorias fictícias, que foram destinadas a ser reconhecidas como verdadeiras por alguns séculos - entretanto mais tarde identificadas claramente como as fraudes mais habilmente forjadas - são duas: as Pseudo-Clementinas e os Decretos do Pseudo-Isidoro. Os Escritos Pseudo-Clementinos - A Tentativa de Promover Pedro e a Sé de Roma ao Poder Supremo. Os escritos Pseudo-Clementinos eram "Homílias" (discursos) espúrios erroneamente atribuídos ao Bispo Clemente de Roma (93-101), que tentavam relatar a vida do Apóstolo Pedro. O objetivo era um só: a elevação de Pedro acima dos outros Apóstolos, particularmente o Apóstolo Paulo, e a elevação da Sé de Roma diante de qualquer outra Sé episcopal. "Pedro", era alegado, "que foi o mais hábil de todos (os outros), foi escolhido para iluminar o Ocidente, o lugar mais escuro do Universo". As "Homilias" foram escritas para amoldar a interpretação equivocada de Mateus 16:18-19, que "tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei minha igreja . . . e dar-te-ei as chaves do reino do céu". É equivocada porque a palavra "rocha" não se refere a Pedro, mas à fé em que "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo" (v. 16). Não há mencionado na Bíblia um só sinal da primazia de Pedro sobre os outros Apóstolos e, se uma primazia era pretendida, uma decisão de tal importância e magnitude certamente teria sido mencionada na Bíblia em linguagem inequívoca. Em muitos casos o contrário é verdadeiro; Paulo escreveu aos Gálatas, "eu me opus a ele (Pedro) em rosto, porque ele estava sendo censurável" (2,11); além disso, é bem sabido que Pedro negou Cristo por três vezes. Pedro não fundou a Igreja de Roma; ele efetivamente permaneceu em Antioquia por vários anos antes de chegar a Roma. Dizer que, assim como Cristo reina no Céu, Pedro e seus sucessores os papas governam a Terra, é uma afirmação contrária ao espírito do Evangelho e ao entendimento da Igreja antiga. Cristo era e é a pedra angular e a Cabeça da Igreja, que consiste de todos os membros de Seu Corpo (cf. Col.1:24).As Pseudo-decretais ou decretais pseudo-isidorianas (754 - 852). Eram falsificações entre as quais se encontrava a tal "doação de Constantino". Neste documento constava uma suposta dádiva que o imperador fizera ao bispo de Roma, doando-lhe todas as terras do império em recompensa de uma cura recebida. Colocava o bispo de Roma como"caput totius orbis" (cabeça de toda a terra), tanto sobre a igreja (poder espiritual) como sobre os territórios (poder temporal). Esta falsificação foi considerada autentica até o século XV, e ajudou muito o bispo romano reforçar o primado papal, dando um aparente fundamento jurídico às pretensões dos papas. Os papas usaram e abusaram destes falsos documentos!
 
ELEVAÇÃO DO BISPO
Se existe algo que a história da Igreja ensina, este algo é que às vezes um forte zelo pela doutrina ou ênfase demasiada em certos aspectos da vida desta que fora esquecido e tornou a ser resgatado, pode levar uma pessoa ou igreja voluntariamente ao erro. Um exemplo registrado nos anais da história é de Sabélio, que chegou a negar a Trindade ao tentar salvaguardar a unidade de Deus, Ário descambou para uma interpretação anti-biblica do relacionamento de Cristo com o Pai em sua tentativa de evitar aquilo que ele considerava ser o perigo do politeísmo. A doutrina romana da "Sucessão Apostólica" e da elevação do poder do bispo sai igualmente deste molde. Tentando defender a fé ortodoxa das heresias vigentes da época, alguns pais da igreja criaram um mecanismo de defesa contra os hereges (gnósticos) centralizado no poder dos bispos e a elevação deste sobre os presbíteros. Isto mais tarde foi deturpado e alargado pelo bispo de Roma. Por volta do ano 110, Inácio bispo de Antioquia na Síria escreve sobre a importância do bispo na igreja, diz ele: " Cuidado para que todos obedeçam ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai, e o presbiterato como aos apóstolos, e prestem reverência aos diáconos como sendo instituição de Deus. Que os homens não façam nada relacionado à Igreja sem o bispo. Que seja considerada uma apropriada Eucaristia àquela que é (celebrada) seja pelo bispo, seja por alguém a quem ele a confiou. Onde o bispo estiver, ali esteja também a comunidade (dos fiéis); assim como onde Jesus Cristo está, ali está a Igreja Católica. Não é legal sem o bispo batizar ou celebrar festa de casamento; mas tudo o que ele aprovar, isso será aprovado por Deus, de modo que qualquer coisa que seja feita, seja segura e válida" (Inácio de Antioquia, Epístola à igreja em Esmirna). Nesta mesma época Clemente de Roma escreve sua carta aos Coríntios para corrigir os cismas que estava havendo entre eles, pois estes haviam chegado a ponto de expulsarem os presbíteros da igreja. Clemente escreve-lhes para impor a importância da hierarquia dos bispos. Mais tarde, Irineu, em sua obra apologética, "Contra Heresias", uma refutação aos argumentos gnósticos, que haviam apelado para a tradição, desenvolve uma linhagem histórica de sucessão episcopal desde os apóstolos até os bispos atuais, tomando como exemplo a Igreja de Roma, por ser a mais conhecida entre todas. Já no ano 200 existe um bispo em cada cidade se declarando cada qual sucessores dos apóstolos. Cada um procura mostrar que o primeiro da lista foi um apóstolo, assim temos as listas das principais igrejas da época:
Jerusalém: 1. Tiago, irmão de Jesus 2. Simeão 3. Justo 4.Zaqueu 5. Tobias...
Antioquia: 1. Pedro Evódio 2. Inácio 3. Heros 4. Cornélio 5. Eros...
Alexandria: 1. Marcos (evangelista) 2. Aniano 3. Abílio 4. Cerdo 5. Primo...
Roma: 1. Pedro e Paulo (?) 2. Lino 3. Anacleto ou Cleto 4. Clemente 5. Evaristo...
Nesta época a hierarquia já era constituída por 1º- Bispo, 2º- Presbítero, 3º Diáconos. Mais tarde o Concílio de Nicéia estabelece um bispo para cada cidade. No entanto, apesar desta gradual elevação do cargo do bispo, ainda não se fala em supremacia do Bispo de Roma sobre os demais, nem de papa, pois todos eram iguais e independentes, havendo uma união fraternal entre as várias igrejas. Se às vezes a sé romana parece elogiada em demasia é devido à sua posição política e territorial; é devido unicamente ao seu status de capital do Império.
 
ALEGAÇÕES CATÓLICAS
Os católicos quando são pressionados pelos argumentos bíblicos esposados pelos evangélicos contra o primado do papa, não conseguindo dar uma resposta bíblica satisfatória, vão se socorrer na chamada "Tradição". É preciso lembrar que a "Tradição" para o católico é a junção das obras patrísticas e o moderno "Magistério Eclesiástico" que é uma decorrência da infalibilidade da igreja, estabilizada na pessoa do romano pontífice através do Concílio Vaticano I. Desde já, rejeitamos totalmente o "Magistério Eclesiástico" por ser este muito posterior aos pais da igreja, produto do catolicismo estruturado e organizado. Ficamos entretanto, com a "Patrística", todavia, somente com os escritos dos pais pré-nicenos, pois ainda a igreja de Roma não havia ainda se tornado Igreja estatal, tendo sua riqueza e autoridade multiplicada pelas concessões de Constantino o que a tornou mais corrupta ainda. Os ditos pais pós-nicenos não possui a mínima autoridade em matéria de fé pois muitos deles já estavam contaminados com as heresias romanas. A primeira alegação é a que aponta a suposta autoridade do bispo de Roma nos escritos dos pais da igreja, querendo dar uma certa autoridade à tese do primado do bispo de Roma. Dizem nossos antagonistas:"As citações seguintes testemunham o que os primeiros cristãos pensavam sobre a primazia da Igreja de Roma (e, conseqüentemente, a primazia do papa, sucessor direto de São Pedro) sobre as demais." (Fonte: Agnus Dei)Clemente de Roma"Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno" (Clemente de Roma, +100, Carta aos Coríntios 59,1).Eles pretendem que a frase acima é alguma imposição de Clemente aos Coríntios. Nada mais longe da verdade! O teor da carta não deixa tal conclusão. O que Clemente fez foi ajudar aquela igreja que estava sem líderes, já que a igreja de Roma, era nesta época, bem estruturada e podia auxiliar a sua co-irmã na fé. Tanto é que ele prossegue dizendo: 2"Contudo, nós seremos inocentes deste pecado e pediremos em súplica e oração constante para que o Criador de tudo conserve intacto o número dos que foram contados entre Seus escolhidos em todo o mundo, por seu Filho mui amado, Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual nos chamou das trevas para a luz, da ignorância para o conhecimento da glória de seu nome." Não há nenhuma imposição ou supremacia papal ! Teoricamente, nesta época, o apóstolo João ainda estava vivo e se Clemente estivesse impondo algo sobre a igreja, certamente João o teria repreendido como fez com certo Diótrefes, que gostava de exercer a primazia na igreja (III João 9).Inácio de Antioquia"Inácio... à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada 'feliz', digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai, eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos [Prólogo]). "Nunca tiveste inveja de ninguém; ensinastes a outros. Quanto a mim, desejo guardar aquilo que ensinais e preceituais" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos 3,1). "Em vossa oração, lembrai-vos da Igreja da Síria que, em meu lugar, tem Deus por pastor. Somente Jesus Cristo e o vosso amor serão nela o bispo" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos 9,1).Novamente perguntamos: onde está a supremacia do papa nesta carta? Ora, o prólogo é um elogio ardoroso de Inácio. Ele também usou estes mesmos elogios aos Magnésios: "Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja abençoada na graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo a Igreja que está na Magnésia, próxima ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai e em Jesus Cristo, nosso Senhor, em quem vocês poderão encontrar grande alegria." E mais, "Que eu possa alegrar-me convosco em todas as coisas, se o merecer! Mesmo acorrentado, não sou digno de ser comparado a qualquer de vós que estais em liberdade." ou aos efésios : "Inácio, também chamado Teóforo, àquela que é bendita em grandeza na plenitude de Deus Pai, predestinada antes dos séculos a existir em todo o tempo, unida para uma glória imperecível e imutável, e eleita na Paixão verdadeira, pela vontade do Pai e de Jesus Cristo nosso Deus à Igreja digna de bem-aventurança, que vive em Éfeso da Ásia, todos os bens em Jesus Cristo e os cumprimentos numa alegria impoluta." Se seguirmos esta linha de pensamento, não é justo também colocarmos os Magnésios e os efésios em pé de igualdade aos Romanos ? Demais disso, Inácio diz algo que vai ao encontro do argumento da primazia jurisdicional, pois no início de suas saudações ele põe a igreja de Roma em sua devida jurisdição quando diz: "à Igreja que preside na região dos romanos" (ênfase acrescentada) mostrando que esta igreja tinha sua própria jurisdição territorial e não possuía nenhum poder sobre as demais igrejas como querem os romanistas.
IRENEU
"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).Este trecho de Ireneu é muito usado pelos católicos como prova de que a igreja de Roma tinha a primazia entre as outras. Entretanto é preciso escoimar tal alegação. Alarmado pelo pulular de heresias e de interpretações absurdas da Bíblia propaladas pelos seitários da época como Valentino, Marcião, Menander, Cerinto, Basílio e outros, procurava ele pôr um dique a tamanha calamidade, propondo uma Igreja que pudesse tornar-se como que o padrão, seguindo meticulosamente, a sucessão apostólica das mais importantes dioceses então existentes, pesquisando ao mesmo tempo a conservação da Doutrina e das tradições apostólicas, em cada uma delas. E conclui propondo como exemplar a Igreja de Roma, por ser de maior autoridade, isto é, por ser a da Capital do Império. É necessário salientar que esta questão de sucessões apostólica juntamente com a tradição foi um arranjo levantado como alternativa para combater os Gnósticos de então. Como diz Ireneu "Quando estes são argüidos a partir das Escrituras, põem-se a acusar as próprias escrituras...". Os gnósticos com o fito de defenderam suas heresias em relação a Deus e a Cristo como Demiurgo (criador), apelavam para as escrituras. Todavia quando eram refutados pelos apologistas através das próprias escrituras, apelavam para a chamada "tradição". Prosseguindo Ireneu diz: "...é impossível achar neles (nos textos bíblicos) a verdade se se ignora a tradição. Porque - (prosseguem dizendo) - essa verdade não foi transmitida por escrito e sim de viva voz...", o principal texto dos gnósticos era o de ICo. 2.6. Ireneu deixou-se levar pelo mesmo raciocínio inventando uma defesa de modo inverso, "Quando", afirma ele, "...então passamos a apelar para a tradição que vem dos apóstolos e se conserva nas igrejas pelas sucessões dos presbíteros, opõem-se à tradição."Os gnósticos diziam que sua doutrina era muito antiga e que havia recebido do próprio Jesus Cristo. Ireneu por sua vez repele tal asseveração dizendo que se havia uma doutrina pura e perfeita, esta forçosamente tinha que estar com as igrejas fundadas pelos apóstolos as quais (pelo menos em teoria) foram transmitidas aos seus sucessores. Desta maneira Roma entrou de contra golpe por vários motivos que nem de longe tem a ver com a tal primazia do papa. Vejamos:
1. Ireneu apela para o elo de sucessão de TODAS as igrejas e não somente de Roma. A razão ele mesmo da ao dizer que "...seria demasiadamente longo, num volume como este, enumerar as sucessões de todas as igrejas..." , tanto é que mais adiante ele cita como exemplo Policarpo, bispo de Esmirna, e seus sucessores.
2. Irineu escolheu Roma justamente, por que como já dissemos, era a principal Igreja do Império, a mais rica e por isso a mais conhecida.
3. Outra razão era que muitos apócrifos petrinos (principalmente de origem gnóstica) circulavam em sua época, haja vista que os líderes hereges mencionados acima espalharam suas heresias em Roma no ministério de bispos como Higino, Pio e Aniceto; Ireneu apela (mesmo contra o depoimento das escrituras) para tais tradições e arbitrariamente atribui a fundação desta Igreja a Pedro e Paulo, lançando o prestígio que Pedro possuía entre eles contra os mesmos, tentando assim, um contra golpe nos argumentos gnósticos.Vale a pena ressaltar que a frase do trecho acima recolhido no site católico é deveras tendenciosa quando traduz, "Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade..." No livro "Antologia dos Santos Padres" de Cirilo Folch Gomes, OSB - ed. Paulinas, traduz " Porque é com esta igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve..." (ênfase acrescentada) Não há nenhum indício de superioridade devido a um suposto papa nela residente. Outrossim, Ireneu apela não para a igreja de Roma como autoridade final, mas para a igreja "Católica", ou seja, UNIVERSAL espalhada pelo mundo todo, a comunidade de cristãos. Se de fato o apologista reconhecesse alguma superioridade, primazia jurisdicional, temporal ou espiritual no bispo de Roma; e neste como o sucessor de São Pedro com todas as regalias e autoridade que os papas modernos se auto intitulam, teria no livro III 24:1 de "Contra as Heresias", a preciosa oportunidade de afirmar que eles (os gnósticos) estavam separados da ROCHA que é Pedro. Entretanto, observe o que ele diz: "Porque não estão fundados sobre a única rocha, mas sobre a areia, a areia dos muitos saibros", com certeza uma referencia à passagem de Mateus 7:24-26.
Infelizmente todo o silogismo de Ireneu acabou numa apagogia!
CIPRIANO
"O Senhor diz a Pedro: "Eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus... O Senhor edifica a sua Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos os apóstolos depois de sua ressurreição, dizendo: "Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém, ser-lhes-ão perdoados, se os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de um só. Sem dúvida, os demais apóstolos eram, como Pedro, dotados de igual participação na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo... Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja? Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?" (São Cipriano, +258, bispo de Cartago, Sobre a Unidade da Igreja).  À princípio devemos admitir que Cipriano cria que Roma era a cátedra de Pedro e assegurava naquela época a unidade das igrejas, pois havia um vinculo de fraternidade entre todas elas como bem atesta Tertuliano, " ... Foi inicialmente na Judéia que [os apóstolos] estabeleceram a fé em Jesus Cristo e fundaram igrejas, partindo em seguida para o mundo inteiro a fim de anunciarem a mesma doutrina e a mesma fé. Em todas as cidades iam fundando igrejas das quais, desde esse momento, as outras receberam o enxerto da fé, semente da doutrina, e ainda recebem cada dia, para serem igrejas. É por isso mesmo que serão consideradas como apostólicas, na medida em que forem rebentos das igrejas apostólicas. É necessário que tudo se caracterize segundo a sua origem. Assim, essas igrejas, por numerosas e grandes que pareçam, não são outra coisa que a primitiva Igreja apostólica da qual procedem. São todas primitivas, todas apostólicas e todas uma só. Para atestarem a sua unidade, comunicam-se reciprocamente na paz, trocam entre si o nome de irmãs, prestam-se mutuamente os deveres da hospitalidade: direitos todos esses regulados exclusivamente pela tradição de um mesmo sacramento" ( Da Prescrição dos Hereges XIII-XX ).Contudo, cada igreja era autônoma e possuía seus próprios patriarcas, o bispo de Roma não era o cabeça da cristandade como mais tarde veio a ser cada vez mais reivindicado pelos papas. Seja como for, uma coisa é certa, "Ele admitia a seu modo o primado romano" ( A. Hamman, "Os Padres da Igreja" - Ed. Paulinas). Ainda dizia Cipriano que a Sé de Pedro pertence ao Bispo de cada igreja local.Algo que vem a corroborar para a derrocada romanista é o fato de que este trecho em outras versões não deixa tanto em relevo o primado de Roma. Onde uma traz, "Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?", a outra se reserva aos dizeres: " Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja?"Deve-se notar ainda que Cipriano escreveu esta carta para combater e rechaçar o cisma promovido por Felicíssimo em Cartago e concomitantemente enviou-a a Roma para combater o cisma que Novato criara na disputa do episcopado com Cornélio. O motivo principal do contraste entre Cornélio e Novato foi a atitude oposta em relação aos "lapsos", isto é, os cristãos que, por temor das perseguições, tinham renunciado a própria fé e que, passadas as perseguições, pediam para ser readmitidos na comunhão da Igreja.Norteando-nos por este contexto podemos compreender o "porque" de Cipriano insistir na unidade da Igreja. Ele não estava exaltando o bispo de Roma, mas combatendo os cismas em Roma e em Cartago, onde era bispo.
 
SUJEIÇÃO AO BISPO DE ROMA, ONDE ?
Não obstante a história mostrar muitos bispos de outras igrejas estarem unidos a Roma e considerar de algum modo sua preeminência, no entanto eles não titubeavam em repreende-lo quando necessário.
Posto que se trata de questões de primazia, é cabível acreditarmos que o Bispo romano apesar de reivindicar uma posição privilegiada não possuía nenhum poder maior sobre as demais igrejas.
 Algumas querelas que ficaram nos anais da história mostram isto de forma inequívoca. Na verdade muitos bispos romanos se curvaram perante a posição de alguns pais.
TERTULIANO
Não se sabe ao certo quando se estabeleceu essa presunçosa aspiração do bispo de Roma. Entretanto, já em 220 A.D, Tertuliano em sua obra De Pudicitia, emprega o termo (papa) de maneira sarcástica - como era seu estilo - ao referir-se a vários bispos da Igreja primitiva, com a qual rompera anos antes. Já nesta época por exemplo, Tertuliano acusava o bispo Calixto de querer ser o bispo dos bispos. Este título ao contrário do que muitos pensam, não era monopólio do bispo romano, muitos como Policarpo, Cipriano, Heraclas, Atanásio de Alexandria foram denominados de " PAPAS ". Tertuliano acabou rompendo por final com a Igreja de Roma.
POLICARPO E IRENEU
No ano 155 o Bispo Policarpo de Esmirna visitou o Bispo Aniceto de Roma e teve com ele algumas desavenças sobre algumas questões, e também a fim de persuadi-lo a aceitar a tradição estipulada pelo Apóstolo João de observar a Páscoa (Pascha), no dia judaico 14 de Nissan ou Passover, seja qual fosse o dia da semana. O bispo romano havia recebido uma tradição diferente através de Pedro e dos evangelhos sinópticos, de acordo com a qual a Páscoa deve ser sempre celebrada no Domingo, o primeiro (ou oitavo), dia da semana judaica após Nissan 14. Diz Eusébio citando Ireneu em sua História Eclesiástica (Livro V cap. XXIV) que nem Policarpo conseguiu persuadir Aniceto e nem este a Policarpo. No final ele acrescenta que "Aniceto cedeu a Policarpo". Mais tarde porém, o bispo Victor de Roma sofreu severas criticas por parte de Ireneu e outros bispos quando arbitrariamente quis impor sua autoridade desligando as Igrejas da Ásia por causa da tão chamada controvérsia "Quartodécima". Prossegue Eusébio relatando que o bispo romano foi, por muitos, duramente repreendido, "Também restam as expressões que empregaram para pressionar com grande severidade a Vitor. Entre eles também estava Ireneu..."
CIPRIANO
Estêvão I (254-357), romano, sucedeu a Lúcio I depois de uma vacância de dois meses. Afirmou insistentemente o primado, sobretudo nos contrastes com Cipriano, o influente bispo de Cartago, por problemas que se relacionavam com a disciplina eclesiástica ou questões teológicas, como a da validade do batismo administrado por heréticos. Estêvão, que representava a tradição de Roma, Alexandria e Palestina, acreditava que esse batismo era válido, contrastado nisso também pelo bispo Cipriano que seguia a mesma linha de Tertuliano e juntamente com os bispos da Ásia Menor, havia convocado dois sínodos para afirmar a não validade do batismo dos heréticos. Naquela ocasião, Estevão recusou-se até mesmo a receber os enviados de Cipriano. Rebatizar segundo ele era contrário à tradição e isso não podia ser tolerado. Por sua vez Cipriano retrucou com a igreja romana apelando para a tradição de sua igreja. Convocando um novo Sínodo Cipriano pediu aos bispos que manifestassem suas opiniões, dizia ele: "Vamos, cada um por sua vez, declarar nosso sentimento em face deste problema, sem pretender julgar ninguém NEM EXCOMUNGAR os que forem de parecer diferente" (ênfase acrescentada). Duas coisas ficam evidentes nesta questão: A alusão ao autoritarismo de Estevão; e o mesmo direito que o bispo romano possuía para "excomungar", Cartago o tinha igualmente. Também pela mesma época, dois bispos espanhóis depostos por um sínodo espanhol, apelaram para Estevão e foram reintegrados a comunhão. Mas um sínodo, reunido por Cipriano na Metrópole da África, anulou o ato de Estevão, confirmando o sínodo espanhol. Ao que parece a unidade da Igreja Católica (Universal) , tão propalada pelo bispo Africano em sua "De Unitate Catholicae Ecclesiae" estava sendo rompida. No ano de 418, reuniu-se em Cartago um Concílio de todos os bispos africanos, no qual foi sancionado o seguinte Cânon: "Igualmente decidimos que os Presbíteros, Diáconos e outros Clérigos inferiores, nas causas que surgirem, se não quiserem se conformar com a sentença dos bispos locais, recorram aos bispos vizinhos, e com eles terminem qualquer questão... E que, se ainda não se julgarem satisfeitos e quiserem apelar, não apelem se não para os Concílios Africanos, ou para os Primazes das próprias Províncias: - e que, se alguém apelar para a Sé Transmarina (de Roma) não seja mais recebido na comunhão..."Por esta Regra Conciliar se vê que os Bispos Africanos não aceitavam e não admitiam que fosse aceita a jurisdição do bispo de Roma!
 
