O Espírto Santo

(Este Estudo equivale a uma Apostila...)

 

Obs:. Na extremidade inferior deste Link, encontrarás vários videos de cançoes sobre Espírito Santo.

 

Índice de Tópicos


I - PERSONALIDADE E DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
II - SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO NAS ESCRITURAS
III - JESUS E O ESPÍRITO SANTO
IV - A PROMESSA DO ESPÍRITO SANTO
V - O CUMPRIMENTO DA PROMESSA
VI - O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
VII - OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
VIII - O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO
IX - O GUIA DO CRISTÃO
X - VIDA PELO ESPÍRITO SANTO
XI - O RESTAURADOR
XII - O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO
XIII - O ESPÍRITO SANTO NOS ÚLTIMOS DIAS

 

 



Espírito Santo

 

Estudo I - Personalidade e Divindade do Espírito Santo

 

 

"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mat. 28:19).

Não é necessário ler muito na Bíblia para encontrar o Espírito Santo. Gênesis 1:2 diz: "A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas"; enquanto isso, no outro extremo da Bíblia, Apocalipse 22:17 diz: "O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida."

É evidente que entre esses dois textos, ao longo das páginas das Escrituras, são revelados o ministério e a obra do Espírito Santo por nós, especialmente no Novo Testamento, onde nos são dadas muitas informações sobre a realidade, o propósito e a função do Espírito Santo, particularmente com respeito ao plano de salvação.

Vamos nos concentrar em um aspecto freqüentemente mal-compreendido do Espírito Santo: Sua divindade. Em outras palavras, o Espírito Santo não é apenas uma força impessoal que emana de Deus. Ele é Deus, uma das três Pessoas que compõem a Divindade da fé cristã. Vamos examinar esse ensino fundamental da Bíblia.

Que evidência temos da pluralidade da Divindade nos textos seguintes?

1- Gên. 1:26 

2- Gên. 3:22; Gên. 11:7

3- Isa. 6:8

4- João 1:1-3

5- João 8:58

"O Filho é toda a plenitude da Divindade manifestada. A Palavra de Deus declara que Ele é ‘a expressa imagem da Sua pessoa’. ... O Consolador que Cristo prometeu enviar depois de ascender ao Céu, é o Espírito em toda a plenitude da Divindade, tornando manifesto o poder da graça divina a todos quantos recebem e crêem em Cristo como um Salvador pessoal. Há três pessoas vivas pertencentes à Trindade celestial; em nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – os que recebem a Cristo por fé viva são batizados, e esses poderes cooperarão com os súditos obedientes do Céu em seus esforços para viver a nova vida em Cristo." – Evangelismo, págs. 614 e 615

 

Deus Espírito Santo

A maioria das pessoas não tem dificuldades com a idéia de o Pai ser Deus. Afinal, Deus é o que é o Pai. Mesmo a idéia de Jesus como Deus, como um Ser completamente divino manifesto em forma humana, embora um tanto difícil de entender, é compreensível. Afinal, um Deus todo-poderoso deve ser capaz de manifestar-Se em carne humana se decidir fazer isso, certo?

No entanto, para muitos, o conceito de o Espírito Santo ser Deus é muito mais difícil. É bem mais fácil pensar no Espírito Santo, não como o próprio Deus mas como algum tipo de força impessoal, alguma energia ou poder divino, como a gravidade, que vem de Deus e permeia o mundo. Mas a Bíblia é clara em afirmar que o Espírito Santo é divino; isto é, o Espírito Santo, assim como o Pai e o Filho, é um dos personagens da Divindade.

Leia o que os textos seguintes dizem sobre a natureza divina do Espírito Santo. Gên. 1:2,  Mat. 1:20, Mat. 28:19, Romanos 8:11, 1 Cor. 2:10,11.