AS CONTRADIÇÕES DAS TRADIÇÕES
Dizia Gregório de Nissa : "Se um problema é desproporcional ao nosso raciocínio, o nosso dever é permanecer bem firmes e irremovíveis na Tradição que recebemos dos Pais" Contudo, Deus não confiou na chamada "tradição oral", tanto é que mandou seus servos escreverem seu verbum sacrum em livros. A tradição com o passar do tempo corrompe o significado real das coisas. Muitas tradições aceita pelas igrejas entravam em flagrante contradição quando confrontadas umas com as outras, a titulo de ilustração temos o celebre caso da grande controvérsia sobre a páscoa já citada neste estudo. De um lado estava as igrejas da Ásia sustentada por certa tradição recebida segundo eles pelo apostolo João de que a páscoa tinha de ser celebrada no 14 Nisan, já as do Ocidente alegavam que haviam recebido uma tradição diferente dada pelo apostolo Pedro e Paulo de que deveria ser no domingo. Cada qual defendia ardorosamente sua posição. Será que Pedro e João transmitiram "tradições" diferentes a estas igrejas ? Quem estava certo ?    Veja que tais tradições não passam de meras contradições! As interpretações equivocadas e muitas vezes forçadas de alguns dos pais e escritores da igreja primitiva, começaram a ser transformadas em regras de fé pelos Concílios através dos séculos. Estes dogmas que existem hoje em dia na igreja Católica, foi apenas outrora a interpretação particular de alguns dos pais da igreja e não a regra de fé e prática de toda a igreja cristã, prova disso é que não havia unanimidade entre eles sobre vários assuntos. Por exemplo, Tertuliano era radicalmente contra o batismo infantil, já Orígenes era a favor, Anselmo afirmava que Maria nasceu com a mancha do pecado original, Jerônimo era ao que parece contra a chamada "tradição oral", Hegesipo e Ireneu e Tertuliano afirmavam que Maria teve filhos com José, Jerônimo defendia arduamente a virgindade perpétua de Maria, muitos eram a favor de que Pedro era o fundamento da igreja em Mateus 16:18, mas um número maior ainda era contra essa interpretação, como por exemplo, Agostinho, bispo de Hipona, o decreto Gelasiano afirmava que o livro intitulado "o pastor de Hermas" era apócrifo e promulgava que não deveria meramente ser rejeitados mas também "eliminados de toda a Igreja Católica e Apostólica romana, sendo que os autores e seguidores desses autores devem ser amaldiçoados com a corrente inquebrável do anátema eterno." Já Atanásio admoestava que era útil para a leitura não havendo menção a ele como apócrifo. Muitas posições teológicas defendidas por uns, eram rejeitadas por outros, não havia um consenso geral como querem nos fazer crer os estudiosos católicos! A igreja começou a transformar essas incongruências em dogmas somente após o século IV, por isso o Padre Benhard em 1929 escreveu: "...A Bíblia em si mesma, não é mais do que letra morta, esperando por um intérprete divino... Certo número de verdades reveladas têm chegado a nós, somente por meio da tradição divina." Ora, Jesus afirmou que a palavra de Deus é que é a verdade! Se há outras verdades que não são reveladas pelas escrituras que é a depositária de toda a verdade, então não são verdades, mas tão somente inverdades!
 
MAIS CONTRADIÇÕES
Vejamos ainda o "Decreto Gelasiano" que ao se referir sobre a morte de Pedro e Paulo afirma que os dois foram martirizados ao mesmo tempo: "Acrescente-se também a presença do bem-aventurado apóstolo Paulo, "o vaso escolhido", que não em oposição - como afirmam as heresias dos tolos - mas na mesma data e no mesmo dia, foi coroado com a morte gloriosa juntamente com Pedro, na cidade de Roma, padecendo sob Nero César; e igualmente eles fizeram a supra mencionada Santa Igreja romana especial para Cristo, o Senhor, e deram preferência de suas presenças e triunfos dignos de veneração perante todas as demais cidades existentes sobre a Terra." Dionísio é concorde com isto pois afirma: " Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, II,25,8). Entretanto Paulo diz o contrário, "Só Lucas está comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério." A tradição diz que Pedro estava com ele mas Paulo desmente afirmando que só Lucas permanecia junto a ele antes de sua morte!

PERGUNTAS QUE OS CATÓLICOS PRECISAM RESPONDER
Mostraremos aqui algumas perguntas que são barreiras insuperáveis à tese católica da fundação, estadia, governo e a morte de Pedro em Roma.
Pergunta 1.  Se Pedro esteve em Roma, então por que a Bíblia não diz nada sobre isto, já que menciona muitas cidades por onde passou como Jerusalém, Samaria, Lida, Jope, Cesaréia, Corínto, Antioquia... mas sobre Roma no entanto, não diz nada?!
Resposta 1. Pedro nunca esteve em Roma!
A lenda corrente de que o apóstolo Pedro residira em Roma por um período de 25 anos (de 42 a 67 d.C.), onde teria sido supostamente sepultado, faz parte do rico fabulário inventado pelo sistema católico romano, baseado na "tradição"!  Ralph Woodrow, em seu excelente livro "Babilônia, a religião dos mistérios", afirma: "Não existe qualquer prova, biblicamente falando,de que Pedro até mesmo se aproximou de Roma! o Novo Testamento nos diz que ele foi para Antioquia, Samaria, Jope, Cesaréia e outros lugares". E, acrescentaria: menos Roma!
Interessante que tal lenda, surgida lá pelos idos do século terceiro, determinava um período de 42 até 67 d.C., justamente quando o apóstolo desenvolvia seu ministério em inúmeras cidades. Vide a seguir:Ano 42 - Herodes Agripa o prendera em Jerusalém com a intenção de matá-lo; solto milagrosamente (Atos 12.2-17).Anos 49 e 50 - Ainda em Jerusalém.Tinha estado com Paulo, tendo dividido o
campo de trabalho para evitar atritos.Pedro exerceria o apostolado entre os judeus e Paulo entre os gentios (Gálatas 2.9,10).   Ano 52 - Ainda em Jerusalém.Tomava parte no Concílio, sob a presidência de Tiago (Atos 15.7-13). Depois, apareceu em Antioquia, onde Paulo lhe resistiu frontalmente (Gálatas 2.11).  Ano 54 - O imperador Claudio (41-54) expulsou de Roma todos os judeus, porque causavam distúrbios (Atos 18.2). Até o ano 54, pois, Pedro não podia estar em Roma porque era judeu, não tendo ouvintes judeus.  Ano 55 - Mencionado como "evangelista itinerante" (1Coríntios 9.5). Neste período, evangelizou o Ponto, a Galácia, aCapadócia, a Ásia, a Bitínia e Babilônia (1Pedro 1.1;5.13).   Ano 57 - Paulo, na Epístola aos Romanos, saúda, nominalmente, 28 pessoas, mas não fala de Pedro (Romanos 18.1-15).  Paulo, três dias depois de chegar a Roma, "convocou os judeus mais notáveis", pregando-lhes a Salvação em CRISTO JESUS. Desconheciam a doutrina que lhes era anunciada (Atos 28.17-29).  Anos 61 a 63 - Paulo esteve preso em Roma por 2 anos, mas nunca Pedro o visitou. Na Segunda Epístola a Timóteo, escrita na prisão, no ano 63, Paulo queixou-se dos discípulos e amigos que se ausentaram: "Só Lucas está comigo" (2Timóteo 4.11). Pedro devia estar em Babilônia,de onde escreveu sua Primeira Epístola (1Pedro 5.13).
Ano 67 - Pedro escreveu suas epístolas. Não há nenhum sinal de sua presença em Roma!  Assim, entendemos, que a estada de Pedro em Roma, por 25 anos e a qual o catolicismo romano dá foros de verdade, não passa, isto sim, de uma " lenda escandalosa e pérfida, não havendo provas de seu martírio em Roma", conforme nos relata o ex-padre (ex-locutor do Vaticano), Antônio Gonçalves Pires, em seu livro "Pode um católico salvar-se?"
Pergunta 2. Porque Lucas "o historiador" não se preocupou em registrar nada sobre o "príncipe dos apóstolos" e seu episcopado em Roma, pelo contrário voltando-se quase exclusivamente ao ministério de Paulo?!
Resposta 2. Lucas escreveu o livro de Atos até a chagada do apóstolo Paulo a Roma, ou seja sua 1º prisão em Roma. Até aquele momento Pedro não estivera em Roma, ou não estava em Roma. Seu trabalho missionário , era voltado , após o Concílio de Jerusalém mais voltado aos judeus. Já o papel de Paulo, com seu trabalho mais voltado aos gentios, teve a partir de certa época um valor maior à história do Cristianismo, sendo assim Lucas dedicou maior tempo ao trabalho de Paulo, mas não podemos desmerecer o trabalho de nenhum dos apóstolos.Foram desbravadores e merecedores de toda nossa atenção!
Pergunta 3. Paulo escreveu sua epistola aos Romanos (56-58) enviando saudações a 26 pessoas mas o nome do "Papa São Pedro" se quer é mencionado. Porventura deixaria Paulo de mencionar Pedro, caso estivesse ele em Roma e ai fosse bispo? Outrossim, Paulo ao enviar as "cartas do cativeiro", escritas em Roma envia saudações citando nominalmente 11 irmãos. Se Pedro estivesse em Roma teria Paulo omitido seu nome em todas as quatro cartas ? Creio que não!
Resposta 3. Esta história de Pedro ser papa é invenção. Foi criado assim para combinar com as doutrinas católicas, mas a bíblia mesmoq ue é o que interessa não apóia nem ensina essa teoria.
Pedro nem esta em Roma e nem era papa, numa epoca que roma ainda estava sobre o julgo do Império.
 
Pedro em Roma:Disfarçado? Em Missão Secreta? Incógnito? Invisível?

1. Se Pedro esteve em Roma, então por que a Bíblia não diz nada sobre isto, já que menciona muitas cidades por onde ele passou, tais como Jerusalém, Samaria, Lida, Jope, Cesaréia, Coríntios, Antioquia... mas sobre Roma no entanto, não diz nada?!
2. Por que Lucas “o historiador” não se preocupou em registrar nada sobre o “príncipe dos apóstolos” e seu episcopado em Roma, pelo contrário voltando-se quase exclusivamente ao ministério de Paulo?!
3. Paulo escreveu sua epístola aos Romanos (56-58) enviando saudações a 26 pessoas mas o nome do “Papa São Pedro” sequer é mencionado. Porventura deixaria Paulo de mencionar Pedro, caso estivesse este em Roma e ai fosse bispo? Outrossim, Paulo ao enviar as “cartas do cativeiro”, escritas em Roma envia saudações citando nominalmente 11 irmãos. Se Pedro estivesse em Roma teria Paulo omitido seu nome em todas as quatro cartas ? Creio que não!
4. Demais disso, não teria Paulo invadido o território jurisdicional de Pedro ao enviar uma carta de instruções corretivas àquela Igreja ? Onde estava Pedro que não instruía os romanos sobre a justificação pela fé ?
5. Entre os anos 60-61 Paulo chega preso em Roma (At. 28:11,31), Lucas registra que os irmãos foram vê-lo (At. 28:15). Mas onde estava Pedro que não foi receber seu colega de ministério?
6. Suetonius Tranquillus, pagão, na Biografia do Imperador Cláudio, diz: “Judacos, impulsore Cresto, assidue tumultuantes Roma expulit”. Quer dizer: - O Imperador Cláudio expulsou de Roma os Judeus que viviam em contínuas desavenças por causa de um certo Cresto (Cristo). Ora, Cláudio foi Imperador desde o ano de 41 até 54. Logo, durante esses treze anos não era possível que S. Pedro residisse em Roma. No Capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos, lemos que Paulo, depois do célebre discurso no Areópago, seguiu para Corinto, onde se encontrou com Áquila e sua esposa Priscila, recentemente chegados de Itália, pelo motivo de Cláudio Imperador ter mandado sair de Roma a todos os judeus. Ora, este encontro do Apóstolo deu-se no correr da sua segunda viagem apostólica, isto é, entre os anos de 52 a 54. Logo, ainda nesses anos Cláudio não permitia a permanência de judeus em Roma. Como ficaria lá São Pedro, que, como Apóstolo, devia necessariamente chamar a atenção geral sobre sua pessoa?
7. Se Pedro estivesse em Roma no ano 60 como se afirma a tradição, como então deve se entender as palavras de Jesus a Paulo em Atos 23:11 que diz: “Importa que dês testemunho de Mim também em Roma.” Ora, onde estava Pedro “o Papa” da cristandade que não tornava conhecido o nome de Jesus nesta cidade ?
8. Paulo foi a Roma, a sua primeira vez, como um prisioneiro, em virtude de haver apelado para o Tribunal de César, em torno dos anos de 60 ou 61, lá não encontrando cristãos entre os judeus. Ora, se S. Pedro estivesse em Roma pregando exclusivamente aos judeus como nos garante Eusébio, como se pode explicar a ignorância dos principias judeus de Roma, que disseram a Paulo: “Quereríamos ouvir da tua boca o que pensas, porque o que nós sabemos desta Seita (dos Cristãos) é que em toda parte a combatem”. Então Pedro, durante dezoito anos, poderia permanecer desconhecido dos principais judeus de Roma? Ele, a quem fora confiado o Ministério aos circuncidados no dizer de Paulo (Gal. 3,7-10) e de Eusébio Pámphili?
9. Ora [pergunta-se], mas se Pedro estivesse preso, não seria esta a razão de sua omissão? Neste caso Paulo seria relapso em não registrar este fato como fez com seus demais companheiros de prisão (cf. Colossenses 4:10 – Filemon 23).
10. Dizem os estudiosos católicos que Pedro morreu no reinado de Nero em 69 d.c, outros colocam isto no ano de 67, e ainda outros no ano de 64. A tradição diz que ele exerceu o episcopado durante 25 anos. Subtraindo 25 de 69 chegamos ao ano de 44 onde afirma a tradição que Pedro chegou a Roma (Hist. Ecl. II – XIV) Esta tese encontra duas grandes dificuldades: A primeira é que o edito de Nero expulsando os judeus durou de 42 até 54, motivo também da expulsão de Áquila e Priscila. Pedro não seria exceção tampouco! A segunda é que, no ano 45, Pedro escreve sua primeira epístola, e que por sinal não era de Roma mas de “Babilônia”, cidade existente naqueles dias (I Pedro 5:13).
11. Se Roma tem a primazia por ser supostamente considerada a cidade em que Pedro alegadamente exerceu seu ministério, então razão maior deveria ser dada a Antioquia pois diz a mesma tradição que antes de Pedro ir para Roma exerceu primeiro seu episcopado em Antioquia deixando lá seus sucessores: Evódio e Inácio.
12. Porque estudiosos católicos como Rivaux, Fank, Hughes e Daniel Rops se contradizeram ao fazer as listas dos bispos de Roma já que usaram a mesma tradição como fonte?
 
Pedro liderou cristãos romanos, mas nunca foi papa, dizem historiadores
Na época do santo, liderança das igrejas cristãs era ‘compartilhada’ por anciãos. Papado ‘monárquico’ surgiu séculos mais tarde; martírio em Roma é provável. Católicos do mundo todo vêem São Pedro como o protótipo dos papas, o homem que fundou a sucessão ininterrupta de líderes da Igreja que chega até Bento XVI, mas o papel real do “príncipe dos apóstolos” provavelmente foi bem mais modesto, afirmam historiadores. Embora seja bem possível que Pedro tenha vivido, pregado e morrido em Roma, ele não fundou um governo centralizado da igreja romana, o qual demorou séculos para emergir.
Mais importante ainda, embora a igreja de Roma tenha conquistado desde cedo uma posição de destaque entre as comunidades cristãs espalhadas pela bacia do Mediterrâneo, as outras igrejas não creditavam o prestígio romano ao “papado” de Pedro, mas ao fato de que tanto ele quanto seu companheiro de apostolado, São Paulo, haviam pregado a palavra de Jesus e morrido em Roma. É o que diz um texto escrito por volta do ano 180 pelo líder cristão Irineu de Lyon.Segundo Irineu, a comunidade de Roma havia sido “fundada e organizada pelos dois gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo”. “Para Irineu, a competência da igreja de Roma provinha de sua fundação pelos dois apóstolos, Pedro e Paulo, não só por Pedro”, resume o historiador irlandês Eamon Duffy, da Universidade de Cambridge, em seu livro “Santos e Pecadores: História dos Papas”.Chegando mais tarde.  Na verdade, a situação era ainda mais complicada do que Irineu imaginava. Tudo indica que a comunidade cristã de Roma foi fundada por um anônimo seguidor de Jesus, provavelmente um judeu da Palestina que se juntou aos dezenas de milhares de membros da comunidade judaica da capital do Império Romano. São Paulo, ao escrever para os cristãos de Roma na década de 50 do século 1, em nenhum momento menciona a presença de Pedro na cidade.No entanto, sabemos pelos Atos dos Apóstolos, livro do Novo Testamento escrito no fim do século 1, que Paulo acabou indo para a cidade para ser julgado pelo imperador romano num processo que estava sofrendo. E outros textos, também do fim do século 1 e começo do século 2, dão conta de que tanto Paulo quanto Pedro foram mortos durante a perseguição contra os cristãos ordenada pelo imperador Nero entre os anos 64 e 67. A tradição sobre o martírio é relativamente próxima dos eventos, embora não esteja registrada na Bíblia, e há pouca razão para duvidar que os santos morreram mesmo na “Cidade Eterna”.Pescador impetuoso.  Para o padre e historiador americano John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame e autor da monumental série “Um Judeu Marginal” (ainda não concluída) sobre a figura histórica de Jesus, o Novo Testamento traz uma série de informações importantes e confiáveis sobre Pedro. Originalmente, ele era um pescador da Galiléia (norte de Israel), casado, e aderiu ao grupo de discípulos de Jesus junto com seu irmão André. O nome de seu pai era João ou Jonas, e seu nome original era Simão.O mais provável é que Jesus tenha dado a ele o apelido aramaico de Kepa (ou Kephas, como escreve São Paulo), “pedra” ou “rocha”, depois traduzido como Petros, ou Pedro, em grego. Todos os evangelistas o apresentam como o principal membro do grupo dos Doze Apóstolos, ou como o porta-voz deles, e também retratam-no como um homem ao mesmo tempo generoso, extremamente apegado a Jesus, cabeça-dura (talvez uma relação irônica com seu apelido), indeciso e dado a súbitas mudanças de opinião.Em suas cartas, São Paulo relata um relacionamento tempestuoso com Pedro. Ao se converter à fé em Jesus (Paulo, judeu com cidadania romana, antes perseguia os cristãos), Paulo teria passado alguns anos sozinho até ir a Jerusalém e falar com Pedro e outros apóstolos. Depois, conseguiu convencer o grupo original de seguidores de Jesus que os pagãos também poderiam ser convertidos, mas entrou em conflito com Pedro, chamando-o de hipócrita. É que Pedro foi visitar a comunidade cristã de Antioquia, na Síria, e inicialmente fazia suas refeições com os crentes de origem pagã, coisa proibida pela lei judaica. No entanto, quando outros judeus cristãos apareceram na cidade, ele parou de fazê-lo, o que provocou a reprimenda de Paulo.As chaves do Reino dos Céus.  Há indícios de que, antes de ir para Roma, o santo passou por Antioquia e por Corinto, na Grécia.  John P. Meier afirma que a “profissão de fé” extraordinária de Pedro provavelmente é um fato histórico, por estar registrada nas diversas fontes usadas pelos evangelistas para compor suas narrativas. Também não duvida do papel de liderança de Pedro na Igreja primitiva. No entando, diz acreditar que a promessa de Jesus não é histórica, justamente porque ela usa a expressão “igreja” — que praticamente não aparece nos textos do Novo Testamento que tratam da vida de Jesus. Para ele, Mateus “retrojeta” uma situação da Igreja primitiva para a época em que Cristo ainda estava vivo. Mais importante ainda para a questão do “papado” de Pedro, escreve Eamon Duffy, é o fato de que Roma aparentemente não tinham um bispo único até por volta do ano 150, ou seja, quase um século após a morte do apóstolo. É bom lembrar que, originalmente, o papa era o bispo de Roma, que recebia especial atenção de seus pares por governar a comunidade cristã onde tinham sido martirizados Pedro e Paulo. No entanto, vários documentos do começo do século 2, escritos para a comunidade de Roma e por membros dela, em nenhum momento fazem menção a um bispo, mas apenas aos “anciãos da igreja” ou “dirigentes da igreja”.Para Duffy, a explicação mais provável é que a unificação do comando da igreja romana nas mãos de um só bispo veio mais tarde, por causa de uma série de pressões externas e internas, entre elas o surgimento de heresias poderosas, que contrariavam os ensinamentos cristãos originais. Como forma de defesa, as igrejas, entre elas a de Roma, teriam instituído a “monarquia” dos bispos.
 
Mateus 16:18,19
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
INTRODUÇÃO
Segundo as declarações oficiais do Magistério Católico, o consenso dos Padres é um critério fundamental na correcta interpretação das Escrituras Sagradas e no assunto em pauta se Pedro foi ou não papa da Igreja Católica. Isto está documentado em muitas declarações; limito-me a citar duas que são representativas:  Além disso, para reprimir os engenhos petulantes, [o Sacrossanto Concílio] decreta que ninguém, apoiado na sua prudência, seja ousado a interpretar a Sagrada Escritura,(Já vemos aqui um erro absurdo em relação a leitura da Bíblia, eles nos proíbem da leitura, deixando-nos assim ignorantes, quando ao contrário Jesus manda ler, ele diz em Joao 08:32 `Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará`, eu não vejo outra forma de conhecer a verdade sem ler a Bíblia!!) em matérias de fé e costumes, que pertencem à edificação da doutrina cristã, retorcendo a Sagrada Escritura conforme o próprio sentir, contra aquele sentido, que sustentou e sustenta a Santa Madre Igreja, a quem compete julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras Santas, ou também contra o unânime sentir dos Padres, mesmo quando tais interpretações não tiverem de sair à luz em tempo algum.
 
A exegese católica de MT 16,18-19
Pedro se encaixaria perfeitamente nesta esta visão pela sua profissão de fé.Segundo, dizem que o próprio Jesus é a pedra, e não Pedro. Os protestantes, proclamando que na Bíblia a metáfora "pedra" é invariavelmente utilizada em referência a Cristo, não aceitam que a um simples homem seja dado algo atribuído a uma divindade.Para afirmar estas opiniões, pensadores protestantes ainda tocam no ponto da interpretação de alguns Padres da Igreja. Por exemplo, é verdadeiro que em alguns escritos de Santo Agostinho, ao menos duas visões sobre a pedra podem ser encontradas. Vários outros Pais da Igreja mostram uma ou mais interpretações. Dessa forma, devemos ser cuidadosos em acusar os protestantes de estarem inventando alguma coisa que não existia até o século 16.Sob uma melhor apreciação, contudo, encontramos nos Pais da Igreja a afirmação de que Pedro é a pedra citada em Mt 16,18. Mesmo os poucos que não afirmavam tal não viam problema no primado de Pedro. Santo Agostinho, no qual encontramos pelo menos duas visões, iniquivocamente afirmou que a cátedra de Pedro é a suprema autoridade para a Igreja. Sua famosa afirmação - "Roma falou, causa encerrada" - ressou nos ouvidos dos católicos por um milênio e meio. Além do mais, é necessario que as pessoas entendam o contexto em que Agostinho estava escrevendo, assim como a autoridade teológica própria que ele possui para explicar as profundezas das verdades da fé. No fim de tudo, Agostinho era um fervoroso defensor do papado.Interessantes evoluções na exegese de Mt 16,18-19 ocorreram no mundo protestante desde o início do século. Muitos autores protestantes chegaram à conclusão de que Pedro é de fato a pedra que Jesus refere. Renomandos teólogos protestantes como Oscar Cullman e Herman Ridderbos escreveram volumosos tratados detalhando finamente a exegese de Mt 16,18, mostrando que a interpretação protestante clássica é cheia de deficiências e falsas conjecturas. Um dos maiores erros apontados por estes autores é a hipótese protestante de que o original grego da Bíblia em Mt 16,18 faz uma dinstinção léxica entre Pedro (petros) e pedra (petra). Entende-se por Petra como uma pedra pequenam enquanto que Petra é uma grande e imóvel pedra, um sólido rochedo. Conclusão: Pedro não pode ser a pedra que Jesus refere, porque é lógico que uma pequena pedra não é uma grande e sólida rocha. Com as recentes descobertas da etmologia grega, entretanto, estudiosos protestantes entenderam que Petrus e petra são verdadeiramente termos intercambiáveis. Ainda que desejasse colocar um jogo de palavras, o autor do Evangelho estava simplesmente limitado pelo fato de que, sendo Pedro um nome masculino, deveria ser designado por outro nome grego no masculino - Petrus - enquanto que Petra é um substantivo feminino.O grego, entretanto, não foi a língua original do Evangelho de Mateus, pois muitos Padres da Igreja (Irineu, Eusébio, Jerônimo, Epifênio e etc.) indicam que o Evangelho de Mateus fora orginalmente escrito em hebraico/aramaico. A versão grega de Mateus deve, portanto, ser a tradução do original hebraico. Ainda, sabe-se que Jesus falava em um dialeto hebraico chamado aramaico. E isto é muito significante, porque o aramaico não possui formas diferentes para "Pedro" e "pedra" como possui a língua grega, tendo sido utilizada a forma "kepha" (traduzido como "Cefas" em Jo 1,42, onde Jesus, falando em aramaico, compara kepha com o grego petrus). Também é interessante notar que "Simão" em aramaico significa "grão de areia". Se petrus está se referindo somente a uma pequena pedra, como dizem alguns protestantes, não haveria sentido Jesus ter trocado seu nome de "grão de areia" para "pequena pedra", o que contrasta fortemente com a monumental mudança e evolução do perfil de Pedro atestanto em Jo 1,42 e Mt 16,18.Mesmo que o grego não tenha sido a língua em que Mateus escrevera seu Evangelho, pode ser demosntrado que pelo uso do grego bíblico que petra não se refere somente a uma grande e firme rocha. Também pode se referir a outras formas ou mesmo a pequenas rochas. Por exemplo, em Rm 9,33 e em 1 Pd 2,8 a palavra grega "lithos" (pequena pedra) está ligada a petrus na imagem de fazer um homem tropeçar e cair. O verso do Antigo Testamento de onde estes são retirados é de Is 8,14: "Ele será um santuário e uma pedra contra a qual se esbarra, um rochedo em que se tropeça". A imagem é a de uma homem que caminha, tropeça em uma pedra ou uma pequena rocha e então cai no chão. Não se parece com a imagem de uma grande rocha vindo em sua direção ou aparecendo no seu caminho. Paulo se refere ao tropeço em Rm 9,32, e ninguém poderia tropeçar em uma grande e maciça rocha.Consequentemente, sendo que petrus e petra podem se referir tanto a uma pequena como uma grande pedra, é provável que Jesus não esteja preocupado em matéria de tamanho quando chama a Pedro de pedra, mas estar se referindo à solidez.Este raciocínio se sustenta pela parábola de Mt 7,24-27 sobre o homem que contrói sua casa sobre a areia em contraste com o que a constrói sobre a rocha. Sobre o "grão de areia" (Simão) a Igreja não se sustentaria, mas sobre a "rocha" (Pedro) será firme.Por causa desta e de outras descobertas, está se tornando cada vez mais raro encontrar um pensador protestante que não aceite a visão católica de Mt 16,18.E estes protestantes se converteram? Alguns sim, mas dentre outras coisas, o que mais existe de dificuldade para estes protestantes é a capacidade deste ofício de Pedro ser transmitido adiante. Para explorar esta questão, recorremos mais uma vez à língua grega.Existem nuances no grego que são mais ilustrativas em identificar Pedro com a pedra que não existem no hebraico/aramaico. Por exemplo, o grego para "sobre esta pedra" usa a forma "tautee" - adjetivo demonstrativo de desinência dativa - com o adjetivo dativo "tee". Para demonstrar a força de sua qualidade demonstrativa, a palavra grega pode ser traduzida por "esta mesma" ou "justamente esta" "igualmente esta". Assim, as palavras de Mt 16,18 podem ser lidas como "...Tu és Pedro e sobre esta mesma pedra edificarei a minha Igreja..." ou "...Tu és Pedro e exatamente sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...".Para perceber que a frase grega pode ser utilizada desta mesma forma, basta utilizar uma tradução protestante do Novo Testamento. Por exemplo, na King James, a mesma construção dativa é traduzida por "a mesma" ou "esta mesma" como em 1 Cor 7,20 ("Cada um permaneça na mesma condição em que fora chamado"). Também pode ser traduzindo como "nesta mesma", como em Mc 14,30 ("Neste dia, ainda nesta mesma noite...me negarás três vezes"). A NASB (New Americam Standard Bible) traduz este adjetivo demonstrativo como "este exato" em Lc 12,20 ("...Nesta exata noite exigirão de ti a tua alma"). A mesma forma se encontra na NIV (New International Version) e na NEB (New English Bible). A RSV (Revised Standard Bible) e a NASB traduzem esta construção dativa como "nesta mesma" como ocorre em At 27,23 ("...Nesta mesma noite apareceu-me um anjo de Deus"). Existem outros exemplos em traduções protestantes, mas estas se monstram suficientes para demonstrar que é muito provável, de fato, e mais correto, traduzir Mt 16,18 mais enfaticamente do que na sua forma usual. Além do mais, o que se deve prestar atenção não é só no que o autor disse, mas no que ele não disse. Ele não disse "sobre A pedra" ou "sobre UMA pedra", o que tornaria muito mais ambígua a identificação da pedra em questão. A intenção demonstrativa demonstrada pelo uso do grego "tatuee" torna claro que a pedra que Jesus refere é exatamente a pedra a quem ele havia se referido, isto é, Pedro.RCH Lenski, um comentarista luterano renomado, sugere que Jesus poderia ter dito "Tu és Pedro, e edificarei minha Igreja sobre ti" se quisesse se referir a Pedro. Isto é plausível, mas existem várias maneiras de se dizer a mesma coisa nas diversas línguas humanas.Entretanto, Lenski evita o gênero histórico e literário em sua sugestão. Os apóstolos estavam nas vizinhanças de Cesaréia de Felipos, que é constituída de maciças formações rochosas naturais. Jesus já havia alterado o nome de Simão para Pedro (Jo 1,42). Jesus e Pedro tiveram uma intensa conversa na qual trocaram títulos (Mt 16,13-18).Somente a Pedro Jesus deu as Chaves do Reino (Mt 16,19). Que modo mais profundo haveria de ser para atestar a declaração de Pedro como a pedra?De fato, muitos protestantes percebem tamanha força contida neste gênero que alegam, na tentativa de anular a visão católica, que a passagem de Mt 16,18-19 não é autêntica.Ironicamente, em uma carta parabenizando o teólogo católico Hugo Ranher sobre a sua grandiosa crítica ao livro de Hans Küng questionando a infalibilidade papal, Bultmam disse: "Quão afortunado você deve ser para apelar para o Papa. Apelar para os sínodos luteranos somente leva a mais desunião".Devemos acrescentar que a Vulgata Latina, escrita por São Jerônimo no quinto século, traduz a frase supramencionada como "hanc petram" no qual "hanc" pode ser traduzida como "esta mesma" em latim. Sob a ótica de Jerônimo, isto deveria ser bastante significativo, pois ele era um "expert" em grego, aramaico e hebraico.Inclusive, foi o apóstolo Paulo quem fundou a maioria das Igreja, é só ler Atos dos Apóstolos. Pedro, ao contrário, atrapalhou muito o crescimento da Igreja. Leia: Gálatas 2:11-15 "Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível. Pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também DISSIMULARAM com ele, de modo que ATÉ Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que NÃO ANDAVAM RETAMENTE conforme a verdade do evangelho, disse a PEDRO perante todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como os judeus, como é que obrigas os gentios a viverem como judeus?"Qualquer um que ler o texto de Mateus 16:18,19 vai ver que a tal PEDRA de que Jesus está falando é ele mesmo, Jesus, a pedra fundamental. Pedro tinha acabado de confessar que Jesus era o Cristo e Jesus disse que sobre esta pedra edificaria a igreja, ou seja, a verdade que Pedro acabara de confessar, Jesus,a pedra fundamental. Porém, a cúpula católica dá uma torcidinha no texto, coisa que eles sabem fazer melhor do que ninguém, e puxam a sardinha para o lado deles. Mas não adianta nada. Deus tá tirando católico a doidado da igreja romana. Todo aquele que foi eleito por Deus vai sair do espiritismo, do catolicismo, do umbandismo, do islamismo, pois as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja de Cristo.É uma contradição uma igreja sobre a qual as portas do Inferno não prevaleceriam que poderia se repousar sobre pequenas pedras ou pequenos blocos rochosos e móveis.Pedro em grego é “petros”, substantivo masculino “petros” em grego=> pequenas pedras ou pequenos blocos rochosos e móveissubstantivo feminino “petra” em grego=> rocha firme e grande.A igreja católica Romana não têm data de fundação, ela é intrusa no CRISTIANISMO.No começo houve a igreja primitiva e não a católica Romana, a igreja católica, que conhecemos hoje, é o resultado de alterações feitas à partir da igreja primitiva. Do Ano 33 ao 196 a igreja primitiva não aceitou nenhuma doutrina anti-bíblica. Até a Segunda metade do Século II, nenhum documento afirmava expressamente a estada e martírio de Pedro em Roma. Só a partir do Século IV foi que se começou a falar a respeito da possibilidade de Pedro ser a pedra fundamental da Igreja, e isto estava intimamente relacionado com a pretensão exclusivista do Bispo de Roma.Em nemhum momento Pedro confirma sobre si mesmo que ele é a própria rocha, ou a cabeça da igreja, mas pelo contrário ele aponta JESUS como a pedra (1°Pedro 2:4,5,6,7,8-Atos 4:11) e o próprio JESUS neste versículo confirma sobre si como a pedra(Mateus 21:42), e na bíblia têm mto mais referências dos outros apóstolos apontando JESUS como a Pedra ou como a cabeça da igreja.A palavra católico vem do grego katholikos, que quer dizer “universal”. No nome catolicismo romano já observamos uma contradição:Católico significa universal; romano significa particular.O Catolicismo começou a ganhar forma quando no ano 325 o Imperador Romano Constantino, convertido ao Cristianismo construiu a igreja do Salvador e os Papas passaram a ocupar um palácio oferecido por Fausta. – No século XV demoliram a igreja do Salvador para dar lugar à Basílica de São Pedro.Segundo historiadores o que fortaleceu o poder papal foi as "Pseudas Decretas De Isidoro", estes falsos documentos exaltavam o poder dos papas,no qual alegavam que haviam estado por "séculos na igreja".Essa mentira foi descoberta depois da morte do Papa Nicolau I anos 858-67, (citado por Halley, Pochet Bible Handbook pág. 685).A palavra "papa" significa pae, até o ano 500 todos os bispos ocidentais foram chamados assim: aos poucos, restringiram esse tratamento aos bispos de Roma, que valorizados, entenderam que a Capital do império desfeito deveria ser Sede da Igreja. Na minha bíblia não diz "sobre ti".O que tem é o que segue: Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.E acho que quando Ele disse "sobre esta pedra", ele estava apontando para Ele mesmo. Entende?!Jesus ficou contente porque Pedro não julgou os ensinamentos (hoje evangelhos) como coisa da carne, da inteligência ou ciência humanas, mas entendeu pelo espírito, uma vez que declarou que Jesus Cristo é o filho do Deus vivo. Na mesmo hora Chamou Simão Barjonas de Pedro e informou que sobre a pedra que é o filho de Deus vivo edificaria sua igreja. Esta é a pedra do sonho revelado por Daniel, onde os minerais preciosos representam os reinos que viriam (à época) os quais já passamos e vimos que realmente assim suscedeu. Até chegarmos ao ferro e barro que é o governo fraco e o povo misturados, onde jesus virá para o juízo final."Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou." (Daniel 2 : 34). "Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se tornou grande monte, e encheu toda a terra." (Daniel 2 : 35). "Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação." (Daniel 2 : 45).  Assim diz o novo testamento, também:
"Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Esta foi posta por cabeça de esquina;" (Marcos 12 : 10).  "Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido." (I Pedro 2 : 6).
 
Concílio de Trento, Sessão IV de 8 de Abril de 1546 D.C.
A ninguém é lícito interpretar a própria Escritura contra este sentido nem contra o sentir unânime dos Padres.."
Concílio Vaticano I, 1870 D.C.
Por outro lado, é sabido que Mateus 16:18,19 é um texto crucial na justificação bíblica dos dogmas que estabelecem o bispo de Roma como Cabeça visível da Igreja.   Encontrei textos de 30 Padres da Igreja, que expressam 40 opiniões sobre o texto em questão; a diferença nos números de autores e no de opiniões se deve a que alguns Padres, especialmente Jerónimo e Agostinho, expressam mais de uma interpretação nos seus diferentes escritos.  A interpretação mais comum nos Padres é que a pedra sobre a qual é edificada a Igreja não é Pedro pessoalmente, mas a fé ou confissão que faz Pedro sobre sua fé em Cristo.  Alinham-se nesta postura Ambrosiáster, Paulo de Constantinopla, Hilário de Poitiers, Atanásio de Alexandria, Basílio o Grande, Gregório de Nissa, Ambrósio de Milão, Dídimo o Cego, Epifánio de Salamis, João Crisóstomo, Paládio de Helenópolis, Agostinho de Hipona, Cirilo de Alexandria, Isidoro de Pelúsio, Teodoreto de Ciro e Basílio de Selêucia, um total de 16 Padres.A isto podem acrescentar-se as interpretações que consideram "pedras" todos os verdadeiros discípulos de Cristo porque eles confessam o mesmo que Pedro, e aqui encontramos Orígenes, Ambrósio de Milão e Agostinho de Hipona, o que leva o total a 20.
 
A segunda interpretação em frequência é a que considera a Pedra como o próprio Cristo.
É defendida por Tertuliano de Cartago, Afraates o Sírio, Tiago de Nisbis, Eusébio de Cesareia, João Crisóstomo, Jerónimo, Agostinho de Hipona, Cassiodoro, Isidoro de Sevilha, Beda o Venerável e João de Damasco. Isto faz um total de 11 Padres.Uma opinião minoritária diz que a Pedra são todos os Apóstolos (Jerónimo e Isidoro de Sevilha).Outra, elaborada por Cipriano de Cartago, vê no episcopado universal a pedra sobre a qual se fundamenta a Igreja.Num dos seus polémicos escritos, Tertuliano de Cartago afirmou que Pedro e somente ele, pessoalmente, é a pedra.
 
Não consegui encontrar a opinião de que Pedro e seus sucessores na figura dos bispos de Roma sejam a pedra na literatura patrística antes de finais do século IV.
Dois Padres de tal época que podem invocar-se a favor desta posição são Jerónimo e Agostinho. No entanto, é interessante que o primeiro a expresse numa carta dirigida precisamente ao bispo de Roma, e o segundo numa carta escrita a propósito de uma ameaça de cisma.Além disso, em outros de seus escritos, Jerónimo expressa que a Pedra é o próprio Cristo, ou que se tratava de Pedro e dos demais Apóstolos.Também Agostinho, nos seus Sermões e Exposições diz que:
(1) Pedro era a pedra como figura de toda a Igreja, ou seja que, na sua fé e também na sua fraqueza, representava todos os que compõem o Corpo de Cristo.
(2) Que a pedra era Pedro, enquanto permanecesse na fé, Salmo 45:14
(3) Que a pedra era a confissão de Pedro.
(4) Que a Pedra era o próprio Cristo, Salmo 61:3
De modo que o ilustre bispo de Hipona e Doutor da Igreja não parece ter tido uma interpretação única deste versículo.Em suma, o único dos Padres que de maneira consistente sustenta que a pedra era Pedro pessoalmente e seus sucessores na pessoa dos bispos de Roma, é precisamente um bispo de Roma, Leão Magno, em meados do século V.    Portanto, parece difícil evitar a conclusão de que neste caso em particular, a interpretação oficial católica não conta, nem de perto, com o consenso unânime dos Padres.
A única razão que pode aduzir-se é que o Magistério hoje crê nela. Ou seja, deve ser verdadeira, apenas porque Roma o diz e, como todos sabem, "ela não pode equivocar-se".
 