Entre os atributos do Espírito Santo estão verdade (João 16:13), vida (Rom. 8:2) e onipotência (1 Cor. 2:10,11) – todos atributos associados à Divindade. Jesus, em Mateus 12:31,32, diz que a blasfêmia pronunciada contra Ele pode ser perdoada, mas não a blasfêmia contra o Espírito Santo, um conceito que não faria muito sentido se o Espírito Santo fosse alguma coisa menor que Deus. Mateus 1:20, que faz referência à concepção de Jesus no ventre de Maria por obra do Espírito Santo, também é um texto difícil de ser entendido se o Espírito Santo não fosse verdadeiramente Deus.

Atos 5:3,4. Nestes dois versos, Deus e o Espírito Santo são usados de modo intercambiável. Aqui, Pedro está comparando o Espírito Santo a Deus, um texto poderoso que aponta para a divindade do Espírito Santo.

João 14:16- Neste verso, Jesus trata Seu Pai como igual e solicita um dom para Seus seguidores. No grego, a palavra traduzida aqui como "outro" é allos. Significa "outro do mesmo tipo", ao contrário de heteros, que significa "outro de outro tipo". Jesus tinha a intenção de enviar alguém para os discípulos, e para as gerações sucessivas de Seus seguidores, que fosse semelhante a Ele mesmo, isto é – divino. Anteriormente, Jesus Se relacionara com o Pai. Agora, Ele Se relacionou com o Espírito. Em conclusão, as três Pessoas da Divindade são todas semelhantes.

 

A unidade de Deus

Leia estes dois versos e veja que outra evidência temos para confirmar a natureza divina do Espírito Santo. 2 Cor. 13:14; Mat. 28:19

Como cristãos, admitimos que existem três Pessoas na Divindade: "são um em desígnio, mente, em caráter, mas não em pessoa". A Ciência do Bom Viver, pág. 422. A religião cristã não é uma crença em três Deuses separados; ao contrário, é uma crença em um Deus que Se manifesta em três pessoas que trabalham em perfeita harmonia uma com a outra.

 

Evidências da pessoalidade do Espírito

Tendo Jesus vindo à Terra como ser humano, em forma humana, não é difícil pensar nEle como uma pessoa com peculiaridades distintas. Em contraste, quase sempre pensamos no Espírito Santo como "isso", uma entidade ou poder impessoal. Mas a Bíblia apresenta o Espírito Santo como personalidade distinta, que tem inteligência (João 14:26; João 15:26; Romanos 8:16), vontade (Atos 16:7; 1 Cor. 12:11), e emoções (Efés. 4:30).

A Bíblia também atribui ao Espírito Santo ações que revelam pessoalidade, isto é, caráter ou qualidade do que é pessoal (Aurélio). A Bíblia diz que Ele fala expressamente (1 Tim. 4:1), envia pessoas em missão (Atos 10:19,20), impede pessoas de irem a determinados lugares (Atos 16:7), dá ordens (Atos 11:12), impede ações (Atos 16:6), chama ministros do evangelho (Atos 13:2), nomeia-os às suas esferas de dever (Atos 20:28) e faz intercessão (Rom. 8:26,27) Essas qualidades e ações são mais comumente identificadas com a personalidade humana, e não a algum mero poder ou influência.

"O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus. ‘Por que qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus’."

 

 

Estudo II - Símbolos do Espírito Santo nas Escrituras

 

 

"O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito" (João 3:8).

Além das numerosas referências nominais ao Espírito, tanto no Antigo como no Novo Testamento, o Espírito é mencionado freqüentemente pelo uso de uma variedade de símbolos. Unicamente pelo conhecimento dos símbolos, emblemas ou ilustrações utilizados para o Espírito podem Sua obra e ministério na vida do crente ser entendidos adequadamente.

Que qualidades das pombas representam o Espírito Santo? Por que esse pássaro – e não um corvo, um abutre ou falcão – foi usado como símbolo do Espírito Santo? Veja Mat. 10:16.

A palavra em Mateus 10:16 freqüentemente traduzida como "simples" pode ser traduzida mais exatamente como não misturado, puro, sem mistura do mal. Essa é certamente uma descrição hábil de Jesus, mas também é uma indicação do que o Espírito pode fazer na vida dos crentes.