Mateus 16:18 nos Padres dos séculos II e III
Tertuliano de Cartago (160-220 D.C)
Se, por o Senhor ter dito a Pedro, «Sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja», «a ti eu te dei as chaves do reino celestial», ou «qualquer coisa que ligares ou desligares na terra, será ligada ou desligada nos céus», tu portanto supores que o poder de ligar e desligar derivou para ti, ou seja, para toda a Igreja semelhante a Pedro, que tipo de homem és, subvertendo e mudando totalmente a intenção manifesta do Senhor, conferindo (como foi a sua intenção) isto pessoalmente a Pedro? «Sobre ti», diz, «eu edificarei a minha Igreja»; e «Eu te darei as chaves a ti», não à Igreja; e «o que desligares ou ligares», não o que «eles desligarem ou ligarem». Pois assim adicionalmente ensina o resultado. No próprio (Pedro) a Igreja foi criada; isto é, através do próprio (Pedro); ele próprio testou a chave; tu vês qual: «Homens de Israel, deixai que o que digo penetre nos vossos ouvidos: Jesus Nazareno, homem destinado por Deus para vós», e assim. O próprio (Pedro), portanto, foi o primeiro a abrir, no baptismo de Cristo, a entrada para o reino celestial, no qual são desligados os pecados que estavam antes ligados; e aqueles que não foram desligados são ligados, segundo a verdadeira salvação...
Sobre a Modéstia
Outra vez, Ele muda o nome de Simão para Pedro ... Mas, porquê Pedro? Se fosse pelo vigor da sua fé, havia muitos materiais sólidos que poderiam emprestar o seu nome por causa da sua força. Foi porque Cristo era uma rocha e uma pedra? Pois lemos que foi posto «como pedra de tropeço e rocha de escândalo».
Contra Marcião
Orígenes de Alexandria (D.C 185-254)
E se nós também dissermos como Pedro, «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo», não como se carne e sangue no-lo tivesse revelado, mas pela luz do Pai nos céus tendo resplandecido no nosso coração, nos tornamos um Pedro, e a nós nos poderia dizer o Verbo, «Tu és Pedro», etc. Pois é uma pedra cada discípulo de Cristo de quem beberam aqueles que beberam da pedra espiritual que os seguia, e sobre cada pedra assim é edificada cada palavra da Igreja, e o governo de acordo com ela; pois em cada um dos perfeitos, que têm a combinação de palavras e actos e pensamentos que preenchem a bem-aventurança, é a Igreja edificada por Deus.
Comentário sobre Mateus, 10
A promessa dada a Pedro não é restrita a ele, mas aplicável a todos os discípulos como ele.  Mas se supões que sobre este Pedro somente toda a Igreja é edificada por Deus, que dirias sobre João o filho do trovão ou de cada um dos Apóstolos? Atrever-nos-emos, de outro modo, a dizer que contra Pedro em particular não prevalecerão as portas do Hades, mas que prevalecerão contra os outros Apóstolos e os perfeitos? Acaso o dito anterior, «as portas do Hades não prevalecerão contra ela», não se sustém em relação a todos e no caso de cada um deles? E também o dito, «Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja?» São as chaves do reino dos céus dadas pelo Senhor só a Pedro, e nenhum outro dos bem-aventurados as receberá? Mas se esta promessa, «Eu te darei as chaves do reino dos céus» é comum aos outros, como não o serão também todas as coisas de que anteriormente se falou, e as coisas que estão subordinadas como tendo sido dirigidas a Pedro, ser comuns a eles? Pois neste lugar estas palavras parecem ter sido dirigidas somente a Pedro ... Mas no Evangelho de João, o salvador tendo dado aos discípulos o Espírito Santo soprando sobre eles, disse, «Recebei o Espírito Santo»...«Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». E se alguém diz isto a Ele ... obterá as coisas que foram faladas conforme a letra do Evangelho àquele Pedro, porém, como o espírito do Evangelho ensina, a todo o que se torna tal como era Pedro. Pois carregam o sobrenome de «pedra» todos os que são imitadores de Cristo, isto é, da pedra espiritual que seguiu os que estavam sendo salvos, para que possam beber dela na seca espiritual. Mas estes carregam o sobrenome da pedra tal como o faz Cristo. Mas também como membros de Cristo que derivam o seu sobrenome d`Ele eles são chamados cristãos, e da pedra, Pedros.  E também em relação aos Seus outros nomes, os aplicarás a modo de sobrenome aos santos; e a todos os tais se lhes pode dizer a declaração de Jesus: «Tu és Pedro», etc., até às palavras [não] «prevalecerão contra ela». Mas o que é «ela»? É a pedra sobre a qual Cristo edifica a Igreja, ou é a própria Igreja? Pois a frase é ambígua. Ou é como se a pedra e a Igreja fossem uma mesma coisa? Eu penso que isto é o correcto; pois nem contra a pedra sobre a qual Cristo edifica a Igreja, nem contra a Igreja, prevalecerão as portas do Hades...
Comentário sobre Mateus 12
Cipriano de Cartago (D.C 200- 258)
Nosso Senhor, cujos preceitos e admoestações devemos observar, descrevendo a honra de um bispo e a ordem da Sua Igreja, fala no Evangelho, e diz a Pedro: «Eu te digo, que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E te darei as chaves do reino do céu, e o que ligares na terra, será ligado no céu, e o que desligares na terra, será desligado no céu». Daí, através das mudanças de tempos e sucessões, a ordenação de bispos e o plano da Igreja flui para diante; de modo que a Igreja está fundada sobre os bispos, e cada acto da Igreja está controlado por estes mesmos governantes. E o Senhor também no Evangelho, quando os discípulos o abandonaram enquanto ele falava, voltando-se para os doze, disse «também vós vos ireis?»; então Pedro lhe respondeu: «Senhor, para quem iremos? Tu tens a palavra da vida eterna; e cremos, e estamos seguros, de que és o Filho do Deus vivo». Aqui fala Pedro, sobre quem a Igreja havia de ser edificada, ensinando e mostrando no nome da Igreja, que ainda que uma rebelde e arrogante multidão daqueles que não querem ouvir nem obedecer possa afastar-se, ainda assim a Igreja não se afastará de Cristo; e são a Igreja aqueles que formam um povo unido ao sacerdote, e o rebanho que adere ao seu pastor.  O Senhor disse a Pedro: Digo-te (disse Ele) que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves do reino do céu, e o que ligares na terra, será ligado no céu, e o que desligares na terra, será desligado no céu (Mateus 16:18-19). A ele de novo, depois da Sua ressurreição, lhe diz: Alimenta as minhas ovelhas. E embora a todos os Apóstolos, depois da Sua ressurreição, tenha dado um igual poder, e diga, "Como o meu Pai me enviou, assim também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (João 20:21); - todavia, para manifestar unidade, Ele por sua própria autoridade providenciou a origem dessa unidade, ao começar de um. Certamente os outros Apóstolos também eram o que era Pedro, dotados de um igual companheirismo de honra e poder; mas o começo procede da unidade. Uma Igreja que, também, no Cântico dos Cânticos, o Espírito Santo designa na pessoa de nosso Senhor, e diz: "Uma é a minha pomba, a minha imaculada; ela é a única de sua mãe, eleita dela que a concebeu" (Cantares 9:6).
Sobre a unidade da Igreja
Mateus 16:18 nos Padres do século IV
Afraates o Sírio (princípios do século IV)
A fé ... é como um edifício que é edificado de muitas peças de artesanato e assim a sua construção se levanta até ao topo. E sabei, meus amados, que nos fundamentos do edifício são colocadas pedras, e assim descansando sobre pedras, toda a construção se levanta até ser aperfeiçoada. Assim também a verdadeira Pedra, nosso Senhor Jesus Cristo, é o fundamento de toda a fé. E sobre Ele, sobre (esta) Pedra, se baseia a fé. E descansando sobre a fé toda a estrutura se levanta até ser completada. Pois é o fundamento que constitui o princípio de todo o edifício. Pois quando alguém é trazido para a fé, é colocado por ele sobre a Pedra, ou seja nosso Senhor Jesus Cristo. E o Seu edifício não pode ser abalado pelas ondas, nem danificado pelos ventos. Pelos embates da tormenta não cai, porque a sua estrutura está levantada sobre a rocha da verdadeira Pedra. E quando chamei Cristo a Pedra, não falei o meu próprio pensamento, mas os Profetas o chamaram de antemão a Pedra.E agora ouvi o respeitante à fé que se baseia sobre a Pedra, e o respeitante à estrutura que se levanta sobre a Pedra ... Assim também que o homem que se torna uma casa, sim, uma morada para Cristo, preste atenção ao que é necessário para o serviço de Cristo, que se aloja nele, e com que coisas pode agradar-lhe. Pois primeiro ele constrói o seu edifício sobre a Pedra, a qual é Cristo. Sobre Ele, sobre a pedra, é edificada a fé ... Todas estas coisas demanda a fé que se baseia na rocha da verdadeira Pedra, ou seja Cristo. E se porventura dissesses: «Se Cristo está posto por fundamento, como é que Cristo também mora no edifício quando este se completa?» Pois o bendito Apóstolo disse ambas as coisas. Pois disse: «Eu como perito arquitecto pus o fundamento». E aí ele definiu o fundamento e o tornou claro, pois disse como se segue: «Nenhum homem pode pôr outro fundamento senão o que está posto, o qual é Cristo Jesus» ... E portanto se cumpre aquela palavra, que Cristo mora nos homens, a saber, naqueles que crêem n`Ele, e Ele é o fundamento sobre o qual se levanta todo o edifício.
Demonstrações Selectas
Tiago de Nisbis (princípios do século IV)
A fé é composta e compactada de muitas coisas. É como um edifício, porque é construída e completada em muita esperança. Não ignoras que se põem grandes pedras nos fundamentos de um edifício, e então tudo o que é edificado em cima tem as pedras unidas entre si, e assim se levanta até que se completa a obra. Assim, de toda a nossa fé, nosso Senhor Jesus Cristo é o firme e verdadeiro fundamento; e sobre esta pedra é estabelecida a nossa fé. Portanto, quando alguém chega à fé, é posto sobre uma pedra firme, a qual é o nosso Senhor Jesus Cristo. E, quanto a chamar a Cristo uma pedra, não digo nada por mim mesmo, pois os profetas o chamaram antes uma pedra.
Sermão 1, Sobre a Fé
Ambrosiáster (século IV)
Paulo escreve sobre as ordens eclesiásticas; aqui se ocupa dos fundamentos da Igreja. Os profetas prepararam, os apóstolos estabeleceram os fundamentos. Pelo que o Senhor diz a Pedro: «Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja», isto é, sobre a confissão de fé católica estabelecerei em vida os fiéis.
Comentário sobre Efésios
Eusébio de Cesareia (D.C 260-340)
Contudo, não cometerás qualquer erro do âmbito da verdade se supores que «o mundo» é na realidade a Igreja de Deus, e que o seu «fundamento» é em primeiro lugar, aquela inefavelmente sólida pedra sobre a qual está fundada, como diz a Escritura: «Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela»; e em outro lado: «E a pedra era Cristo». Pois, como o Apóstolo indica com estas palavras: «Ninguém pode pôr outro fundamento senão o que está posto, o qual é Cristo Jesus». Então, também, depois do próprio Salvador, podes rectamente julgar que os fundamentos da Igreja são as palavras dos profetas e dos apóstolos, de acordo com a afirmação do Apóstolo: «Edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a pedra angular».
Comentário sobre os Salmos
Paulo de Constantinopla ( Paulo de Emesa, D.C. 350)
Sobre esta fé a Igreja de Deus foi fundada. Com esta expectativa, sobre esta pedra o Senhor Deus colocou os fundamentos da Igreja. Quando, então, o Senhor estava indo para Jerusalém, perguntou aos discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Os apóstolos dizem: «Alguns que Elias, outros que Jeremias, ou um dos profetas». E Ele diz, mas vós, isto é, meus eleitos, vós que me seguistes por três anos, e vistes o meu poder, e milagres, e presenciastes eu andando sobre o mar, que partilhastes a minha mesa, «Quem dizeis que eu sou?» Instantaneamente, o Corifeu dos apóstolos, a boca dos discípulos, Pedro, «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo».
Homilia sobre a Natividade
Hilário de Poitiers (D.C. 315-367)
Uma crença de que o Filho de Deus é Filho só de nome, e não em natureza, não é a fé dos Evangelhos e dos Apóstolos ... por que motivo, eu pergunto, foi que o bendito Simão Bar-Jonas confessou a Ele, Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo? ... Se Ele era Filho por adopção, onde assenta a bem-aventurança da confissão de Pedro, que ofereceu um tributo ao Filho para o qual, neste caso, Ele não tinha mais direito que qualquer membro da comunidade dos santos? A fé do Apóstolo penetrou numa região fechada ao raciocínio humano... E esta é a pedra da confissão sobre a qual a Igreja é edificada ... que Cristo não deve ser somente nomeado, mas crido, como Filho de Deus.
Sobre a Trindade
Esta fé é aquela que é o fundamento da Igreja; através desta fé as portas do inferno não podem prevalecer contra ela. Esta é a fé que tem as chaves do reino dos céus. Qualquer coisa que esta fé desatar ou ligar na terra será desatada ou ligada no céu ... A razão pela qual ele é bendito é que confessou o Filho de Deus. Esta é a revelação do Pai, este é o fundamento da Igreja, esta é a segurança da permanência dela. Daí que ela tem as chaves do reino dos céus, daí o juízo no céu e o juízo na terra...Assim o nosso único inabalável fundamento, a nossa única bendita pedra de fé, é a confissão da boca de Pedro, Tu és o Filho do Deus vivo. Sobre ela podemos basear uma resposta a toda objecção com que o engenho pervertido ou a amarga traição possam atacar a verdade.
Atanásio de Alexandria (D.C.297- 373)
Por isso devemos buscar antes de todas as coisas, se Ele é Filho, e sobre este ponto esquadrinhar especialmente as Escrituras; pois foi isto, quando os apóstolos foram interrogados, que Pedro respondeu, dizendo: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo" ... esta é a verdade e o princípio soberano da nossa fé ... E como Ele é um fundamento, e nós pedras edificadas sobre ele ... A Igreja está firmemente estabelecida; está fundada sobre a pedra, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela ... E porque esta é a fé da Igreja, que eles de alguma maneira entendam que o Senhor enviou os Apóstolos e lhes mandou fazer disto o fundamento da Igreja.
Quatro Cartas a Serapião
Basílio o Grande (D.C. 330-379)
E a casa de Deus, situada nos cumes das montanhas, é a Igreja segundo a opinião do Apóstolo. Pois ele diz que deve-se saber «como comportar-se na casa de Deus». Ora, os fundamentos desta Igreja estão sobre as montanhas sagradas, uma vez que está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Uma destas montanhas era certamente Pedro, sobre cuja pedra o Senhor prometeu edificar a sua Igreja. Verdadeiramente por certo e por maior direito são as almas sublimes e elevadas, almas que se elevam acima das coisas terrenais, chamadas «montanhas». A alma do bendito Pedro foi chamada uma alta pedra porque ele tinha um forte apoio na fé e suportou constante e valentemente os golpes infligidos pelas tentações. Todos, portanto, que adquiriram um entendimento da divindade – por causa da amplitude da mente e das acções que procedem dela - são os cumes das montanhas, e sobre eles é edificada a casa de Deus.
Comentário sobre o Profeta Isaías, 2:66
Gregório de Nissa (D.C.330-395)
A calidez dos nossos louvores não se estende a Simão [Pedro] enquanto ele era um pescador; antes se estende à sua firme fé, a qual é ao mesmo tempo o fundamento de toda a Igreja.
Panegírico sobre Santo Estêvão
Ambrósio de Milão (D.C. 337-397)
A fé, pois, é o fundamento da Igreja, pois não foi dito da carne de Pedro (da sua pessoa), mas da sua fé, que «as portas do Hades não prevaleceriam contra ela» ... Faz um esforço, portanto, para ser uma pedra! Não procures a pedra fora de ti, mas dentro de ti! A tua pedra é a tua obra, a tua pedra é a tua mente. Sobre esta pedra é edificada a tua casa. A tua pedra é a tua fé, e a fé é o fundamento da Igreja. Se fores uma pedra, estarás na Igreja, porque a Igreja está sobre uma pedra. Se estiveres na Igreja as portas do inferno não prevalecerão contra ti.
Dídimo o Cego (D.C. 318-398)
Quão poderosa é a fé de Pedro e a sua confissão de que Cristo é o Deus unigénito, o Verbo, o verdadeiro Filho de Deus, e não meramente uma criatura. Embora ele tenha visto a Deus sobre a terra vestido de carne e sangue, Pedro não duvidou, pois estava disposto a receber o que «carne e sangue não te revelaram». Mais, reconheceu o consubstancial e coeterno renovo de Deus, glorificando deste modo aquela raiz incriada, aquela raiz sem começo, a qual lhe havia revelado a verdade. Pedro creu que Cristo era uma mesma deidade com o Pai; e assim foi chamado bendito por aquele que é só ele o bendito Senhor. Sobre esta pedra a Igreja foi edificada, a Igreja à qual as portas do inferno –isto é, os argumentos dos hereges - não vencerão.
Epifánio de Salamis (D.C. 315-403)
Isto é, antes de tudo, porque ele confessou que «Cristo» é «o Filho do Deus vivo», e se lhe disse, «Sobre esta pedra da fé segura edificarei a minha Igreja» - pois ele claramente confessou que Cristo é o verdadeiro Filho.
João Crisóstomo (D.C. 347-407)
Portanto Ele acrescentou isto, «E eu digo-te, tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; isto é, sobre a fé da sua confissão ... Pois Cristo não acrescentou nada mais a Pedro, mas como se a sua fé fosse perfeita, disse, que sobre esta confissão Ele edificaria a Igreja, porém no outro caso [João 1:49-50] não fez nada parecido, mas o contrário ...
Homilias sobre o Evangelho de João 21:1
O seu significado [1 Cor 3:11] é este: Preguei a Cristo, vos entreguei o fundamento. «Pois nenhum outro fundamento pode um homem pôr, senão aquele que está posto». Sobre este então edifiquemos, e como um fundamento adiramos a ele, como um ramo a uma vinha; e que não haja distância entre nós e Cristo.
Homilias sobre 1 Coríntios 8:11
Mateus 16:18 nos Padres do século V
Jerónimo (D.C. 342-420)
Contudo, ainda que a tua grandeza me aterre, a tua amabilidade me atrai. Do sacerdote demando o cuidado da vítima, do pastor a protecção devida às ovelhas ... As minhas palavras são dirigidas ao sucessor do pescador, ao discípulo da cruz. Assim como não sigo outro líder senão Cristo, não comungo com outro senão com vossa bem-aventurança, isto é, com a cátedra de Pedro. Pois esta, eu sei, é a pedra sobre a qual é edificada a Igreja! Esta é a única casa onde o cordeiro pascal pode justamente ser comido. Esta é a arca de Noé, e quem não se encontrar nela perecerá quando prevalecer o dilúvio.
Carta ao papa Dámaso, XV, 2 (NPNF2 6:18)
Se, então, o Apóstolo Pedro, sobre quem o Senhor fundou a Igreja, disse expressamente que a profecia e a promessa do Senhor foram naquele momento e ali cumpridas, como podemos reivindicar outro cumprimento para nós próprios?
Epístola a Marcela
Porém, dizes, a Igreja foi fundada sobre Pedro: ainda que em outro lado o mesmo é atribuído a todos os Apóstolos, e eles recebem todos as chaves do reino do céu, e a força da Igreja depende de todos eles por igual, mas um dentre os doze é escolhido para que estando uma cabeça nomeada, não pudesse haver ocasião para cisma. Mas por que não foi escolhido João, que era virgem? Foi prestada deferência à idade, porque Pedro era o mais velho: alguém que era jovem, quase diria um garoto, não podia ser posto sobre homens de idade avançada; e um bom mestre que estava disposto a tirar toda a ocasião de contenda entre os seus discípulos ... não deve pensar-se que daria motivo de inveja contra o jovem que tinha amado... Pedro é um Apóstolo, e João é um Apóstolo; mas Pedro é somente um Apóstolo, enquanto João é um Apóstolo, e um Evangelista, e um profeta. Um Apóstolo, porque escreveu às Igrejas como mestre; um Evangelista, porque compôs um Evangelho, coisa que nenhum outro dos Apóstolos, excepto Mateus, fez; um profeta, porque viu na ilha de Patmos, onde tinha sido exilado pelo imperador Domiciano como um mártir do Senhor, um Apocalipse contendo os ilimitados mistérios do futuro... O escritor virgem expôs mistérios que não pôde expor o casado, e para resumir brevemente tudo e mostrar quão grande foi o privilégio de João, a Mãe virgem foi confiada pelo Senhor virgem ao discípulo virgem.
Contra Joviniano I
O único fundamento que o arquitecto apostólico pôs é nosso Senhor Jesus Cristo. Sobre este estável e firme fundamento, que foi depositado sobre terreno sólido, é edificada a Igreja de Cristo ... Pois a Igreja foi fundada sobre uma pedra ... sobre esta pedra o Senhor estabeleceu a sua Igreja; e o Apóstolo Pedro recebeu o seu nome desta pedra (Mt 16,18) ... Ela, que com uma firme raiz está fundada sobre a pedra, Cristo, a Igreja católica, é a única pomba; ela se ergue como a perfeita, e perto da Sua mão direita, e nada sinistro tem nela ... A pedra é Cristo, que concedeu aos seus apóstolos que eles também fossem chamados pedras, «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja».
Comentário sobre Mateus 7:25
Paládio de Helenópolis (D.C. 365-425)
«Vós, porém, quem dizeis que eu sou?» Nem todos responderam, mas somente Pedro, interpretando a mente de todos: «Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo». O Salvador, aprovando a correcção desta resposta, falou, dizendo: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra» - isto é, sobre esta confissão - «edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela».
Diálogo sobre a vida de João Crisóstomo
Nilo de Ancira (D.C. 430)
Se, além disso, um homem do Senhor é significado, o primeiro a ser comparado com o ouro seria Cefas, cujo nome é interpretado «pedra». Este é o mais alto dos Apóstolos, Pedro, também chamado Cefas, que forneceu na sua confissão de fé o fundamento para a edificação da Igreja.
Comentário sobre o Cântico dos Cânticos (1693)
Agostinho de Hipona (D.C. 354-430)
Pois se a sucessão linear de bispos for tomada em conta, com quanto mais certeza e benefício para a Igreja podemos contar para trás até chegarmos ao próprio Pedro, a quem, como transportando numa figura toda a Igreja, o Senhor disse: «Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela»! O sucessor de Pedro foi Lino, e os seus sucessores numa continuidade inquebrantada foram estes...O Evangelho que acaba de ser lido … nos dá a entender que o mar é o mundo presente, e o Apóstolo Pedro o tipo da única Igreja. Pois Pedro, primeiro na ordem dos Apóstolos, e no amor de Cristo mais avançado, responde muitas vezes sozinho por todo o resto. De novo, quando o Senhor Jesus Cristo perguntou, "Mas quem dizeis vós que eu sou?" Pedro respondeu "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Um deu a resposta por muitos, Unidade na multiplicidade. Então lhe disse o Senhor, "Bendito és tu, Simão Bar-Jonas, porque carne e sangue não to revelou, mas meu Pai que está no céu". Então acrescentou "E eu te digo a ti". Como se Ele tivesse dito, "Porque tu mo disseste a mim, «és o Cristo, o Filho do Deus vivo», eu também te digo «Tu és Pedro»". Pois antes ele era chamado Simão. Ora, este nome de Pedro lhe foi dado pelo Senhor, e isso numa figura, que deveria significar a Igreja. Pois vendo que Cristo é a Pedra (Petra), Pedro é o povo cristão. Pois a pedra (Petra) é o nome original. Portanto, Pedro é chamado assim a partir da pedra, não a pedra a partir de Pedro; como Cristo não é chamado Cristo a partir do cristão, mas o cristão a partir de Cristo. "Portanto", disse, "tu és Pedro; e sobre esta Pedra" que tu confessaste, sobre esta Pedra que reconheceste, dizendo "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, edificarei a minha Igreja;" ou seja sobre Mim, o Filho do Deus vivo, "edificarei a minha Igreja." Eu te edificarei a ti sobre mim, não a mim sobre ti.   A seguir Agostinho trata do incidente registado uns poucos versículos mais à frente, em Mateus 16:22 onde quando o Senhor anuncia a sua paixão, Pedro tenta persuadi-lo, e Jesus lhe diz "Para trás de mim, Satanás, porque me serves de tropeço". O bispo de Hipona prossegue: Distingamos, vendo-nos a nós próprios neste membro da Igreja, o que é de Deus e o que é nosso. Pois então não vacilaremos, então estaremos fundados sobre a Pedra, então estaremos fixos e firmes contra os ventos, e tormentas, e correntes, as tentações, quero dizer, deste mundo presente. No entanto vede este Pedro, que era então nossa figura; ora confia, ora vacila; ora confessa o Imortal, ora teme que Ele morra. Porquê? Porque a Igreja de Cristo tem tanto fracos como fortes ... Quando Pedro disse "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" representa os fortes; mas quando vacila, e não admite que Cristo possa sofrer, ao temer a morte d`Ele, e não reconhece a vida, ele representa os fracos da Igreja. Naquele único Apóstolo então, ou seja, Pedro, na ordem dos Apóstolos primeiro e principal, em quem a Igreja estava figurada, ambos os tipos estavam representados, ou seja, tanto os fortes como os fracos; porque a Igreja não existe sem ambos.  Cristo, como vês, edificou a sua Igreja não sobre um homem mas sobre a confissão de Pedro. Qual é a confissão de Pedro? «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». Aqui está a pedra para ti, aqui está o fundamento, aqui é onde a Igreja foi edificada, a qual as portas do inframundo não podem conquistar.  Daí que Ele admoeste assim a Pedro quando este lhe deu mau conselho. Pois o Senhor, quando estava prestes a sofrer pela nossa salvação, também anunciou o que haveria de ocorrer relativamente a essa mesma Paixão; e Pedro diz, «Longe esteja isto de Ti!, Deus não o permita!, Isto não acontecerá!» ... Mas o Senhor, para fazer que não fosse à frente d`Ele, mas seguindo após Ele, diz, «Para trás de mim, Satanás!» É por esta razão que disse «Satanás», porque estás pretendendo ir à frente d`Ele, a quem deves seguir; mas se estiveres atrás, se o seguires a Ele, não serás daqui em diante «Satanás». E daí? «Sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja».
Exposições sobre Salmos 40:24
Mas imediatamente quando o Senhor começou a falar da Sua Paixão, ele temeu que perecesse pela morte, enquanto nós próprios pereceríamos se Ele não morresse; e disse: «Longe de ti, ó Senhor, esta coisa não há-de ser feita». E o Senhor, àquele a quem pouco antes tinha dito, «Bendito és tu, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja», lhe disse, «Para trás de mim, Satanás, porque és uma ofensa para mim». Por que então é «Satanás» aquele que pouco antes era «bendito» e uma «Pedra»? «Porque não cuidas das coisas que são de Deus», disse Ele, «mas sim das coisas que são do homem». Um pouco antes ele cuidava das coisas que são de Deus: porque «não to revelou carne nem sangue, mas meu Pai que está nos céus». Quando [Pedro estava] em Deus, louvou o seu discurso, não Satanás mas Pedro, de petra; mas quando [estava] em si mesmo e desde a enfermidade humana, o amor carnal do homem, o qual seria um impedimento para a sua própria salvação, e a do resto, é chamado Satanás. Porquê? Porque pretendia ir à frente do Senhor, e dar conselho terrenal ao Líder celestial... Tu dizes, «Longe esteja» e tu dizes, «Ó Senhor»; certamente se Senhor é Ele, sabe o que faz, sabe o que diz. Mas tu desejas guiar o teu Líder, ensinar o teu mestre, mandar no teu Senhor, escolher por Deus: foste demasiado longe, retrocede...
Exposições sobre Salmos 56:14
Se n`Ele formos tentados, n`Ele podemos vencer o diabo ... «Sobre a Pedra me exaltaste». Agora, pois, aqui percebemos quem está clamando desde os confins da terra. Tragamos à mente o Evangelho: «Sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Portanto clama desde os confins da terra Ela, que Ele tinha querido que fosse edificada sobre uma Pedra. Mas para que a Igreja pudesse ser edificada sobre a Pedra, quem foi feito tal Pedra? Escuta Paulo dizendo: «Mas a Pedra era Cristo». Sobre Ele portanto fomos edificados. Por esta razão essa Pedra sobre a qual fomos edificados, primeiro foi açoitada com ventos, inundações, chuvas, quando Cristo estava sendo tentado pelo diabo. Vê sobre que firmeza Ele quis estabelecer-te. Com razão a nossa voz não é em vão, mas é ouvida com atenção: pois em grande esperança fomos firmados: «Sobre a Pedra me exaltaste».
Exposições sobre Salmos 61:3
Cirilo de Alexandria
Mas por que dizemos que eles são «fundamentos da terra»? Pois Cristo é o fundamento e a base inabalável de todas as coisas ... Mas os seguintes fundamentos, aqueles mais próximos de nós, pode entender-se que são os apóstolos e evangelistas, aquelas testemunhas oculares e ministros da Palavra que foram levantados para o fortalecimento da fé. Pois quando reconhecemos que as suas próprias tradições devem ser seguidas, servimos a uma fé que é verdadeira e não se desvia de Cristo. Pois quando [Pedro] sábia e irrepreensivelmente confessou a sua fé a Jesus dizendo, «Tu és Cristo, Filho do Deus vivo», Jesus disse ao divino Pedro, «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja». Ora, pela palavra «pedra» Jesus indicou, penso eu, a inamovível fé do discípulo...
Comentário sobre Isaías 4:2
«E eu digo-te, tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela». O apodo, creio, chama a nada mais senão à inabalável e mui firme fé do discípulo «uma pedra», sobre a qual a Igreja foi fundada e feita firme e permanece continuamente inexpugnável mesmo em relação às próprias portas do inferno.
Isidoro de Pelúsio
Cristo, que esquadrinha os corações, perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que eu, o Filho do Homem, sou?». Não porque não soubesse as diversas opiniões dos homens acerca de Ele próprio, mas estava desejoso de ensinar a todos a mesma confissão que Pedro, inspirado por Ele, pôs como a base e fundamento, sobre a qual o Senhor edificou a sua Igreja.
Teodoreto de Ciro (D.C.393- c. 458)
Que ninguém nesciamente suponha que o Cristo é qualquer outro senão o Filho unigénito. Não nos imaginemos mais sábios que o dom do Espírito. Escutemos as palavras do grande Pedro, «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». Escutemos o Senhor Cristo confirmando esta confissão, pois «Sobre esta pedra», diz, «edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela». Portanto também o sábio Paulo, excelentíssimo arquitecto das igrejas, não fixou outro fundamento senão este. «Eu», diz, «como sábio arquitecto pus o fundamento, e outro edifica sobre ele. Mas que cada um veja como edifica sobre ele. Pois nenhum homem pode pôr outro fundamento senão o que está posto, o qual é Jesus Cristo». ... Portanto nosso Senhor Jesus Cristo permitiu ao primeiro dos apóstolos, cuja confissão Ele tinha fixado como uma espécie de alicerce e fundamento da Igreja, que vacilasse, e que o negasse, e então o levantou de novo ... Certamente ele está chamando à fé piedosa e à confissão verdadeira uma «pedra». Pois quando o Senhor perguntou aos seus discípulos quem dizia o povo que ele era, o bendito Pedro falou, dizendo «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo». Ao que o Senhor respondeu: «Em verdade, em verdade te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela».
Comentário ao Cântico dos Cânticos, 2:14.
Basílio de Seleucia (D.C. cerca de 459)
Em obediência a língua de Pedro se pôs em movimento e apesar de ignorante da doutrina, forneceu uma resposta: «Tu és Cristo, Filho do Deus vivo»... Ora Cristo chamou a esta confissão uma pedra, e nomeou quem a confessou «Pedro», percebendo a alcunha como apropriada para o autor desta confissão. Pois esta é a pedra solene da religião, esta é a base da salvação, esta é o muro da fé e o fundamento da verdade: «Pois ninguém pode pôr outro fundamento senão o que está posto, o qual é Cristo Jesus».
Leão I Magno (D.C. 440-461)
Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador da humanidade, instituiu a observância da religião divina, a qual Ele quis que pela graça de Deus derramasse o seu brilho sobre todas as nações e todos os povos de tal forma que a Verdade, que antes estava confinada ao anúncio da Lei e dos Profetas, pudesse através do som da trombeta dos Apóstolos sair para a salvação de todos os homens, como está escrito: «Por toda a terra saiu o som deles, e as suas palavras até os confins do mundo». Mas este sacramento misterioso o Senhor desejou que fosse a ocupação de todos os Apóstolos, mas de tal forma que Ele pôs o cargo principal no bendito Pedro, chefe de todos os Apóstolos; e dele como da Cabeça deseja que os seus dons fluam para todo o corpo; de modo que qualquer um que se atreve a separar-se da sólida pedra de Pedro possa entender que não tem parte nem porção no mistério divino. Pois Ele desejou que aquele que tinha sido recebido em companheirismo na Sua unidade indivisa que fosse nomeado como Ele próprio o foi, quando disse: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»; para que a edificação do templo eterno pelo dom maravilhoso da graça de Deus pudesse descansar sobre a sólida pedra de Pedro: fortalecendo a Sua Igreja tão certamente que nem a precipitação humana poderá assaltá-la, nem as portas do inferno poderão prevalecer contra ela. Mas esta santíssima firmeza da pedra, levantada, como dissemos, pela mão edificadora de Deus, um homem tem de desejar destrui-la em extrema impiedade quando tenta quebrar o poder dela, favorecendo os seus próprios desejos, e não seguindo o que ele recebeu dos antigos...
Epístola aos bispos da Província de Viena
E quando eles registaram as várias opiniões de outras pessoas, Ele disse, «Mas vós, quem dizeis que eu sou?» ... Perante isto o bendito Pedro, cuja confissão divinamente inspirada estava destinada a beneficiar todas as nações, disse, «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo». E não imerecidamente foi ele declarado bendito pelo Senhor, tomando da pedra angular principal a solidez do poder que o seu nome também expressa, ele, que, através da revelação do Pai, confessou-lhe ser ao mesmo tempo Cristo e Filho de Deus...
Carta a Flaviano 28
E se Eutiques tivesse crido isto inteligente e totalmente, nunca se teria retirado do caminho desta Fé. Pois Pedro recebeu esta resposta do Senhor por sua confissão: «Bendito és tu, Simão Bar-Jonas; pois carne e sangue não to revelou, mas meu Pai que está no céu. E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela». Mas o que tanto rejeita a confissão do bendito Pedro como contradiz o Evangelho de Cristo, está muito longe da união com este edifício; pois se mostra a si mesmo como nunca tendo tido nenhum zelo para entender a Verdade, e ter apenas a aparência vazia de alta estima, que não adornou as cãs da velhice com algum juízo maduro do coração.
Carta ao Sínodo de Éfeso 33
Uma vez que, portanto, a Igreja universal tornou-se uma pedra (petra) através da edificação da Pedra original, e o primeiro dos Apóstolos, o beatíssimo Pedro, ouviu a voz do Senhor dizendo, «Tu és Pedro, e sobre esta pedra (petra) edificarei a minha Igreja», quem é que se atreve a assaltar tal fortaleza inexpugnável, a não ser o anticristo ou o diabo, que, permanecendo inconverso na sua impiedade, está ansioso por semear mentiras mediante os vasos da ira que são apropriados para a sua perfídia, enquanto sob o falso nome de diligência pretende estar em busca da Verdade.
Carta a Leão César D.C. 156
E do Seu governo e protecção eterna recebemos também o apoio da ajuda dos Apóstolos, a qual certamente não cessa em sua operação; e a força do fundamento, sobre o qual se levanta toda a superstrutura da Igreja, não se debilita pelo peso do templo que descansa sobre ele. Pois a solidez daquela fé que foi louvada no chefe dos Apóstolos é perpétua; e como permanece o que Pedro creu em Cristo, assim permanece o que Cristo instituiu em Pedro. Pois quando, como se leu na lição do Evangelho, o Senhor perguntou aos discípulos quem criam eles que Ele era, entre as variadas opiniões sustentadas, e o bendito Pedro respondeu, dizendo, «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo», o Senhor diz, «Bendito és tu, Simão Bar-Jonas, porque carne e sangue não to revelou, mas meu Pai que está no céu. E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus. E o que ligares na terra, será ligado no céu; e o que desligares na terra, será desligado também no céu».A dispensação da Verdade portanto permanece, e o bendito Pedro perseverando na força da Pedra, que ele recebeu, não abandonou o leme da Igreja, que ele tomou. Pois ele foi ordenado antes do resto de tal forma a ser chamado a Pedra, a ser pronunciado o Fundamento, a ser constituído o Porteiro do reino dos céus, a ser colocado como Árbitro para ligar e desligar, cujos juízos reteriam a sua validade no céu, por todos estes títulos místicos podemos conhecer a natureza da sua associação com Cristo. E ainda hoje ele mais plena e efectivamente desempenha o que lhe está confiado, e realiza cada parte da sua obrigação e encargo n`Ele e com Ele, através de Quem foi glorificado. E assim, se qualquer coisa é rectamente feita e rectamente decretada por nós, se qualquer coisa é ganha da misericórdia de Deus por nossas súplicas diárias, é por sua obra e mérito cujo poder vive e cuja autoridade prevalece na sua Sede. Pois isto, amadíssimos, foi ganho por aquela confissão, a qual, inspirada no coração do Apóstolo por Deus o Pai, transcendeu toda a incerteza das opiniões humanas, e foi dotada com a firmeza de uma pedra, a qual nenhum assalto poderia abalar. Pois em toda a Igreja Pedro diariamente diz: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo», e toda a língua que confessa o Senhor aceita a instrução que a sua voz transmite. Esta Fé conquista o diabo, e rompe as ataduras dos seus prisioneiros. Arranca-nos desta terra e planta-nos no céu, e as portas do Hades não podem prevalecer contra ela. Pois com tal solidez está dotada por Deus que a depravação dos heréticos não pode danificá-la nem a incredulidade dos gentios vencê-la.E justamente foi o bendito Apóstolo Pedro louvado por confessar esta união, que quando o Senhor estava inquirindo o que conheciam d`Ele os discípulos, rapidamente se antecipou ao resto e disse, «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». E isto certamente viu, não pela revelação de carne ou sangue, que poderiam ter dificultado a sua visão interior, mas pelo próprio Espírito do Pai operando no seu coração crente, para que em preparação para governar toda a Igreja ele pudesse primeiro aprender o que haveria de ensinar, e para a solidificação da Fé, a qual estava destinado a pregar, pudesse receber esta garantia, «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela». Esta força, portanto, da Fé cristã, a qual, edificada sobre uma pedra inexpugnável não teme as portas da morte, reconhece o único Senhor Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, acreditando igualmente que ele é o Filho da Virgem, que é o Criador da sua Mãe; nascido também no final dos tempos, embora seja o Criador do tempo; Senhor de todo poder, e ainda assim mortal; ignorante do pecado, e ainda assim sacrificado pelos pecadores à semelhança da carne pecaminosa.
Mateus 16:18 nos séculos VI a IX
Cassiodoro (D.C. 485-580)
«Não será abalada» diz-se acerca da Igreja à qual somente essa promessa foi dada: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela». Pois a Igreja não pode ser abalada porque se sabe que foi fundada sobre a pedra mais sólida, a saber, Cristo o Senhor ... Deste «fundamento», é inferido rectamente Cristo, que é uma pedra inabalável e uma pedra inexpugnável. Acerca disto diz o Apóstolo: «Pois nenhum outro fundamento pode algum homem pôr senão aquele que já está posto, o qual é Cristo Jesus».
Exposições sobre os Salmos 45:5
Gregório I Magno (D.C. - nascido em 540; papa 590-604)
Mas uma vez que não é a minha causa, mas a de Deus, uma vez que as leis piedosas, uma vez que os veneráveis sínodos, uma vez que os próprios mandamentos de nosso Senhor Jesus Cristo são transtornados pela invenção de uma certa orgulhosa e pomposa frase, que seja o piedosíssimo senhor a cortar o lugar da chaga, e prenda o paciente remisso nas cadeias da augusta autoridade. Pois ao atar estas coisas justamente alivias a república; e, enquanto cortas estas coisas, provês o alargamento do teu reinado. Pois a todos os que conhecem o Evangelho lhes é evidente que pela voz do Senhor o cuidado de toda a Igreja foi confiado ao santo Apóstolo e Príncipe de todos os Apóstolos, Pedro. Pois a ele se diz, «Pedro, amas-me? Apascenta as minhas ovelhas». A ele é dito, «Eis que Satanás desejou peneirar-vos como trigo; e eu orei por ti, Pedro, para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, fortalece os teus irmãos». A ele se diz, «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino do céu; e o que ligares na terra será também ligado no céu; e o que desligares na terra, será desligado também no céu».Eis que ele recebeu as chaves do reino celestial, e lhe é dado poder para ligar e desligar, lhe é confiado o cuidado e a principalidade de toda a Igreja, e ainda assim ele não é chamado o Apóstolo universal; enquanto o santíssimo homem, o meu companheiro sacerdote João, pretende ser chamado bispo universal. Estou forçado a gritar e dizer Oh tempos, oh costumes!Eis que todas as coisas nas regiões da Europa são entregues ao poder dos bárbaros, as cidades são destruídas, os campos arrasados, as províncias despovoadas, nenhum lavrador habita a terra, os adoradores de ídolos prevalecem e dominam para a matança dos fiéis, e ainda assim sacerdotes, que deveriam chorar jazendo no chão e em cinzas, buscam para si nomes de vanglória, e se gloriam em títulos novos e profanos.
Defendo eu a minha própria causa neste assunto, piedosíssimo senhor? Ressinto que se me tenha feito mal a mim especialmente? Não, a causa de Deus Omnipotente, a causa da Igreja universal. Quem é este que, contra as ordenanças evangélicas, contra os decretos dos cânones, ousa usurpar para si um novo nome? O teria se realmente por si mesmo fosse, se pudesse ser sem nenhuma diminuição dos outros – ele que cobiça ser universal. E certamente sabemos que muitos sacerdotes da Igreja de Constantinopla caíram na voragem da heresia ... Se então qualquer um nessa Igreja toma para si esse nome, pelo qual se faz a cabeça de todo o bem, segue-se que a Igreja universal cai do seu pedestal (o que não permita Deus) quando aquele que é chamado universal cai. Mas longe dos corações cristãos esteja esse nome de blasfémia, no qual é tirada a honra de todos os sacerdotes, no momento em que é loucamente arrogado para si por um (só).Certamente, em honra de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, foi oferecido pelo venerável sínodo de Calcedónia ao romano pontífice. Mas nenhum deles jamais consentiu usar este nome de singularidade, para que, por algo que se dá peculiarmente a um, os sacerdotes em geral não sejam privados da honra que lhes é devida. Como é que então nós não buscamos a glória deste título mesmo quando é oferecido, e outro ousa arrebatá-lo para si próprio embora não se lhe ofereça?
Epístola 20 a Maurício César, D.C. 170-171
Isidoro de Sevilha, D.C.560-636
Pedro transporta o carácter da Igreja, o qual tem o poder de perdoar pecados e de levar os homens desde o Hades até o reino celestial ... Todos os Apóstolos também transportam o tipo da Igreja inteira, uma vez que eles também receberam um poder igual de perdoar pecados. Eles transportam também o carácter dos patriarcas, os quais pela palavra da pregação espiritualmente engendraram o povo de Deus em todo o mundo ... O homem sábio que edificou a sua casa sobre a pedra significa o mestre fiel, que estabeleceu os fundamentos da sua doutrina e vida sobre Cristo ... Além disso, Cristo é chamado um «fundamento» porque a fé é estabelecida nele, e porque a Igreja católica é edificada sobre ele.
Beda o Venerável, D.C.673-735
Tu és Pedro e sobre esta pedra da qual tomaste o teu nome, ou seja, sobre mim mesmo, edificarei a minha Igreja, sobre essa perfeição de fé que tu confessaste edificarei a minha Igreja de cuja sociedade de confissão se alguém se desviar ainda que em si mesmo pareça fazer grandes coisas, ele não pertence ao edifício da minha Igreja. ... Metaforicamente é dito a ele que a Igreja há-de ser edificada sobre esta pedra, ou seja, o Salvador que tu confessaste, que concedeu participação ao fiel confessor do seu nome.
João de Damasco, D.C 675-749
E Pedro, inflamado por um ardente zelo e incitado pelo Espírito Santo, replicou: «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo». Oh, bendita boca! Perfeitos, benditos lábios! Oh, alma teológica! Mente preenchida por Deus e feita digna pela instrução divina! Oh, divino órgão pelo qual Pedro falou! Justamente és bendito, Simão filho de Jonas ... porque nem carne nem sangue nem mente humana, mas meu Pai no céu revelou esta divina e misteriosa verdade a ti. Pois ninguém conhece o Filho, senão aquele que é conhecido por ele ... Esta é a firme e inamovível fé sobre a qual, como sobre a pedra cujo sobrenome carregas, a Igreja está fundada. Contra esta as portas do inferno, as bocas dos hereges, as máquinas dos demónios – pois eles haverão de atacar - não prevalecerão. Eles pegarão em armas mas não vencerão.
Pascásio Radberto, D.C. 785-860
Há uma resposta de todos sobre os quais a Igreja é fundada e contra os quais as portas do inferno não prevalecerão ... Tão grande fé não surge excepto da revelação de Deus o Pai e da inspiração do Espírito Santo de modo que qualquer um que tenha fé, como uma pedra firme, é chamado Pedro ... Deve notar-se que qualquer um dos fiéis é uma pedra na medida em que é um imitador de Cristo e é luz na medida em que é iluminado pela luz e por isso a Igreja de Cristo está fundada sobre esses na medida em que eles são fortalecidos por Cristo. De modo que não só sobre Pedro mas sobre todos os Apóstolos e os sucessores dos Apóstolos é edificada a Igreja de Deus. Mas estas montanhas são primeiro edificadas sobre a montanha, Cristo, elevada acima de todas as montanhas e colinas .... Esta é certamente a verdadeira e inviolável fé dada a Pedro por Deus o Pai, a qual afirma que se não tivesse havido sempre um Filho não teria havido sempre um Pai, fé sobre a qual a Igreja toda está fundada e permanece firme, crendo que Deus é o Filho de Deus.
Pergunta 4. Demais disso, não teria Paulo invadido o território jurisdicional de Pedro ao enviar uma carta de instruções corretivas àquela Igreja ? Onde estava Pedro que não instruía os romanos sobre a justificação pela fé ?
Pergunta 5. Entre os anos 60-61 Paulo chega preso em Roma (At. 28:11,31), Lucas registra que os irmãos foram vê-lo (At. 28:15). Mas onde estava Pedro que não foi receber seu colega de ministério?
Pergunta  6. Suetonius Tranquillus, pagão, na Biografia do Imperador Cláudio, diz: "Judacos, impulsore Cresto, assidue tumultuantes Roma expulit". Quer dizer: - O Imperador Cláudio expulsou de Roma os Judeus que viviam em contínuas desavenças por causa de um certo Cresto (Cristo). Ora, Cláudio foi Imperador desde o ano de 41 até 54. Logo, durante esses treze anos não era possível que S. Pedro residisse em Roma. No Capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos, lemos que Paulo, depois do célebre discurso no Areópago, seguiu para Corinto, onde se encontrou com Áquila e sua esposa Priscila, recentemente chegados de Itália, pelo motivo de Cláudio Imperador ter mandado sair de Roma a todos os judeus. Ora, este encontro do Apóstolo deu-se no correr da sua segunda viagem apostólica, isto é, entre os anos de 52 a 54. Logo, ainda nesses anos Cláudio não permitia a permanência de judeus em Roma. Como ficaria lá São Pedro, que, como Apóstolo, devia necessariamente chamar a atenção geral sobre sua pessoa?
Pergunta 7. Se Pedro estivesse em Roma no ano 60 como se afirma a tradição, como então deve se entender as palavras de Jesus a Paulo em Atos 23:11 que diz: "Importa que dês testemunho de Mim também em Roma." Ora, onde estava Pedro "o Papa" da cristandade que não tornava conhecido o nome de Jesus nesta cidade ?
Pergunta 8. Paulo foi a Roma a primeira vez prisioneiro, em virtude de haver apelado para o Tribunal de César, pelos anos de 60 ou 61, lá não encontrando cristãos entre os judeus. Ora, se S. Pedro estivesse em Roma pregando exclusivamente aos judeus como nos garante Eusébio, como se pode explicar a ignorância dos principias judeus de Roma, que disseram a Paulo: "Quereríamos ouvir da tua boca o que pensas, porque o que nós sabemos desta Seita (dos Cristãos) é que em toda parte a combatem". Então Pedro, durante dezoito anos, poderia permanecer desconhecido dos principais judeus de Roma? Ele, a quem fora confiado o Ministério aos circuncidados no dizer de Paulo (Gal. 3,7-10) e de Eusébio Pámphili?
Pergunta 9. Ora, mas se Pedro estivesse preso, não seria esta a razão de sua omissão? Neste caso Paulo seria relapso em não registrar este fato como fez com seus demais companheiros de prisão (cf. Colossenses 4:10 - Filemon 23).
Pergunta 10. Diz os estudiosos católicos que Pedro morreu no reinado de Nero em 69 d.c, outros coloca o ano de 67, e ainda outros 64. A tradição diz que ele exerceu o episcopado durante 25 anos. Subtraindo 25 de 69 chegamos ao ano de 44 onde afirma a tradição que Pedro chegou a Roma (Hist. Ecl. II - XIV) Esta tese encontra duas grandes dificuldades: A primeira é que o edito de Nero expulsando os judeus durou de 42 até 54, motivo também da expulsão de Áquila e Priscila. Pedro não seria exceção tampouco! A segunda é que no ano 45, Pedro escreve sua primeira epistola, e que por sinal não era de Roma mas de "Babilônia", cidade existente naqueles dias (I Pedro 5:13).
Pergunta  11. Se Roma tem a primazia por ser supostamente considerada a cidade em que Pedro alegadamente exerceu seu ministério, então razão maior deveria ser dada a Antioquia pois diz a mesma tradição que antes de Pedro ir para Roma exerceu primeiro seu episcopado em Antioquia deixando lá seus sucessores: Evódio e Inácio.
Pergunta 12. Porque estudiosos católicos como Rivaux, Fank, Hughes e Daniel Rops se contradizeram ao fazer as listas dos bispos de Roma já que usaram a mesma tradição como fonte?
 
DESLIZES DOS SUPOSTOS PAPAS
O papa Marcelino entrou no templo de Vesta e ofereceu incenso à deusa do paganismo Foi, portanto, idólatra; ou, pior ainda; foi apóstata!
Libório consentiu na condenação de Atanásio; depois, passou-se para o arianismo fato este confirmado até por Jerônimo.
Honório aderiu ao maniqueísmo.
Gregório I chamava Anticristo ao que se impunha como Bispo Universal; e, entretanto, Bonifácio III conseguiu obter do paricida imperador Focas este título em 607.
Pascoal II e Eugênio III autorizavam os duelos, condenados pelo Cristo; enquanto que Júlio II e Pio IV os proibiram.
Adciano II, em 872, declarou válido o casamento civil; entretanto,Pio VII, em 1823, condenou-o.
Xisto V publicou uma edição da Bíblia e, com uma, recomendou a sua leitura; e aquele Pio VII excomungou a edição.
Clemente XIV aboliu a Companhia de Jesus, permitida por Paulo III; e o mesmo Pio VII a restabeleceu.
Vergílio comprou o papado de Belisário, tenente do imperador Justiniano. Por isso, foi condenado no segundo concílio de Calcedônia, que estabeleceu este cânone: O bispo que se eleve por dinheiro será degradado.
Sem respeito àquele cânone, Eugênio III, seis séculos depois, fez o mesmo que Vergílio, e foi repreendido por São Bernardo.
Deveis conhecer a história do papa Formoso: Estêvão XI fez exumar o seu corpo, com as vestes pontificais; mandou cortar-lhes os dedos e o arrojou ao Tibre. Estêvão foi envenenado; e tanto Romano como João, seus sucessores, reabilitaram a memória de Formoso.
Barônio o Cardeal chega a dizer que as poderosas cortesãs vendiam, trocavam e até se apoderavam dos bispados; e, horrível é dizê-lo, faziam papas aos seus amantes!
Genebrardo sustenta que, durante 150 anos, os papas, em vez de apóstolos, foram apóstatas.
Deveis saber que o papa João XII foi eleito com a idade de dezoito anos tão-somente, e que o seu antecessor era filho do papa Sérgio com Marózzia.
Que Alexandre XI era... nem me atrevo a dizer o que ele era de Lucrécia; e que João, o XXII, negou a imortalidade da alma, sendo deposto pelo concílio de Constança.
O papado continuou tendo seus períodos sombrios, marcados por imoralidade e corrupção. Um desses períodos ocorreu entre o final do século IX e o início do século XI, quando a instituição papal foi controlada por poderosas famílias italianas. A história revela que um terço dos papas dessa época morreu de forma violenta: João VIII (872-882) foi espancado até a morte por seu próprio séquito; Estêvão VI (885-891), estrangulado; Leão V (903-904), assassinado pelo sucessor, Sérgio III (904-911); João X (914-928), asfixiado; e Estêvão VIII (928-931), horrivelmente mutilado, para não citar outros fatos deploráveis. Parte desse período é tradicionalmente conhecida pelos historiadores como "pornocracia", numa referência a certas práticas que predominavam na corte papal.
 