A Bíblia é perfeitamente clara sobre o tipo de vida que os seguidores do Senhor devem ter. Mas também é clara, afirmando que podemos ser o que Deus deseja que sejamos unicamente mediante um poder de cima, operando em nosso coração. Por nós mesmos, simplesmente estamos muito longe de nos reformar à vista de Deus. Só o poder depurador, regenerador e santificador do Espírito é que pode nos habilitar a refletir a pureza e o caráter de Jesus. Este é o alvo de todo o que professa seguir a Cristo.

"No último dia, o grande dia da festa, levantou-Se Jesus e exclamou: se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Quem crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto Ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nEle cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado" (João 7:37-39).

Aqui, Jesus compara o Espírito à água. A água é essencial à vida. Não pode haver vida sem água. Então, não pode haver vida espiritual sem a presença do Espírito. Da mesma forma, a água não é algo que podemos fazer por nós mesmos. Para isso, somos totalmente dependentes de Deus. O mesmo se dá com o Espírito.

Note, também, a idéia da água que flui do coração daqueles que crêem em Jesus. Aqui o Senhor revela uma verdade fundamental sobre os que nEle crêem: aquilo que eles receberam pela vontade do Espírito, por sua vez, flui deles para os outros.

 

Óleo

"Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas" (Mat. 25:1-4).

O óleo é símbolo do Espírito Santo. Assim como as lâmpadas do tempo de Cristo não davam luz sem conterem óleo, sem o Espírito em sua vida o cristão não pode iluminar o mundo, como deve fazer (Mat. 5:14-16). As virgens sábias da parábola "tinha[m] recebido a graça de Deus, e o poder do Espírito Santo, que regenera e alumia, tornando a Palavra divina uma lâmpada para os pés e luz para o caminho. No temor de Deus estudaram as Escrituras, para aprenderem a verdade, e fervorosamente buscaram a pureza de coração e de vida". –  O Grande Conflito, pág. 394.

Em que termos o poder iluminador do Espírito Santo é descrito em Zacarias? Zac. 4:1-6.

As luzes ou os castiçais representam a igreja, ou seguidores de Cristo (veja Apoc. 1:20). Dos seres santos que se encontram na presença de Deus, Seu Espírito é concedido às instrumentalidades humanas que são consagradas ao Seu serviço. É unicamente pela unção e pelo poder renovador do Espírito Santo no coração que podemos desenvolver a atitude correta para com a divina luz e a verdade. É unicamente pelo Espírito, e não pelo poder humano, que podemos ser canais de misericórdia e graça a um mundo pecaminoso e moribundo.

Na visão de Zacarias, as duas oliveiras que estão na presença de Deus são descritas como estando vertendo de si mesmas o óleo dourado através de tubos de ouro sobre o vaso do santuário. A partir desse vaso os castiçais do santuário são alimentados, para que dêem sua luz brilhante. Então, dos ungidos que permanecem na presença de Deus, a abundância da divina luz e do amor e poder é dada ao Seu povo, para que este dê aos outros luz, alegria e refrigério. Os crentes devem se tornar canais pelos quais a instrumentalidade divina comunica ao mundo a torrente do amor de Deus.

 

O selo e o penhor

"[Ele] também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração" (2 Cor. 1:22).

Que certeza podemos ter em Deus mediante a unção do Espírito? 2 Cor. 1:20-22 

Paulo aqui usa a figura ou símbolo do dinheiro, como sinal de negócio ou entrada, para ilustrar o dom do Espírito Santo aos crentes. Esta é uma primeira parcela, garantia de sua plena herança quando Cristo voltar.

Note também, nos textos acima, em quem temos todas essas promessas. Evidentemente, é em Jesus, pois "pois quantas forem as promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o ‘sim’." (v. 20 NVI). A certeza de que Paulo fala aqui, selada pelo Espírito Santo, vem-nos por causa do que Jesus fez por nós na cruz. É unicamente por causa da cruz que nos foi dado o Espírito Santo, o selo da nossa redenção.