HISTÓRIAS QUE OS CATÓLICOS NÃO SABEM
Ora, a sucessão do bispado de Roma foi interrompida por mais de uma vez, como se convencerá o Leitor pela narração da História Eclesiástica do Cardeal Hergenroeter, completada pelo Mons. J P Kirsch e traduzida para italiano pelo Pe. Enrico Rosa, jesuíta. Eis quanto nos contam esses conspícuos personagens, romanos como os que mais o sejam. No Terceiro Volume da Soterrai dela Cheias, edição da Liberaria Fiorentina, de 1905, páginas 247 e seguintes:Com a morte do papa Formoso, a 4 de abril de 896, começou uma era de profunda depressão para a Sé romana, como nenhuma houve antes, nem depois... As facções políticas dela se apossaram, ameaçando de arrastá-la a barbárie dos tempos. Dentro de oito anos (896-904) sucederam-se nove Pontífices, BONIFÁCIO VI, eleito tumultuariamente, só reinou por quinze dias, pois que o partido Spoletano entronizou um dos seus - ESTEVÃO VI (propriamente VII). Este ultrajou a memória de Formoso com cego furor... Mandou desenterrar seu cadáver e apresentá-lo perante um Tribunal Eclesiástico, que o declarou papa ilegítimo, e nula sua eleição! Em seguida atiraram o cadáver no Rio Tibre... Em uma arruaça, Estevão foi apanhado e estrangulado no cárcere, em Junho ou Julho de 897.Sucedeu-lhe um sacerdote ancião de nome Romano, o qual só pontificou quatro meses. Assumiu então o papado THEODORO II, que só durou vinte dias.  JOÃO IX ficou até o estio de 900.  BENTO IV até 903.  LEÃO V foi, antes de um mês de pontificado precipitado por CRISTÓVÃO, e este, no fim de Maio de 904, teve o mesmo fim às mãos de SÉRGIO III.Este (Sérgio) já desde o reinado de Teodoro II havia tentado apoderar-se do trono pontifício, sendo, porém, expulso e exilado. Depois de sete anos de exílio, chegou finalmente ao termo de suas ambições. Ele havia sido sagrado bispo de Cere pelo papa formoso, o qual assim tentara afastá-lo da Corte romana, por ser elemento indesejável. Entretanto, tão logo assentado na curia pontifícia, declarou ilegítimas todas as ordenações conferidas por Formoso (portanto também a própria sagração episcopal!) perseguindo com ódio feroz a quantos daquele houvessem recebido a imposição das mãos. Sérgio III faleceu em Agosto de 911.   Paremos um momento para... respirar. Estes senhores que se sucederam mediante o assassinato uns dos outros; estes senhores que foram eleitos (?) à força de traições, de violências inqualificáveis; estes serão sucessores legítimos dos santos mártires Lino, Cleto e clemente? OH! NÃO! O bispado de Roma vagou nesse tempo, e os bispos posteriores já não podem ser considerados sucessores de aqueles aos quais os Apóstolos Pedro e Paulo confiaram a cura espiritual da Igreja Romana. A Sérgio III sucedeu Anastácio III de Agosto de 911 a Outubro de 913; depois veio LANDÃO, até Abril de 914, e JOÃO X , filho da DITADORA MARÓCIA e do papa SÉRGIO III, primo do primeiro marido dela, o Príncipe ALBERICO, Marócia casara-se no ano de 905 em primeiras núpcias com este Príncipe da linhagem dos Condes de Túsculo, liquidando-o no mesmo ano, para se casar com GUIDO, Marquês de Toscana, JOÃO X, que passava por filho do primeiro leito de Marócia, não podia ter mais de dez anos de idade, quando recebeu a sagração suprema, em 914. Durante 14 anos empunhou o Báculo Pastoral, até que, tendo veleidades de independizar-se, foi metido no cárcere, onde expirou em Junho de 928. No ano seguinte Marócia liquidou o segundo marido, e se fez reconhecer como SENADORA E PATRICIA, imperando sozinha. A João x sucedeu LEÃO VI, e, sete meses depois, ESTEVÃO VII. Em 931, outro filho de Marócia subiu ao trono, com o nome de JOÃO XI. Em 932, Marócia casou-se com o Rei Hugo, irmão de seu segundo marido. João XI foi liquidado em 936, sucedendo-lhe LEÃO VII (936-939). ESTEVÃO VIII (propriamente IX), de 939-942; MARINO II, de 943-946; AGAPITO II, de 946-956; e finalmente OTAVIANO, neto de Marócia, e que foi o primeiro a mudar de nome ao galgar o trono papal. Tinha ele 18 anos de idade, e tomou o nome de JOÃO XII. Em toda primeira metade do Século X, tudo parecia fora dos eixos; a corrupção do século inundará a igreja (romana) e nesta não mais existia disciplina... Roma, então envelhecida como Capital de um pequeno Principado, devia retornar pouco a pouco à sua antiga dignidade de Capital do Mundo e à sua sublime Missão - É o que se lê à página 252 do Volume acima citado da STORIA DELLA CHIESA. Pois bem, assim com o OTÃO I, (Imperador desde o ano de 936) não se pode considerar sucessor de Constatino o Grande, e nem mesmo de Carlos Magno; assim, os bispos que se seguiram a estes, não podem razoavelmente ser tidos e havidos como legítimos sucessores dos Bispos de Roma dos tempos apostólicos. Leiamos agora a página 271 do mesmo Volume da STORIA: - *JOÃO XIX, acusado de negligente e de avaro, reinou até 1032. A maior desgraça da igreja (romana) era que a sua família (dos Condes de Túsculo) mostrava-se convencida de que para sempre o pontificado (romano) era um bem hereditário de sua propriedade. E sem atender ao mérito de quem o ocupasse, esforçava-se por conservá-lo. Desta progênie haviam já saído seis papas, e agora o sétimo, rapaz ainda não de vinte anos, filho de Alberico, e irmão dos papas anteriores, chamava-se TEOFILACTO. Não foram ouvidos os Cardeais, e o povo (que então tinha voz ativa nas eleições) foi comprado por bom dinheiro, sendo assim eleito em modo totalmente tumultuário, esse jovem licencioso, que com o nome de BENTO IX, devia por onze anos (desde 1033 a 1044) ser o vitupério da igreja (romana) *. Até aqui os nossos Autores (os parênteses são nossos). Agora vamos resumir a história. TEOFILACTO que, ao ser eleito (?) papa em 1033, contava apenas 12 anos de idade, só veio a morrer em 1065, com 44 anos. Em 1044, rebentou uma revolta geral contra ele, BENTO IX se escapuliu, e em seu lugar foi coroado papa, JOÃO, bispo de Sabina, que tomou o nome de SILVESTRE III. Mas, em Abril do mesmo ano, BENTO IX conseguiu voltar ao trono e excomungou todos os rebeldes, mandando muitos deles para o outro mundo. Vendo-se, porém, em perigos contínuos, renunciou, no dia 1 de Maio de 1045, deixando a Cátedra de S. Pedro (incrível, mas verdadeiro!) a um Arcipreste chamado João Graciano, o qual tomou o título de GREGÓRIO VI, e gratificou com *Grossa somma di dinaro* ao seu abnegado e digno Antecessor! (Graciano era um consumado jurista, e conhecia perfeitamente o valor dos argumentos áureos!)* BENTO IX, com a bolsa bem recheada, se retirou para um dos Castelos de sua nobre família, depois de assinar renúncia formal da Santa Sé, Pouco depois, porém, se arrependeu do mau passo e, apoiado pelos seus poderosos parentes, pretendeu voltar ao Trono. Nada mais natural! Rapaz de 22 anos, cheio de vida e de santidade papal, que renunciara ao seu sublime Cargo não tanto pelo dinheiro (que lhe sobrava), quanto pelo amor de uma filha do Conde Gerardo de Sasso (que lhe fazia muita falta) nada mais natural, digo, - que pretendesse reassumir a Tiara, para repartir os graves encargos da mesma com a sua direitíssima e digníssima Amásia, com a qual tentara se casar quando ainda era papa. Mas os cardeais o impediram. Assim ficou a Cátedra de S. Pedro com três Titulares: BENTO IX, que retirara a renúncia; SILVESTRE III, que recusava renunciar; e GREGÓRIO VI, que havendo adquirido por *grossa soma di dinaro* o Sólio Pontificio, julgava-se de pleno direito senhor do mesmo.A ÁGUIA DA GERMANIA (o Rei Henrique III) olfatando fácil e pingue presa, desceu em amplo remigio até a Itália, e se fez coroar Rei da Lombardia a 25 de Outubro de 1046, em Pavia, solicitando de Gregório VI uma entrevista em Placência. Desta cidade seguiram ambos com grande pompa para Sutri, onde se reuniu um Concílio sob a Alta Direção de Henrique III. Neste Concílio, Gregório VI renunciou ( espontaneamente, já se vê!); de Bento IX não se disse palavra (para não magoar sua nobre família, certamente!); e Silvestre III foi aprisionado e recolhido ao aljube de um Mosteiro, em castigo do seu pecado de simonia. Henrique III mandou então a Suidgero de Bamberga, que subiu a Cátedra de S. Pedro com o título de CLEMENTE II. Este foi o segundo papa alemão. No mesmo dia da sua Coroação, 25 de Dezembro de 1046, CLEMENTE II, coroou a Henrique III e sua esposa Inês Imperadores do restaurado Sacro Romano Impero. Reflitamos um momento. Ou a venda da Cátedra de S. Pedro, feita por bento IX a Graciano foi válida, ou não foi. Se foi válida, já ninguém pode falar em pecado de simonia; e ficam plenamente justificadas as compras de bispados e as vendas das melhores Paróquias e dos Santuários (Aparecida do Norte, Bom-Fim de Salvador, etc) a frades estrangeiros, que se negociam em vários países (menos no Brasil!) Se aquela negociata de Bento IX não foi válida, segue-se que BENTO IX continuou papa legítimo, havendo sido injustamente esbulhado por seis papas intrusos, postos na Sé Romana pelo Imperador Henrique III, durante a vida de Bento IX. Mais outra: - Ou o Imperador tinha direito de nomear os papas, ou não! Se sim! Então houve ocasião em que muitos eram papas legítimos ao mesmo tempo. Se não! Houve tempos em que a Cátedra de S. Pedro ficou vacante, não obstante estar ocupada por vários apaziguados do Imperador. Com Henrique III viera o MONGE BENEDITINO ainda simples HILDEBRANDO, o qual desde então foi o verdadeiro Chefe da igreja Romana manobrando a seu bel-prazer meia dúzia de papas-titeres, e fazendo-se aclamar papa somente em 1078. Foi o celebérrimo GREGÓRIO VII, santo canonizado romano. HILDEBRANDO, porém, não obstante dotado de notável senso político e de admirável audácia, não possuia o poder de afugentar a MORTE! Bento IX, Conde de Túsculo, fazia desaparecer a todos os alemães indicados por Hildebrando e entronizados por ordem de Henrique III, na Cátedra de S. Pedro.
CLEMENTE II morreu a 9-10-47. Bento IX se prontificou para reassumir o Pontificado, mas os romanos, depois de terem conhecimento dos desejos de Henrique III, de reservar o Pontificado a seus súditos alemães, lhe pediram que houvesse por bem mandar sagrar um novo papa por ele escolhido livremente, Henrique III enviou da Alemanha a POPPONE, bispo de Brixen. Depois de muitas peripécias suscitadas pela oposição da família de Bento IX, Poppone foi entronizado em Julho de 1048, com o nome de DAMÁSIO II. Mas... faleceu repentinamente, por esse tempo, na Alemanha. Henrique III viu-se então em talas para encontrar um novo papa... Nenhum alemão queria aceitar a honra de ser Sucessor de S. Pedro!... O Imperador nomeou então a BRUNO, bispo de Toul, e seu parente (da família dos Condes de NORDGAU, na Alsácia). Este só se resignou a ser papa, com a condição de ser aceito pelos romanos em eleição popular, livre e pacífica. De Toul, seguiu ele para Besanón, onde recebeu a guarda toda poderosa de Hildebrando, que se lhe fez companheiro de viagens desde Cluny até Roma. Entrou ele na Cidade a pé, descalço e com túnica de peregrino, sendo muito bem recebido, e coroando-se Sumo Pontífice com o nome de LEÃO IX.
Em Maio de 1053, São Leão IX, Papa, envergando a farda de General, pôs-se a testa de aguerrido exército para combater os Normandos, que haviam invadido o Sul da Itália. A 18 de Junho seu exército foi totalmente derrotado e desbaratado, e o Sumo Pontífice, a-pesar-de santo e general, caiu prisioneiro. Nessa condição ficou detido em Benevento até que cedesse a todas as imposições dos seus vencedores. Depois de completa Capitulação, foi posto em liberdade a 12-8-1054, reentrando no Palácio do Latrão a 3 de Abril. A 18 do mesmo mês pontificou solenemente na Basílica de S. Pedro, mas... no dia seguinte faleceu misteriosamente!... Assim foi-se São Leão IX, Patrono dos Generais derrotados! Bastem estes fatos. Não é aqui o lugar de rememorar todos os casos em que a Sede Romana esteve em desordem; por exemplo, no começo do século 15, em que quatro papas legítimos excomungavam; cada um deles excomungava três papas legítimos, e era declarado excomungado por cada um de seus três colegas Sucessores de São Pedro, infalíveis, Vigários de Cristo, etc, etc... (Veja o II Apêndice). Responda agora o Leitor: - Será o papa Pio XII legítimo Sucessor de S. Pedro? (Poderá ser legitimamente eleito papa, quem se acha incurso na excomunhão fulminada pelo Canon 2335?

 

DIVERGÊNCIAS E CONTRADIÇÕES
Se os papas não ambicionassem a "infalibilidade" não haveria razão para citações de suas contradições e divergências; como pôr exemplo o Papa Gregório I que condenava a idéia de um "Sacerdócio Universal nas mãos de um só homem". Mas foi o que fizeram.Sobre o cisma do ocidente, vejam o que nos diz certo livro católico:
 
RETORNO DOS PAPAS A ROMA
O retorno dós papas a Roma não foi suficiente para que a paz fosse alcançada. Uma dura luta, incentivada pelo clero e pelos mesmos cardeais, criara graves dificuldades no seio da Igreja, levando-a ao grande Cisma do Ocidente (de 1378 a 1418).Nesses quarenta anos a história do papado atravessara um período obscuro, marcado por lutas entre papas e antipapas que se excomungavam mutuamente, usando qualquer subterfúgio para derrotar o adversário, chegando até ao emprego da guerra e do crime político.O poder papal, nessa época, está assim representado:
Em Roma :
- Urbano VI (1378-1389)
- Bonifácío IX(1389-1404)
- Inocêncio VII (1404-1406)
- Gregório XII (1406-1417) (destituído no Concílio de Pisa, em 1409, abdicou no Concílio de Constança, em 1415)
Em Avinhão :
- Clemente VII (1378-1394)
- Bento XIII (1394-1424) - (destituído no Concílio de Pisa, em 1409, e novamente em Costança em 1415)
Antipapas:
_Clemente VIII (1423-1429)
- Bento X1V (1425-1430)
Em Pisa:
- Alexandre V: (14O9-141O)
- João XXIII (1410 - 1419)
(Destituído no Concílio de Constança em 1415).
Para se ter uma idéia da confusão que reinava na época entre os cristãos, basta lembrar que vários santos apoiaram papas considerados ilegítimos. S. Catarina de Sena, por exemplo, apoiava o papa de Roma, enquanto S. Vicente Ferrer e o Beato Pedro de Luxemburgo defendiam o papa de Avinhão. A Igreja acabou considerando legítimos somente os quatro papas romanos e antipapas os de Avinhão e Pisa.
O Concílio de Constança (1414-1418) pôs fim ao grande Cisma com a eleição de Martinho V. Extraído do livro católico: OS PAPAS, A. PINTONELLO, EDIÇÕES PAULINAS. Tivemos também o Papa Leão X contemporâneo de Lutero que não cria na eternidade...Os Papas S Clemente e Gelasio I nunca aceitaram a Transubstanciação, diziam que "A natureza do pão e do vinho não se alteram". Mas o Papa Inocêncio III, ano 1198, forçou e "decretou' a transubstanciação!Como não é possível acarear esses papas os padres de hoje deveriam estudar a Bíblia pôr si mesmos. Entre centenas de teólogos católicos que discordaram da transubstanciação temos o Abade de Fulda, Rubano Mauro e o Monge Ratramno do mosteiro de S. Pedro que diziam "A benção não altera a substância." Também S. João Crisóstomo resistia e Santo Agostinho parecia zombar quando escreveu. "Não se pode engolir Aquele que subiu vivo para o Céu". Mas a ignorância tomou-se moléstia geral Muitos bispos e padres divergem de muitos dogmas que se fossem abolidos aplaudiriam, ensinam pôr Ofício. Necessitam da transubstanciação. Do Culto às imagens, do Purgatório e outras crendices para manter o sistema em pé. Se forem removidas, o catolicismo cai! Divorciada dos Evangelhos a Igreja não consegue gerar seus próprios sacerdotes. "No Brasil a metade dos padres são estrangeiros" informa dom Luciano na Revista Veja de 30 de janeiro de 1980. O Estado do Vaticano é contra o divórcio, ficam "angustiados" quando ele é votado nos países católicos mas mantém o "Tribunal de Rota" que anula casamentos de casais ilustres pôr grandes somas de dinheiro. Induzem consciências sensíveis escravizando-as. Ha centenas talvez milhares de moças e senhoras, sem identidade, envelhecendo enclausuradas em lúgubres conventos devido a fé falsa que receberam. Ninguém sabe que tipo de tratamento recebem. O Catolicismo deveria recuperar suas mentes distorcidas, abrir os portões, devolvendo-as à sociedade. Cristo nunca propôs uma instituição assim. Ele disse que "Não se deve esconder uma luz". (Evangelho de Lucas 11:33). Também o Vaticano não está em condições de falar sobre "Direitos Humanos" pôr conflitar com a história da Igreja. Falta espaço para comentar esse assunto, mas presentemente estão bloqueando o pedido insistente de 6 mil padres que desejam deixar a batina. (Est.S. Paulo 13-2-80). Mesmo assim, 1.264 padres deixaram a batina em 1982 e nos últimos 8 anos em todo mundo 34.144 padres desertaram. (Inf. o Vaticano, Est. S. Paulo de 11-9-84). O afã de apresentarem-se como Estado político e religioso os tem levado a contradições: Temendo o Comunismo abrigam-se no Ocidente, mas pôr desgraça, se houver uma reviravolta na política, esperam sobreviver porque "jogam nos dois times... " Nunca se ajeitaram com Democracia e Liberdade. Reclamam esse direito somente nos países onde não dominam. Pio IX disse que "A Liberdade de Consciência foi o mais pestilento de todos os erros". (Encic. de 15-8-1954).
 