O dom do Espírito concedido ao crente é a garantia por parte de Deus de que Ele finalmente trará o pleno dom da salvação, tirando o crente deste mundo de pecado e dando-lhe herança em Seu reino eterno. Mesmo nos negócios humanos, a entrada, ou sinal, é a certeza do comprador de que determinada transação se cumprirá. O Espírito é o sinal de Deus a respeito da salvação prometida, que foi completamente paga na cruz.

Mas estes textos não ensinam "uma vez salvo, salvo para sempre". Podemos resistir ao Espírito (Atos 7:51); podemos cair da graça. A soberania de Deus não interfere no livre-arbítrio humano. Quando decidimos segui-Lo, vivendo pela fé – reivindicando Seu poder para vencer quando tentados, reivindicando Seu perdão quando caímos – podemos estar certos de que Ele fará tudo o que nos prometeu.

 

Luz e Fogo

"A verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem" (João 1:9).

"Onde quer que haja um impulso de amor e simpatia, onde quer que o coração se comova para abençoar e amparar os outros, é revelada a operação do Santo Espírito de Deus. Nas profundezas do paganismo os homens que não tiveram conhecimento da lei escrita de Deus, que nunca ouviram o nome de Cristo, têm sido bondosos com Seus servos, protegendo-os com o risco da própria vida. Seus atos mostram a operação de um poder divino. O Espírito Santo implantou a graça de Cristo no coração do selvagem, despertando nele a simpatia contrária à sua natureza e à sua educação. A ‘luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo’ (João 1:9), está brilhando em sua vida; e esta luz, se atendida, guiará os seus pés para o reino de Deus." –Parábolas de Jesus, pág. 385.

O fogo era muito importante para as tradições e culturas do Antigo Testamento, pois simbolizava a presença de Deus (veja Exo. 3:2). Também representava Sua proteção e providência (veja Exo. 13:21), aprovação (veja Lev. 9:24) e Seu poder purificador e santificador (veja Isa. 6:6,7).

Outro exemplo usado para descrever a obra do Espírito Santo foi apresentado pelo próprio Jesus, quando comparou com o vento a obra do Espírito (João 3:8). O vento não é visível; não sabemos de onde vem nem para onde vai. Mas, mesmo sendo invisível, seus efeitos são claramente vistos. Jesus comparou o Espírito ao vento. Ele não pode ser visto, mas os Seus efeitos nas vidas humanas transformadas são claramente evidentes. Mas o próprio Espírito é um mistério. Das três pessoas da Divindade, Ele é menos conhecido da humanidade. Jesus veio revelar o Pai, ou torná-Lo conhecido (veja João 1:18), e a humanidade viu Jesus em forma humana. Mas ninguém viu o Espírito e ninguém O revelou a nós

 

 

Estudo III - Jesus e o Espírito Santo

 

 

"Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a Sua sombra; por isso, também o Ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35).

O Espírito Santo esteve envolvido na encarnação de Jesus e Sua vinda à Terra. Jesus foi concebido por Maria pelo poder do Espírito. Antes de entrar em Seu ministério público, Jesus foi dotado do Espírito, que, no batismo, desceu sobre Ele em forma de pomba. Logo depois do batismo, o Espírito O levou ao deserto.

Ao longo de todo o Seu ministério, Jesus foi conduzido pelo Espírito. Ele Se comprometeu sem reservas com o cumprimento da vontade do Pai, conforme se desvendava a Ele nas Escrituras Sagradas e pelas sugestões do Espírito. Ele submeteu Suas próprias inclinações. Não tinha maior desejo de morrer com a idade de 33 anos do que você ou eu. De fato, Ele implorou ao Seu Pai para afastar aquele cálice, se possível. Mas preferiu morrer aos 33 anos a contrariar a vontade de Seu Pai. Não insistiu em seguir Seu próprio caminho, embora pudesse facilmente fugir à morte.