BENÇÃOS DO PAPA SE TRANSFORMAM EM MALDIÇÕES
Figuras públicas que foram "abençoadas" são atingidas por doenças e desgraças. Recentemente o brasileiro Rubens Barrichello, piloto de fórmula 1 da equipe Ferrari foi com uma comitiva esportiva até o Vaticano presentear o Papa com uma réplica do carro F2004. E em troca deste generoso presente o Papa abençoou o piloto brasileiro.Rubens que já possui fama de azarado na fórmula 1 tem motivos para ficar ainda mais preocupado. É que os fatos que vamos mostrar aqui, podem não passar de desastrosas coincidências, mas são capazes de arrepiar qualquer cristão: as "bênçãos" do papa vêm se transformando mesmo é em maldição. Afora os inúmeros casos publicados até pela imprensa secular, atuais ou centenários, salta aos olhos a quantidade de personalidades do meio artístico e político, que de uma hora para outra, viram suas vidas profissional e pessoal destruídas e lançadas no fundo do poço, após um encontro com o papa.
A lista é imensa...
A escritora e pesquisadora de religiões Mary Schultze, autora do livro "A Deusa do Terceiro Milênio", deu uma lista destas personalidades e a influência das "bênçãos" do Papa na vida delas.Quando analisamos tantas "coincidências", não podemos deixar de alertar as pessoas no sentido de buscarem somente as bênçãos de Cristo, pois os fatos têm demonstrado que receber bênção do papa parece não ser um bom negócio.De acordo com a pesquisadora, é extensa a lista de figuras e personalidades da história que foram brindadas com a bênção papal e em seguida foram atingidas por algum infortúnio:
Brasileiros:
Na lista de Mary, não faltam figuras brasileiras atingidas pela "bênção do papa", como por exemplo: O ex-presidente Washington Luiz, foi deposto do cargo, em 1930, logo após ser abençoado pelo Papa.
Já a princesa Isabel foi "abençoada" com a sua expulsão do Brasil, depois de um encontro pessoal com o papa.O presidente brasileiro Campos Salles - foi assassinado poucos dias depois.O Presidente brasileiro Afonso Pena - morreu um mês depois.Dos tempos atuais, duas figuras queridas dos brasileiros também passaram por tribulações e, coincidência ou não,tinham recebido a bênção do papa: O cantor Roberto Carlos, católico declarado, e sua esposa, Maria Rita, estiveram com João Paulo II em sua última visita ao Brasil, em 97. Pouco mais que um ano depois, ela estava com câncer. Já o craque Ronaldinho pediu para o papa abençoar, em 98, as alianças de noivado com a modelo Suzana Wemer, antes da Copa da França. Resultado: além de ver terminado o seu noivado com a modelo, aconteceu o pior: o Brasil perdeu a Copa. E como se não bastasse, Ronaldinho passou as últimas semanas resistindo a uma campanha de difamação por parte da imprensa secular, que tentava envolvê-lo em um escândalo junto a uma agência de prostituição, na Itália. Sem falar do problema no joelho que quase o colocou de vez fora dos gramados.
Outras figuras importantes:
O evangelista Billy Graam, mesmo conhecendo a fundo a Palavra de Deus, foi a Roma pedir a bênção do papa e, estranhamente, foi acometido do Mal de Parkinson (doença degenerativa do sistema nervoso que provoca tremores incontroláveis).O papa abençoou Carlota de Bourbon e quando voltou de Roma, enlouqueceu.O príncipe Napoleão IV morreu logo após ter sido abençoado pelo papa, antes de seguir para Zuzulândia. Já o príncipe Rodolfo, da Àustria, se suicidou, em 1889, depois de um encontro com o papa.O jogador Maradona amargou a derrocada de sua brilhante carreira de outrora.Ele também pediu a bênção do papa, e recebeu. Coincidência ou não, perdeu o título do mais famoso campeão argentino e a sua imagem nunca mais foi a mesma, pois não conseguiu se livrar das drogas até hoje.Afonso XII - morreu prematuramente.Princesa Lady Diana - Em 1997, morreu em violento acidente auto mobilístico algum tempo antes havia ido a Roma pedir a bênção do papa.O Imperador da Áustria, Francisco José - sofreu a terrível derrota de Sadowa. Napoleão III - foi preso na Prússia e morreu exilado e destronado.Os navios "Santa Maria"e "América" - naufragaram com perda total.Diz o ex-padre veneziano, Joseph Zachello que serviu o Papa por 34 anos: Em 1851 Pio IX concedeu a "Rosa de Ouro" ao Rei das Duas Sicilias. Em menos de um ano ele perdeu a coroa e o reino.Em 1866 Ele abençoou o Kaiser da Áustria. Em menos de um ano este imperador perdeu Veneza e a guerra seguinte.Em 1867 o Papa abençoou Maximiliano. Imperador do México. Logo em seguida ele foi destronado e morto a tiros.Em 1895 O Arcebispo de Damasco deu a bênção papal às tropas e frota espanholas. Logo em seguida a Espanha perdeu ambas.Em 1897 O Núncio Apostólico abençoou o grande "Bazar da Caridade", em Paris. Cinco minutos mais tarde o prédio ardia em chamas e 150 pessoas da aristocracia pereceram, inclusive a filha da Imperatriz da Áustria.Em 1906 Fugene Victoria (Ena), filha do Príncipe Henrique, casou com Afonso XIII, Rei da Espanha. sob a bênção papal.Ela havia sido obrigada a renunciar sua fé protestante e por isso foi abençoada. Embora, uma quinzena mais tarde, tenha escapado milagrosamente de um atentado, no qual 13 pessoas pereceram, seu vestido de noiva ficou todo respingado de sangue.Em 1923 O Papa lhe mandou a "Rosa de Ouro". Em 1931. ela e o marido foram exilados, quando a Itália se transformou em República, por determinação do Papa que precisava colocar no Governo daquele país o seu protegido General Franco, para a II Guerra Mundial.Em 1924 Um rico proprietário de terras nos Estados Unidos - Mr. Edwards - converteu-se ao Catolicismo Romano. Dois anos depois foi a Roma receber a bênção do Papa. tendo morrido 4 dias após e deixou uma rica herança para o Vaticano.Parece coincidência... Mas é bom não arriscar. Quando Mussolini invadiu a Abissínia e varreu os pobres negros do mapa, o Papa o abençoou nessa "cruzada santa". Só que, pouco tempo depois, Mussolini e sua amante Clara Petacci foram linchados pelo povo.  Já Winston Churchill, o Leão da II Guerra Mundial, foi a Roma receber a bênção do Papa. Perdeu logo o prestígio em seu país, mesmo tendo ganho essa Guerra para os Aliados. Quanto a Roosevelt, mandou um representante ao Vaticano "apanhar" a bênção. Perdeu o respeito do povo americano e morreu logo em seguida, sem contemplar a vitória para os Estados Unidos.Em 1951 A futura Rainha da Inglaterra foi pedir a bênção do Papa. Pouco tempo depois a Inglaterra perdeu os poços petrolíferos no Irã, o Canal de Suez e a guerra contra o Egito. E para encerrar, em 1958 o Cardeal Stritch. de Chicago, ao ser nomeado Representante no Vaticano, para lá se dirigiu. Adoeceu gravemente e o Papa, que havia abençoado sua viagem, não foi capaz de visitá-lo, quando ele teve de amputar um braço e morrer a poucas quadras da Catedral de São Pedro. Diante do exposto acima só nos resta orar para que Deus proteja a vida e a carreira de Rubinho e que as "bençãos" do Papa não o alcance também, de modo que possa nos dar novamente a alegria e as vitórias que tanto nos brindava Airton Senna.  A Palavra de Deus é muito clara quanto à origem da bênção, que só pode vir do Senhor; e de nenhum homem ou imagem, mas o catolicismo insiste em transferir para a figura do papa poderes que só pertencem a Deus. A leitura da Bíblia e a observância de seus mandamentos são capazes de atrair bênçãos sem medida sobre a vida do cristão, conforme diz a Palavra "O Senhor determinará que a bênção esteja nos teus celeiros, e em tudo o que puser a tua mão: e te abençoará na tenda que te dá o Senhor teu Deus" (Deuteronômio 28.8).
 
Curiosidades sobre os papas
Papas assassinados
João VIII, Teodoro II, João X, Benedito VI, João XIV e Gregório. Em 1978, houve rumores de que João Paulo I teria sido envenenado.
Renúncia: Pierre de Morrone (Celestino V) renunciou em 1294, porque não se considerava capaz de exercer o pontificado.
Mais jovem
Benedito IX tinha apenas 12 anos quando foi eleito.
Mais idoso
Honório III. Eleito com 90 anos.
Papa que não era padre
Conde Tusculum (João XIX) foi eleito em 1024 sem nunca ter recebido ordenação.
Papas casados
Até 867, não havia nenhum impedimento ao casamento do pontífice.
Papa com filhos e sem casar
Rodrigo Borgia (Alexandre VI) tinha seis filhos e não era casado.
Último Papa não-italiano, antes de João Paulo II: O holandês Adriano VI (1522 – 1523)
Papado mais longo
São Pedro ficou 33 anos no trono.
O mais curto
Urbano II. Durou apenas 13 dias.
Papas Canonizados
Há 78 papas canonizados e oito beatificados.
 
Insígnias do papado
O anel do pescador
Quando o Papa morre, seu anel que é usado na mão direita é quebrado numa bigorna, com um martelo de ouro.
As chaves de São Pedro
Simbolizam o poder que foi dado a São Pedro de adotar ou revogar decisões.
Cadeira gestatória
Poltrona montada sobre um andor, carregada pelos oficiais do Vaticano quando o Papa sai em Procissão. João Paulo II a substituiu pelo famoso Papamobile.
Sotaina branca
Usada pela primeira vez por Pio V, em 1565. Até então, a sotaina era púrpura cardinalícia.
Tiara pontifical
Durante a coroação é colocada na cabeça do Papa com os seguintes dizeres: “Saiba que és o pai, o príncipe e o rei”. Paulo VI usou apenas uma vez e João Paulo I recusou-se a usá-la.
A palavra Papa
Derivada do grego pappas e do latim pappa. Ambas significam pai.
Em 1073, o Papa Gregório VII proibiu que o termo fosse utilizado por qualquer outra pessoa.
Até aquela data, bispos e padres também recebiam o tratamento de papa.
A autoridade Papal
Segundo a tradição católica, a liderança de São Pedro perante os 12 apóstolos, confiada por Jesus Cristo, é que define a supremacia do pontífice.

Fonte:  http://academico.arautos.org/2013/09/as-insignias-episcopais-anel-cruz-peitoral-mitra-e-baculo/

 

 

Conheça a lista de todos os papas ao longo da história segundo o Catolicismo Romano (Igreja Católica)

 

 

001 –Pedro - Betsaida, de 32 a 67 ??  - ( Mártir e Santo)
002 –Lino - Túscia,  de 67 a 76 - ( Mártir e Santo)
003 –Anacleto 1 - Roma, de 76 a 88 - (Mártir e Santo)
004 –Clemente I - Roma, de 88 a 97 - (Santo)
005 - Evaristo - Grécia, de 97 a 105 - (Santo)
006 - Alexandre IRoma, de 105 a 115 - (Santo)
007 - Sisto I - Roma, de 115 a 125 - (Santo)
008 –Telésforo - Grécia, de 125 a 136 - (Santo)
009 - Higino - Grécia, de 136 a 140 - (Santo)
010 - Pio I - Aquiléia, de 140 a 155 - (Santo)
011 - Aniceto - Síria,  de 155 a 166 - (Santo)
012 - Sotero - Campânia,  de 166 a 175 - (Santo)
013 - Eleutério - Epiro, de 175 a 189 - (Santo)
014 –Vitor I - África,  de 189 a 199 - (Santo)
015 - Zeferino - Roma, de 199 a 217 -  (Santo)
016 - Calisto I - Roma, de 217 a 222 - (Santo)
017 - Urbano I - Roma, de 222 a 230 - (Santo)
018 - Ponciano - Roma, de 230 a 235 - (Santo)
019 - Antero - Grécia,  de 235 a 236 - (Santo)
020 - Fabiano - Roma,  de 236 a 250 - (Santo)
021 - Cornélio - Roma, de 251 a 253 - (Santo)
022 - Lúcio I - Roma, de 253 a 254 - (Santo)
023 - Estevão I - Roma, de 254 a 257 - (Santo)
024 - Sisto II - Grécia, de 257 a 258 - (Santo)
025 - Dionísio - de 259 a 268
026 - Félix I - Roma, de 269 a 274
027 - Eutiquiano - Luni, de 275 a 283- (Santo)
028 - Caio - Dalmácia,  de 283 a 296
029 - Marcelino - Roma, de 296 a 304 - (Santo)
030 - Marcelo I - Roma,  de 308 a 309 - (Santo)
031 - Eusébio - Grécia, de 309 a 309 - (Santo)
032 - Melquíades - África, de 311 a 314 - (Santo)
033 - Silvestre I - Roma, de 314 a 335 - (Santo)
034 - Marcos - Roma, de 336 a 336 – (Santo)
035 - Júlio I - Roma, papa de 337 a 352 – (Santo)
036 - Libério - Roma, papa de 352 a 366
037 - Dâmaso I - Espanha, de 366 a 384 – (Santo)
038 - Sirício - Roma, de 384 a 399 – (Santo)
039 - Anastácio I - Roma, de 399 a 401 – (Santo)
040 - Inocêncio I - Albano,  de 401 a 417 – (Santo)
041 - Zósimo - Grécia, de 417 a 418 – (Santo)
042 - Bonifácio I - Roma, de 418 a 422 – (Santo)
043 - Celestino I - Campânia, de 422 a 432 – (Santo)
044 - Sisto III - Roma, de 432 a 440 – (Santo)
045 - Leão Magno Túscia 440 461 – (Santo)
046 - Hilário - Sardenha, de 461 a 468 – (Santo)
047 - Simplício - Tivoli,  em 468 - – (Santo)
048 - Félix II - Roma, de 483 a 492– (Santo)
049 -  Galásio I - África,  de 492 a 496 – (Santo)
050 - Anastácio II - Roma, de 496 a 498
051 - Símaco - Sardenha,  de 498 a 514 – (Santo)
052 - Hormisdas - Frosinone, de 514 a 523 – (Santo)
053 - João I - Túscia, de 523 a 526 – (Santo)
054 - Félix III - Sâmnio,  de 526 a 530 – (Santo)
055 - Bonifácio II - Roma,  de 530 a 532
056 - João II - Roma, de 533 a 535
057 - Santo Agapito I - Roma,  de 535 a 536 – (Santo)
058 - São Silvério - Campânia,  de 536 a 537 – (Santo)
059 - Vigílio - Roma, de 537 a 555
060 - Pelágio I - Roma,  de 556 a 561
061 - João III - Roma,  de 561 a 574
062 - Bento I - Roma,  de 575 a 579
063 - Pelágio II - Roma, de 579 a 590
064 - Gregório I - Roma, de 590 a 604 – (Santo)
065 - Sabiniano - Túscia, de 604 a 607
066 - Bonifácio III - Roma, de 607 a 608
067 - Bonifácio IV - Marsi, de 608 a 615 – (Santo)
068 - Adeodato I - Roma,  de 615 a 618 – (Santo)
069 - Bonifácio V - Nápoles,  de 619 a 625
070 - Honório I - Campânia,  de 625 a 638
071 - Severino - Roma,  de 640 a 640
072 - João IV - Dalmácia,  de 640 a 642
073 - Teodoro I - Grécia, de 642 a 649
074 - Martinho I - Todi, de 649 a 655 – (Santo)
075 - Eugênio I - Roma, de 654 a 657 – (Santo)
076 - Vitaliano - Segni,  de 657 a 672 – (Santo)
077 - Adeodato II - Roma,  de 672 a 676
078 - Dono - Roma,  de 676 a 678
079 - Ágato - Sicília,  de 678 a 681 – (Santo)
080 - Leão II - Sicília,  de 682 a 683 – (Santo)
081 - Bento II - Roma, de 684 a 685 – (Santo)
082 - João V - Síria, de 685 a 686
083 - Cônon - de 686 687
084 -Sérgio I - Síris,  de 687 a 701 – (Santo)
085 - João VI - Grécia,  de 701 a 705
086 - João VII - Grécia,  de 705 a 707
087 - Sisínio - Síria,  de 707 a 708
088 - Constantino I - Síria, de 708 a 715
089 - Gregório II - Roma,  de 715 a 731 – (Santo)
090 - Gregório III - Síria, de 731 a 741 – (Santo)
091 - Zacarias - Grécia,  de 741 a 752 – (Santo)
092 - Estevão II - Roma,  de 752 a 757
093 - Paulo I - Roma,  de 757 a 767 – (Santo)
094 - Estevão III - Roma, de 768 a 772
095 - Adriano I - Roma, de 772 a 795
096 - São Leão III - Roma, de 795 a 816 – (Santo)
097 - Estevão IV - Sicília,  de 816 a 817
098 - São Pascoal I - Roma, de 817 a 824 – (Santo)
099 - Eugênio II - Roma,  de 824 a 827
100 - Valentim I - Roma, de 827 a 827
101 - Gregório IV - Roma, de 827 a 844
102 - Sério II - Roma,  de 844 a 847 – (Santo)
103 -  Leão IV - Roma, de 847 a 855 – (Santo)
104 - Bento III - Roma,  de 855 a 858
105 - Nicolau I - Roma, de 858 a 867 – (Santo)
106 - Adriano II - Roma,  de 867 a 872
107 - João VIII - Roma, de 872 a 882
108 - Mariano I - Gellese,  de 882 a 884
109 - Santo Adriano III - Roma, de 884 a 885
110 - Estevão V - Roma, de 885 a 891
111 - Formoso - Pôrto, de 891 a 896
112 - Bonifácio VI - Roma,  de 896 a 896
113 - Estêvão VI - Roma,  de 896 a 897
114 - Romano - Gallese, de 897 a 897
115 - Teodoro II - Roma, de 897 a 897
116 - João IX - Tivoli, de 898 a 900
117 - Bento IV - Roma,  de 900 a 903
118 - Leão V - Árdea, de 903 a 903
119 - Sérgio III - Roma, de 904 a 911
120 - Anastácio III - Roma, de 911 a 913
121 - Lando - Sabina, de 913 a 914
122 - João X - Tossignano, de 914 a 928
123 - Leão VI - Roma, de 928 a 928
124 - Estevão VII - Roma,  de 929 a 931
125 - João XI - Roma, de 931 a 935
126 - Leão VII - Pavia, de 936 a 939
127 - Estêvão VIII - Roma,  de 939 a 942
128 - Marino II - Roma, de 942 a 946
129 - Agapito II - Roma,  de 946 a 955
130 - João XII - Roma, de 955 a 964
131 - Leão VIII - Roma,  de 963 a 965
132 - Bento V - Roma, de 964 a 966
133 - João XIII - Túsculo, de 965 a 972
134 - Bento VI - Roma, de 973 a 974
135 - Bento VII - Roma, de 974 a 983
136 - João XIV - Roma, de 983 a 984
137 - João XV - Roma, de 985 a 996
138 - Gregório V - Saxônia,  de 996 a 999
139 - Silvestre II - Alvérnia, de 999 a 1003
140 - João XVII - Roma, de 1003 a 1004
141 - João XVIII - Roma, de 1004 a 1009
142 - Sérgio IV - Roma,  de 1009 a 1012
143 - Bento VIII - Túsculo, de 1012 a 1024
144 - João XIX - Túsculo,  de 1024 a 1032
145 - Bento IX - Túsuculo, de 1032 a 1045
146 - Silvestre III - Roma,  de 1045 a 1045
147 - Bento IX (2ª vez) - de 1045 a 1045
148 - Gregório VI - Roma,  de 1045 a 1046
149 - Clemente II - Saxônia,  de 1046 a 1047
150 - Bento IX (3ª vez) - de 1047 a 1048
151 - Dâmaso II - Baviera, de 1048 a 1049
152 - São Leão IX - Egisheim-Dagsburg, de 1049 a 1055
153 - Vitor II - Dolinstein-Hirschberg,  de 1055 a 1057
154 - Estêvão X - Lorena, de 1057 a 1059
155 - Nicolau II - Borgonha,  de 1059 a 1061
156 - Alexandre II - Milão, de 1061 a 1073
157 - Gregório VII - Túscia, de 1073 a 1085 – (Santo)
158 - Vitor III - Benevento, de 1086 a 1087 – (Beato)
159 - Urbano II - França, de 1088 a 1099 – (Beato)
160 - Pascoal II - Ravena, de 1099 a 1118
161 - Gelásio II - Gaeta, de 1118 a 1119
162 - Calisto II - Borgonha, de 1119 a 1124
163 - Honório II - Fagnano, de 1124 a 1130
164 - Inocêncio II - Roma, de 1130 a 1143
165 - Celestino II - Castelo, de 1143 a 1144
166 - Lúcio II - Bolonha, de 1144 a 1145
167 - Beato Eugênio III - Pisa, de 1145 a 1153
168 - Anastácio IV - Roma, de 1153 a 1154
169 - Adriano IV - Inglaterra, de 1154 a 1159
170 - Alexandre III - Siena, de 1159 a 1181
171 - Lúcio III - Lucca, de 1181 a 1185
172 - Urbano III - Milão, de 1185 a 1187
173 - Gregório VIII - Benevento, de 1187 a 1187
174 - Clemente III - Roma, de 1187 a 1191
175 - Celestino III - Roma, de 1191 a 1198
176 - Inocêncio III - Anagni,  de 1198 a 1216
177 - Honório II -I Roma, de 1216 a 1227
178 - Gregório IX - Anagni, de 1227 a 1241
179 - Celestino I -V Milão, de 1241 a 1241
180 - Inocêncio IV - Gênova, de 1243 a 1254
181 - Alexandre IV - Anagni, de 1254 a 1261
182 - Urbano IV - Troyes, de 1261 a 1264
183 - Clemente IV - França, de 1265 a 1268
184 - Beato Gregório X - Placência, de 1271 a 1276
185 - Beato Inocêncio V - Savóia, de 1276 a 1276
186 - Adriano V - Gênova, de 1276 a 1276
187 - João XXI - Portugal, de 1276 a 1277
188 - Nicolau III - Roma, de 1277 a 1280
189 - Matinho IV - França, de 1281 a 1285
190 - Honório IV - Roma, de 1285 a 1287
191 - Nicolau IV - Ascoli, de 1288 a 1292
192 - São Celestino V - Isérnia, de 1294 a 1294 – (Santo)
193 - Bonifácio VIII - Anagni, de 1294 a 1303
194 - Bento XI - Treviso, de 1303 a 1304 - Beato
195 - Clemente V - França, de 1305 a 1314
196 - João XXII - Cahors, de 1316 a 1334
197 - Bento XII - França, de 1335 a 1342
198 - Clemente VI - França, de 1342 a 1352
199 - Inocêncio VI - França, de 1352 a 1352
200 - Bento Urbano V- França, de 1362 a 1370
201 - Gregório XI - França, de 1370 a 1378
 
Grande cisma do Ocidente - Papas Romanos
202 - Urbano VI - Nápoles, de 1378 a 1389
203 - Bonifácio IX - Nápoles, de 1389 a 1404
204 - Inocêncio VII - Sulmona, de 1404 a 1406
205 - Gregório XII - Veneza, de 1406 a 1415 

Fonte

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/24420/hoje+na+historia+1378++crise+na+igreja+catolica+da+inicio+ao+grande+cisma+do+ocidente.shtml