Sua obra, Seu ministério e Seus milagres foram realizados, assim como devem ser os nossos, pela direção do Espírito Santo.

 

Nascimento miraculoso

No nascimento de Jesus em forma humana, que papel teve o Espírito Santo? Leia Mat. 1:18-20; Luc. 1:35.

Se existe na Bíblia algum texto que mostre os limites da ciência, da lógica e da experiência humana para explicar as grandes verdades de Deus, estes dois versos devem estar no topo. Já é surpreendente que uma mulher fosse engravidada pelo Espírito Santo. Que ela fosse virgem (Mat. 1:23) torna o milagre ainda mais espantoso. Ao longo da história da igreja, houve pessoas tentando todos os tipos de explicações para o nascimento de Jesus, diferentemente do que os textos dizem. Os que limitam o que crêem só ao que seus sentidos podem lhes dizer, ao que a experiência passada lhes mostrou ou ao que a ciência moderna pode lhes explicar, terão muita dificuldade com estes textos e as grandes verdades que contêm. Mas os que confiam no poder de Deus (Luc. 1:37; Heb. 11:6) e na verdade da Palavra de Deus (2 Tim. 3:16) podem aceitar os textos pelo que dizem, não importa quão pouco entendamos os processos por trás da verdade ali revelada. Afinal, o justo viverá pela fé (Heb. 10:38), e o que é fé se não a crença naquilo que não podemos entender completamente? Quem pode entender completamente que uma mulher humana e pecaminosa pudesse conceber em seu ventre o Filho de Deus?

Por mais insondável que seja a encarnação de Jesus, não é difícil entender por que o Espírito Santo, que faz parte da Divindade, seria o agente executivo. Quem mais, a não ser Deus, poderia operar esse milagre? É difícil imaginar um anjo, ou qualquer ser inferior ou criado, como agente causativo desse ato incrível.

 

Ungido pelo Espírito

Qual foi o papel do Espírito no ministério de Cristo? Leia Mat. 3:16,17; Mar. 1:10; Luc. 3:21,22; João 1:32-34.

Embora fosse o Filho imaculado de Deus, aquele que estava com Deus desde a eternidade (João 1:1-3), em Sua manifestação humana, Jesus dependia totalmente do trabalho do Espírito em Sua vida. Isto é, na humanidade, Ele Se permitiu ser guiado e fortalecido pelo Espírito Santo.

Agora, note que, nesta cena, as três pessoas da Trindade Se manifestaram de modo especial, nem sempre revelado na Bíblia: O Pai, o Filho e o Espírito Santo estavam presentes. Só este fato já deve nos dizer quão significativos foram a unção e o batismo de Jesus. Realmente, aqui, de modo especial, começou Sua obra, não apenas para a redenção da humanidade, mas para encerrar o grande conflito com Satanás.

Foi na tentação do deserto (Mateus 4:1) que Cristo passou pela mesma experiência de Adão, só que em situação muito pior do que a dele (afinal, Adão estava de barriga cheia no Paraíso, ao passo que Jesus, com o estômago vazio e roncando, estava em um deserto). Os três evangelistas que escreveram sobre a tentação enfatizaram que foi o Espírito, recém-concedido a Cristo de maneira marcante no batismo, que O levou ao deserto. Eles também declaram expressamente que foi Satanás que O tentou.

 

Guiado pelo Espírito

"Pois o enviado de Deus fala as palavras dEle, porque Deus não dá o Espírito por medida" (João 3:34).

Atos 1:1,2 deixa claro que foi pelo poder do Espírito Santo que Jesus deu mandamentos aos apóstolos. Temos aqui também outra referência clara à dependência de Jesus ao poder do Espírito Santo.