 
Papas depois do grande cisma
206 - Martinho V - Roma, de 1417 a 1431
207 - Eugênio IV - Veneza, de 1431 a 1447
208 -Nicolau V - Sarzana, de 1447 a 1455
209 - Calisto III - Valência, de 1455 a 1458
210 - Pio II - Siena,  de 1458 a 1464
211 - Paulo II - Veneza,  de 1464 a 1471
212 - Sisto IV - Savona,  de 1471 a 1484
213 - Inocêncio VIII - Gênova,  de 1484 a 1492
214 - Alexandre VI - Valência,  de 1492 a 1503
215 - Pio III - Siena,  de 1503 a 1503
216 - Júlio II - Savona, de 1503 a 1513
217 - Leão X - Florença,  de 1513 a 1521
218 - Adriano VI - Ultrecht, de 1522 a 1523
219 - Clemente VII - Florença,  de 1523 a 1534
220 - Paulo III - Roma,  de 1534 a 1549
221 - Júlio III - Roma,  de 1550 a 1555
222 - Marcelo II - Montepulciano, de 1555 a 1555
223 - Paulo IV - Nápoles,  de 1555 a 1559
224 - Pio IV - Milão,  de 1559 a 1565
225 - Pio V - Bosco,  de 1566 a 1572 – (Santo)
226 - Gregório XIII - Bolonha, de 1572 a 1585
227 - Sisto V - Grottammare, de 1585 a 1590
228 - Urbano VII - Roma, de 1590 a 1590
229 - Gregório XIV - Cremona, de 1590 a 1591
230 - Inocêncio IX - Bolonha,  de 1591 a 1591
231 - Clemente VIII - Florença, de 1592 a 1605
232 - Leão XI - Florença,  de 1605 a 1605
233 - Paulo V - Roma, de 1605 a 1621
234 - Gregório XV - Bolonha,  de 1621 a 1623
235 - Urbano VIII - Florença, de 1623 a 1644
236 - Inocêncio X - Roma, de 1644 a 1655
237 - Alexandre VII - Siena,  de 1655 a 1667
238 - Clemente IX - Pistóia, de 1667 a 1669
239 - Clemente X - Roma,  de 1670 a 1676
240 - Beato Inocêncio XI - Como,  de 1676 a 1689
241 - Alexandre VIII - Veneza, de 1689 a 1691
242 - Inocêncio XII - Nápoles,  de 1691 a 1700
243 - Clemente XI - Urbino, de 1700 a 1721
244 - Inocêncio XIII - Roma, de 1721 a 1724
245 - Bento XIII - Roma,  de 1724 a 1730
246 - Clemente XII -Florença,  de 1730 a 1740
247 - Bento XIV - Bolonha,  de 1740 a 1758

248 - Clemente XIII - Veneza,  de 1758 a 1769
249 - Clemente XIV - Rimini, de 1769 a 1774
250 - Pio VI - Cesana,  de 1775 a 1799
251 - Pio VII - Cesena, de 1800 a 1823
252 - Leão XII - Fabriano, de 1823 a 1829
253 - Pio VIII - Cingoli,  de 1829 a 1830
254 - Gregório XVI - Belluno, de 1831 a 1846
255 - Pio IX - Sinigáglia, de 1846 a 1878
256 - Leão XIII - Carpineto, de 1878 a 1903
257 - São Pio X - Riese, de 1903 a 1914
258 - Bento XV - Gênova,  de 1914 a 1922

 

Reis (De 1929 para cá)

259 - Pio XI - Milão,  de 1922 a 1939
260 - Pio XII - Roma, de 1939 a 1958
261 - João XXIII - Sotto II Monte,  de 1958 a 1963
262 - Paulo VI - Concesio,  de 1963 a 1978
263 - João Paulo I - Belluno,  de 1978 a 1978
264 - João Paulo II - Polônia,  de 1978 a 2005 – (Santo)

265 - Bento XVI, ou Benedito XVI (Joseph Ratzinger) Alemanha, 19 de abril 2005 á

           28/02/2013 (Proclamou sua renuncia em 11/02/2013).

266 - Papa Francisco I - Jorge Mario Bergoglio – Argentino - Eleiçao 13/03/2013 – Entronado 19/03/2013.

 
O que você sabe sobre o VATICANO, as SETE COLINAS de ROMA, e os DEZ CHIFRES e as SETE CABEÇAS de APOCALIPSE?
O que você sabe sobre o VATICANO, as SETE COLINAS de ROMA, e os DEZ CHIFRES e as SETE CABEÇAS de APOCALIPSE?
Apocalipse 12:
3 Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas;

Apocalipse 13:
1 Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia.

Apocalipse 17:
3 Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres.
7 Ao que o anjo me disse: Por que te admiraste? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a leva, a qual tem sete cabeças e dez chifres.
12 Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam o reino, mas receberão autoridade, como reis, por uma hora, juntamente com a besta.
16 E os dez chifres que viste, e a besta, estes odiarão a prostituta e a tornarão desolada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo.

Apocalipse 17:
9 Aqui está a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada;

Apocalipse 13:
11 E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como dragão.
Explicaçao
A mitología romana, sua religião e sua política; tradicionalmente, acha-se que a cidade original foi fundada por Rómulo e Remo sobre o monte Palatino (Collina Palatinus). As primitivas sete colinas eram: Cermalus, Palatium, Velia, bicos do monte Palatino, Cispius, Fagutalis, Oppius, bicos do monte Esquilino, e Sucusa.
Inicial e tradicionalmente, as sete colinas foram ocupadas por pequenos assentamentos que se agruparam e formaram uma cidade conhecida como «Roma». Os cidadãos das sete colinas começaram a participar em uma série de jogos religiosos que começaram a unir aos grupos. A cidade de Roma nasceu por tanto uma vez que os assentamentos começaram a actuar como grupo, drenando os vales pantanosos que os separavam e os convertendo em mercados e foros.
Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres. Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição. Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA". (Ap 17.3,5).
 
Apocalipse 17:03,05

"O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a perdição". Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. "E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo. E a besta que era e já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição". (Ap 17.7,11).
Aqui está o sentido, “As sete cabeças são sete montes nos quais a mulher está sentada”. Roma é conhecida como a cidade dos sete montes, ou sete colinas, continuando..."dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco..."
As sete cabeças são também sete reis. A cabeça é o que comanda o corpo. O cabeça visível da igreja católica é o papa. Então, as sete cabeças são sete papas. Mas o anjo disse que as cabeças são “reis”. Elas representam então papas, que são também reis. Os papas sempre foram lideres e governadores da igreja Católica; mas nem sempre foram reis. Uma pessoa, para ser um rei, deve governar um país. Se alguém governa uma província ou um estado, é um governador, mas não um rei. A igreja Católica era apenas uma denominação religiosa desde sua fundação, até 1929. Neste ano, o ditador Italiano Benito Mussolini deu para o papa Pio XI hectares de terra, os quais foi fundado o Estado do Vaticano, um país independente e monárquico, cujo rei era o papa.  Pio XI, que era o papa quando esta mudança tomou lugar, tonou-se o primeiro papa “rei”. O anjo, explicando sobre os reis, disse que “cinco caíram, e um existe” Ele leva João para o tempo do sexto rei, o que nos mostra que a profecia seria entendida quando o sexto rei estivesse no trono do papado. A partir de Pio XI, o primeiro rei, os papas “reis” que se seguiram foram:

 

1 - Pio XI;   de 1922 a 1939, o de Num, 259!

2 – Pio XII;  de 1939 a 1958, o de Num. 260!
3 – João XXIII;  de 1958 a 1963, o de Num. 261!

4 – Paulo VI;  de 1963 a 1978, o de Num. 262

5 – João Paulo I; de 1978 a 1978, o de Num. 263!
6 – João Paulo II; de 1978 a 2005, o de Num. 264!
7 – Bento XVI;  de 19 de abril 2005 á 28/02/2013 (Proclamou sua renuncia em 11/02/2013), o de Num. 265!
8 - Francisco I;  Eleiçao 13/03/2013 – Entronado 19/03/2013, o de Num. 266!

 
João Paulo II foi o sexto rei, aquele descrito pelo anjo através das palavras: “um é”. Ele estava no poder no tempo apontado por João na visão. Centenas de pessoas nos Estados Unidos, Brasil, Argentina, e provavelmente em outros lugares, entenderam o que foi explicado até aqui nos anos noventa, quando João Paulo II estava no trono do Vaticano, cumprindo a profecia. “O outro ainda não chegou”. De acordo com a profecia, após a morte de João Paulo II, haveria outro papa “rei”, que, “quando vier, tem de durar pouco tempo”. O cardeal Josef Ratzinger, um homem de idade avançada que não pode se manter no trono do papado por muitos anos como o fez João Paulo II, foi eleito, tornando-se Bento XVI, o sétimo rei, cumprindo a profecia. Os próprios jornais confirmam que os próprios cardeais católicos esperam que ele irá reinar apenas pouco tempo.
“São Paulo (Folhapress) - O favoritismo de Ratzinger, além do apelo conservador, se dá pela idade avançada e pela experiência: aos 77 anos, dificilmente o cardeal alemão exerceria um papado extenso.
"E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a perdição". (Ap 17:11)
De acordo com a explicação acima, o oitavo rei é a besta. O que isto significa? Quem será o oitavo rei?
Em Apoc. 17:11, está escrito que o oitavo rei é a besta, e é um dos sete reis anteriores. Em Apoc. 13, que apresenta a mesma besta de Apoc. 17, nós lemos as seguintes palavras: a mesma besta que foi vista em Apocalipse 17 é apresentada. A profecia afirma que o mundo se maravilhará quando ver uma das cabeças da besta (um dos papas “reis”), que fora “ferida de morte e esta ferida mortal foi curada”. Sim, o mundo se maravilhará quando ver um papa “ressuscitado dentre os mortos”.
A igreja Católica diz que o papa tem as chaves da morte e do inferno, e Satanás irá, aparentemente, “provar” que isto é verdade através deste engano. Esta ressurreição irá maravilhar o mundo ao máximo. Como irá João Paulo II ressuscitar?
A profecia descreve que Satanás irá enganar os que “habitam sobre a terra”.
A profecia afirma que Satanás engana os ímpios que habitam sobre a terra, por meio dos milagres que ele tem poder para fazer, Mateus 24:24 e 2 Corintios 11:14 e dis para os ímpios para que eles façam uma “imagem à besta”. Qual besta? “Àquela que, ferida à espada, sobreviveu”, o oitavo rei.
Nós já vimos que João Paulo II foi aquele que recebeu esta ferida, no atentado de 1981.    Satanás diz para os ímpios que façam uma imagem de João Paulo II. Estaria a profecia referindo-se ao fato de que Satanás estaria dizendo para o povo fazer uma estátua de João Paulo II?   
Não, nós vemos que não é este o caso, quando lemos o próximo versículo 15:   "...e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta".

 

 

Sete colinas de Roma
Roma foi fundada em 753 a.C. sobre uma das Sete Colinas: (Capitólio, Quirinale, Viminale, Esquilino, Célio, Aventino e Palatino) que rodeavam a comunidade primitiva. Outras colinas de Roma são a Pinciana e Janículo.
As sete colinas de Roma são uma série de promontórios que historicamente têm formado o coração da cidade de Roma . Situadas ao este do rio Tíber, este conjunto geográfico tem protagonizado numerosísimos bilhetes literários e são uma referência muitas vezes repetida na cultura popular.
As sete colinas da Roma antiga eram:
  • o monte Aventino (Collis Aventinus), (47 metros de alto).
  • o Capilla (Capillus, que tinha duas cristas: o Arx e o Capitolium), (50 metros de alto).
  • o Celio (Caelius, cuja extensão oriental chamava-se Caeliolus), (50 metros de alto).
  • o Esquilino (Esquilinus, que tinha três cumes: o Cispius, o Fagutalis e o Oppius), (64 metros de alto).
  • o monte Palatino (Collis Palatinus, cujas três cumes eram: o Cermalus ou Germalus, o Palatium e o Velia), (51 metros de alto).
  • o Quirinal (Quirinalis, que tinha três bicos: o Latiaris, o Mucialis ou Sanqualis, e o Salutaris), (61 metros de alto).
  • o Viminal (Viminalis), (60 metros de alto).
Monte Aventino
O monte Aventino (em latim: mons Aventinus) é uma das sete colinas de Roma. Segundo as fontes antigas, o nome poderá derivar do nome de um dos reis de Alba Longa, filho de Hércules, ou da locução de ab adventu hominum, que era a denominação de um templo dedicado a Diana, ou ab advectu pelos pântanos circundantes, ou ainda ab avibus pelas aves que se dirigiam ao rio Tibre.
Segundo a mitologia, foi no monte Aventino que Hércules matou Caco. Durante a época do fascismo italiano, vários deputados da oposição refugiaram-se nesta colina após o assassinato de Giacomo Matteotti, aqui terminando — pela designada Secessão Aventiniana — a sua presença no Parlamento e, consequentemente, a sua actividade política. Actualmente constitui uma zona residencial de Roma
Monte Capitolino
A colina do Capitólio.
O Capitólio (em italiano: Campidoglio), ou Monte Capitolino, é uma das famosas sete colinas de Roma. Trata-se da colina mais baixa, com dois picos separados por uma depressão. Era local facilmente defensável, com alta escarpa exceto no lado que se vira para o Quirinal. Segundo a lenda, os Sabinos puderam tomar a colina apenas pela traição de Tarpeia. A rocha Tarpeia, de onde os criminosos eram jogados, guardaria seu nome.[1] Quando os Gauleses invadiram Roma, em 390 a.C., o monte Capitolino foi a única zona da cidade que não foi capturada pelos bárbaros.
De acordo com os escritores romanos e gregos antigos, o nome inicial do monte era Monte Tarpeio, pois nele fora enterrada Tarpeia;[2] quando o rei Tarquínio dedicou o monte a Júpiter e removeu seus ossos, o nome de Tarpeia foi esquecido, sendo mantido apenas na rocha Tarpeia. No lado do pico do sul, ou Capitolium, entre o Fórum Romano e o Campo de Marte (Campo Marzio), erguia-se o templo da Tríade Capitolina — os deuses Júpiter, a sua companheira Juno e a filha de ambos, Minerva — iniciado pelo último rei de Roma Tarquínio, o Soberbo (Tarquínio, o Soberbo), e considerado um dos maiores e mais belos templos da cidade. No lado do pico do norte, ou Arx, a partir do século IV a.C. se levantava o templo de Juno Moneta, no atual local da igreja de Santa Maria in Aracoeli. No pequeno vale entre ambos, hoje ocupado pela praça do Campidoglio, ficava o Asylum, santuário que a lenda faz recuar aos tempos de Rômulo que oferecia refúgios aos perseguidos. Do lado leste, o Tabularium, arquivo estatal romano. No sopé da colina, no local da atual igreja de Giuseppe del Falegnami, a prisão Mamertina, onde provavelmente estiveram detidos os apóstolos Pedro e Paulo.
Do alto desta colina os generais triunfantes podiam contemplar a cidade pela qual lutavam. Além disto, o monte Capitolino é referido inúmeras vezes durante a História de Roma:
  • Quando, no quarto século a.C., os guerreiros de Breno atacaram furtivamente, em plena noite, a colina do Capitólio, os gansos consagrados a Juno provocaram um grande alarido, fazendo que os soldados romanos não fossem surpreendidos dormindo em suas fortificações, podendo assim oferecer prolongada resistência ao ataque gaulês durante a Invasão Gaulesa de Roma.
A Piazza del Campidoglio (Praça do Capitólio).
  • Brutus e os assassinos se refugiaram no monte Capitolino, dentro do Templo de Júpiter, após o assassinato de César.
  • Foi no Capitólio que Tibério Graco morreu.
  • Foi por este local que os Sabinos, perante a Cidadela, perpetraram dentro da cidade, com a ajuda da infame Virgem Vestal, Tarpeia, filha de Spurius Tarpeius, que foi mais tarde o primeiro a morrer nas rochas.
  • Aqui foram assassinados criminosos políticos, atirados pela encosta da colina, para caírem nas afiadas Rochas Tarpeianas, mais abaixo.
  • Quando Júlio César sofreu um acidente durante o seu Triunfo (segundo as crenças da época, indicando claramente a sua ira e o castigo que receria por suas acções durante a Segunda Guerra Civil da República de Roma), aproximou-se, em joelhos, da colina, em direcção ao templo de Júpiter, na tentativa de subverter as infelizes premonições (César seria assassinado seis meses depois).
A Piazza del Campidoglio (Praça do Capitólio), com a imponente estátua de Marco Aurélio ao centro.
De 1536 a 1546, o Papa Paulo III encarregou Michelangelo de redesenhar a praça e transformar o Campidoglio — como os Romanos o tornaram conhecido — com os seus três palácios que preenchem o espaço trapezoidal, aproximados de uma escadaria famosa, a Cordonata, encabeçada pelas duas grandes estátuas dos Dioscuri (os míticos Castor e Pólux). A ideia de redesenhar a praça nasceu quando se preparava a visita do imperador Carlos V de Habsburgo em 1536. Michelangelo incluiu em seus planos o palácio dos senadores, construído no século XII, e os alicerces do Tabularium e do edifício do lado sul, que datava do século XIV, hoje "Palácio dos Conservadores" (Palazzo dei Conservatori). A ideia do grande artista foi transformar o monumento equestre ao imperador Marco Aurélio, transferido para o Capitólio em 1538, na principal atração.
Contrapondo a orientação clássica do monte Capitolino, que se virava para o Fórum, o artista rodou as atenções para a Roma papal. A construção da praça progrediu muito lentamente e outros arquitetos terminariam as ideias de Michelangelo, pois a praça só seria terminada no século XVII. A impressionante fachada com pilastras coríntias do Palácio dos Conservadores, por exemplo, se deve a Giacomo della Porta (executada de 1564 a 1568). Os três palácios compõem actualmente os importantes Museus Capitolinos: estes edifícios do Palazzo Nuovo e do Palazzo dei Conservatori mostram em suas estupendas galerias o núcleo da coleção do papa Sisto IV iniciada em 1471.
A piazza del Campidoglio continua a ser importante, pois o Tratado de Roma nela foi assinado em 1957 e o palácio dos senadores (Palazzo Senatorio) é a sede oficial do prefeito da cidade. A igreja de Santa Maria in Aracoeli está adjacente à praça.
Monte Célio
Célio - Villa Celimontana
O monte Célio (em latim: mons Caelius) é uma das sete colinas de Roma, inserido no perímetro citadino ainda durante Rômulo, ou talvez com Túlio Hostílio ou Anco Márcio.
Originalmente o nome deveria ser Querquetulanus mons devido à riqueza de carvalhos, enquanto que a origem do nome Caelius parece estar relacionada com o etrusco Célio Vibena.
Monte Esquilino
O monte Esquilino é uma das sete colinas de Roma. Compõe-se, na realidade, de três outros montes: o Opio no setor meridional, o Fagutal no setor ocidental, confinante con o Velia, e Cispio na parte setentrional, onde está atualmente a Basílica de Santa Maria Maior.
A origem do nome Esquilino ainda é fonte de grandes debates. Uma perspectiva expõe que a colina deverá o seu nome à abundância de carvalhos (exculi) que outrora havia nesta zona. Outra perspectiva relata que, durante a infância de Roma, o Capitólio, o Palatino e os arredores da parte Norte do Célio seriam a parte mais populosa da cidade, cujos habitantes seriam considerados inquilini, como vindos de fora; aqueles que habitavam a periferia - montes Aureliano, Opio, Cispio, Fagutal - eram considerados exquilini, suburbanos.
Erguendo-se acima do vale onde seria construído o Coliseu, o Esquilino foi um distrito residencial peculiar. Na inflexão mais a Sul, o Opio, Nero confiscou a propriedade para construir a sua extravagante Domus Aurea e, mais tarde, Trajano aí construiu o seu complexo termal, cujas ruínas (de ambos) ainda subsistem. No local foram encontradas uma variedade de esculturas no estilo Vênus, dentre as quais destaca-se a Vênus de Esquilino.
Em 1781 aqui foi descoberta a estátua de mármore de um lançador de disco — o, assim conhecido, Discobolus, de Míron.
Monte Palatino
Ruínas dos Palácios Imperiais do Palatino, perspectiva do lado do Circo Máximo.
O monte Palatino é uma das sete colinas de Roma. Tem 70 metros de altura e nas suas encostas foram construídos, de um lado, o Fórum Romano, e do outro, o Circo Máximo. O local é hoje um grande museu ao ar livre, visitado durante o dia. A bilheteira, hoje, depois da restauração da Domus Augustana, localiza-se depois do Arco de Constantino, seguindo em direção ao Circo Máximo. A saída localiza-se próximo do Arco de Tito ou junto à Prisão Mamertina, próximo ao Capitólio. Pode-se comprar um bilhete (12,00 Euros) que dá direito a visitar o Palatino, o Fórum Romano e o Coliseu.
O nome deriva de Pales, o deus dos pastores. Segundo a lenda da fundação de Roma, sobre o Palatino foi edificada a cidade quadrada de Rómulo. Já sítio habitado na idade do Ferro (como provam vestígios arqueológicos) acolhe também as ruínas mais antigas de Roma, como restos de muralha (séculos VI–IV a.C.) e uma cisterna.
No século III a.C. foram construídos os templos de Júpiter, de Vitória e da Magna Mater (Deusa-mãe, a Grande Mãe), enquanto que no último período republicano foram construídas muitas habitações patrícias.
É nesta colina que se encontravam outrora, agora em ruínas, os palácios de Augusto, Tibério e Domiciano. O termo palácio provém de Palatium.
Monte Quirinal
O monte Quirinal (Latim: Collis Quirinalis; italiano: Quirinale ) é uma das legendárias sete colinas de Roma que durante séculos protegeu o sítio onde a cidade foi fundada. Com este nome é também indicada a residência oficial do presidente da República Italiana e o palácio do mesmo nome.
História
Originariamente fazia parte de um grupo de colinas entre as quais estavam incluídas a Collis Latiaris, Mucialis (ou Sanqualis) e Salutaris, já desaparecidas devido à construção desenfreada de edifícios durante o século XVI e posteriores.
De acordo com a lenda romana, na colina Quirinal foi fundada uma pequena vila sabina, e o rei Tito Tácio ali se estabeleceu depois de conseguida a paz entre Romanos e Sabinos. Neste mesmo lugar, os Sabinos erigiram um templo dedicado ao mitológico Quirino, derivando daí o nome do monte.
Monte Viminal
Mapa de Roma mostrando as sete colinas e a Muralha Serviana.
O Viminal (em latim: Collis Viminalis, em italiano: Viminale) é a menor das sete colinas de Roma. Uma cúspide em forma de dedo, apontando para o centro de Roma, entre o Quirinal, a noroeste, e o Esquilino, a sudeste, nela se encontra o Teatro dell'Opera e a estação ferroviária Termini. No topo do Viminal se encontra o Palácio do Viminal, sede do Ministério do Interior da Itália; atualmente o termo il Viminale é utilizado para se refererir a este ministério.
De acordo com o historiador romano Lívio, a colina passou a fazer parte da cidade de Roma, juntamente com o Quirinal, durante o reinado de Sérvio Túlio, o sexto rei de Roma, no século VI a.C.

 

 

 

Estudo realizado por Pr.Rogério Costa

Caxias do Sul - Setembro 2008

 

 

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