"Com referência à natureza humana, por todos os dias de Sua humilhação, Jesus permaneceu sob a operação constante e penetrante do Espírito Santo. O Filho, a quem nada faltava, mas que, como Deus, em união com o Pai e o com Espírito Santo, possuía todas as coisas, adotou compassivamente a natureza humana. ... Embora fosse o Filho, Ele não tomou em Suas mãos Sua preparação, enriquecimento e operação, mas dispôs-Se a recebê-las da mão do Espírito Santo." – Abraham Kuyper, The Work of the Holy Spirit, pág. 96.

Que mudanças você precisa fazer em sua vida a fim de que toda palavra que falar seja pronunciada pela influência do Espírito Santo? Como suas palavras seriam diferentes do que são agora?

 

Atividade dirigida pelo Espírito – I

"O Espírito do Senhor está sobre Mim, pelo que Me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-Me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Luc. 4:18,19).

Jesus pregou o evangelho aos pobres endemoninhados (Mar. 5:1-16); perdoou a pecadora Maria Madalena (veja Luc. 7:36-48; João 8:1-11) e a livrou do cativeiro do pecado; restaurou a vista aos fisicamente cegos (veja Mar. 10:46-52), e também aos espiritualmente cegos; trouxe liberdade aos que estavam feridos e proclamou o ano aceitável do Senhor.

Os fariseus afirmavam que Jesus expelia os demônios pelo poder de Belzebu. Mas Ele deixou claro que operava Seus milagres pelo poder do Espírito (veja Mat. 12:28). Jesus dependia do poder do Espírito para operar Seus milagres durante o ministério terrestre.

Leia que parte desempenhou o Espírito no oferecimento de Cristo de Si mesmo como resgate dos nossos pecados, em Hebreus 9:14.

Inspirado pelo Espírito, como Pedro resumiu o ministério de Jesus? Atos 10:38.

 

Atividade dirigida pelo Espírito – II

Deus é um, mas triúno. As três pessoas da Trindade trabalham juntas.

Estão intimamente unidas em Sua obra. Assim, embora esse texto diga que Jesus foi ressuscitado pelo Espírito, as duas pessoas da Divindade estiveram unidas na ressurreição de Jesus.

Quem diz o apóstolo Paulo que ressuscitou Jesus? Gál. 1:1; Efés. 1:17-20

 

O que Jesus disse sobre Sua ressurreição?

Que mais esteve envolvido nessa ressurreição? João 10:17,18 

"Sobre o fendido sepulcro de José, Cristo proclamara triunfante: "Eu sou a ressurreição e a vida." Essas palavras só podiam ser proferidas pela Divindade. Todos os seres criados vivem pela vontade e poder de Deus. São dependentes depositários da vida de Deus. Do mais alto serafim ao mais humilde dos seres vivos, todos são providos da Fonte da vida. Unicamente aquele que é um com Deus podia dizer: ‘Tenho poder para a dar [a vida], e poder para tornar a tomá-la.’ João 10:18. Em Sua divindade possuía Cristo o poder de quebrar as algemas da morte." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 785.

Embora Paulo tenha escrito pouco sobre os eventos da vida de Cristo, Sua morte e ressurreição são temas constantes em suas epístolas. Ele observa que o "que é da mais alta importância" (1 Cor. 15:3, BLH) para os crentes é que "Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu..." (v. 3-5). Não é de admirar que a Bíblia vincule as três pessoas da Divindade com a ressurreição de Cristo, como ocorreu no Seu batismo.

Esse fato é de importância decisiva para tudo o que cremos como cristãos. Sem essa crença, como Paulo diz, não temos esperança (v. 17).

 

"Jesus é nosso exemplo. ...

Viveu para agradar, honrar e glorificar o Pai nas coisas comuns da vida. Sua obra começou consagrando o humilde ofício do operário que labuta para ganhar o pão cotidiano.

Quando trabalhava ao banco de carpinteiro, fazia tanto a obra de Deus, como quando operava milagres em favor da multidão. E todo jovem que segue o exemplo de Cristo na fidelidade e obediência em Seu humilde lar, pode reclamar aquelas palavras proferidas a respeito dEle, pelo Pai, por intermédio do Espírito Santo: ‘Eis aqui o Meu Servo a quem sustenho, o Meu Eleito, em quem se compraz a Minha alma.’ Isa. 42:1." –Tudo o que se refere à vida de Cristo na Terra foi realizado pelo poder do Espírito:

  1. Sua concepção (Luc. 1:35); (2) Seu batismo (Lucas 3:21,22); (3) Sua justificação, isto é, a manifestação de Sua vida justa (1Tim. 3:16); (4) Sua guia na vida de serviço (Luc. 4:1; veja também Luc. 2:49); (5) Seus milagres (Mat. 12:28); (6) Sua ressurreição (1 Ped. 3:18).

  2. Esta realidade assinala poderosamente a importância do papel do Espírito Santo no plano de salvação e em nossa vida.

 

 

Estudo IV - A Promessa do Espírito Santo

 

 

"E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco" (João 14:16).

Muitos escritores do Antigo Testamento prometeram um derramamento do Espírito (Joel 2:28,29). João Batista – o precursor de Jesus – anunciou às multidões que aquele que viria depois dele, o Messias, batizaria os arrependidos com o Espírito Santo e com fogo.

Mas os discípulos de Jesus não viam a necessidade do Espírito durante Seu ministério. Jesus estava perto deles. Por que precisariam de outro Consolador?

É evidente que Jesus não estaria perto para sempre, pelo menos em carne. O plano de salvação pedia que Ele partisse, a fim de ministrar os méritos de Sua expiação no santuário do alto, antes de voltar e buscar os que comprou com Seu sangue.

Assim, Ele prometeu enviar-lhes Seu Espírito. O Espírito seria seu guia e consolador, visto que eles não poderiam seguir o Mestre amado aonde Ele estava para ir em breve.

O Consolador vindouro deveria ser companheiro constante dos discípulos. Ele os sustentaria e confortaria em suas perdas, além de compensar a partida do seu Amigo. Mas, a promessa do Espírito não foi só para eles, mas para nós, também.

 

A promessa da água

"Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o Meu Espírito e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos e os observeis" (Ezequiel 36:25-27).

Ezequiel fala do Espírito sob o símbolo da água. Usando esse emblema, o profeta apresenta o Espírito agindo tanto para purificar como para vivificar. Os seguidores de Cristo terão nova vida em que, pelo poder do Espírito Santo, estarão limpos das impurezas da carne e viverão em fé e obediência.

Assim, é claro por estes textos que, qualquer que seja a obra do Espírito, esta inclui o processo de santificação, mudança de hábitos, de ações e de palavras. Mais importante ainda, também inclui mudança de coração.

O que o Espírito Santo faz em nossa vida? 2 Cor. 3:3

 

A promessa de João Batista

"Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mat. 3:11).

"João proclamava a vinda do Messias, e chamava o povo ao arrependimento. Como símbolo da purificação do pecado, batizava-os nas águas do Jordão. Assim, por uma significativa lição prática, declarava que os que pretendiam ser o povo escolhido de Deus estavam contaminados pelo pecado, e sem purificação de coração e vida, não poderiam ter parte no reino do Messias." –O Desejado de Todas as Nações, pág. 104.

João estava bem ciente de que seu batismo não seria bastante para permitir que homens e mulheres estivessem na presença de Deus. Havia necessidade de algo mais que o batismo com água. Havia também o batismo de fogo.

É muito interessante que tanto a água como o fogo sejam usados como símbolos do trabalho do Espírito Santo. É difícil pensar em duas coisas que, em certo sentido, sejam mais opostas do que fogo e água. Mas ambos são usados para descrever as ações do Espírito Santo.

Fogo e água são dois grandes agentes purificadores naturais, e é apropriado que ambos sejam usados para representar a regeneração do coração, a obra do Espírito Santo. Mas a ação do fogo é muito diferente da ação da água. Em sentido espiritual, os dois agentes poderiam realizar a mesma coisa, mas o processo pelo qual eles agem é diferente. Quando pensamos em água, freqüentemente pensamos em algo calmante, refrescante, delicioso; em contraste, embora o fogo traga calor consigo, também implica provação (1 Pedro 4:12), dor e sofrimento. A imagem do fogo do ourives não expressa um processo confortável ou agradável. Sem dúvida, é por isso que, às vezes, o trabalho que precisa ser feito em nós é como fogo do ourives: temos que ser purificados do pecado; a escória precisa ser queimada.

 

O Espírito ainda não concedido

"No último dia, o grande dia da festa, levantou-Se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Quem crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto Ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nEle cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado" (João 7:37-39).

Quando Jesus pronunciou estas palavras, o Espírito como pomba já havia descido sobre Ele. Uma abundância de referências do Antigo Testamento indica que o Espírito Santo há muito tinha estado em ação em favor da humanidade. Então, o que João quis dizer quando falou: "o Espírito até aquele momento não fora dado" embora o Espírito haja trabalhado com homens e mulheres desde a entrada do pecado, foi que Ele não veio à Terra em Sua plenitude. Isso não haveria de acontecer antes que Jesus fosse glorificado.

Quando Jesus estava para deixá-los, que promessa deu aos discípulos com referência à Sua presença? Mat. 28:20; Atos 1:4,5.

A partida de Cristo haveria de enriquecer os discípulos e todos os crentes, em vez de empobrecê-los. Andando entre nós, Jesus estava limitado geograficamente a um lugar específico de cada vez. Enquanto estava com os três discípulos no alto, não podia estar com o outros no sopé da montanha. Ele estava limitado em espaço, como nós. Mas o Espírito Santo não seria limitado nem pela humanidade nem pelo espaço. Sendo onipresente, o Espírito não está limitado com o corpo humano. Ele está acessível igualmente a todos, em todos os lugares. Pela presença do Espírito Santo, Jesus está conosco, até o fim do mundo.

Antes de Sua crucificação, o que Jesus prometeu novamente aos discípulos?  João 14:16 

Esta é a primeira promessa direta feita por Jesus aos discípulos sobre a vinda do Espírito Santo. Evidentemente, Ele está Se referindo ao Dia de Pentecostes. Mas essa não foi a primeira vez que o Espírito apareceu na Terra.

"Antes disto, o Espírito havia estado no mundo; desde o próprio início da obra de redenção Ele estivera atuando no coração dos homens. Mas enquanto Cristo esteve na Terra, os discípulos não tinham desejado nenhum outro auxiliador. Não seria senão depois que fossem privados de Sua presença que experimentariam a necessidade do Espírito, e então Ele havia de vir." –  O Desejado de Todas as Nações, pág. 669.

Que participação na obra de Deus tinha o Espírito Santo antes da vinda de Cristo? Num. 11:25; 1 Sam. 10:6; Sal. 51:10 e 11 

João 20:22 mostra que, antes de deixar os discípulos, Cristo "soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo". Novamente, Ele disse: "Eis que envio sobre vós a promessa de Meu Pai" (Lucas 24:49). Mas não foi antes da ascensão que o dom foi concedido em sua plenitude. Só depois que, pela fé e oração, os discípulos se renderam completamente à Sua obra, é que foi concedido o Espírito. Então, em sentido especial, os bens do Céu foram concedidos aos seguidores de Cristo. Em outras palavras, embora Cristo lhes tenha dado essa promessa maravilhosa, eles tinham que ser preparados para recebê-la. Será diferente para nós hoje?

 

Outro Consolador

"Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros" (João 14:18).

"Outro Consolador" viria para tomar o lugar de Jesus. Até aquele tempo, Jesus tinha estado com os discípulos e tinha sido seu ajudador em toda emergência. Mas agora, outra pessoa viria para tomar Seu lugar.

A palavra grega traduzida como "Consolador" é composta de para, que significa "ao lado de", e kletos, que significa "aquele que é chamado". Assim, parakletos significa "alguém chamado para estar ao lado de outro", ou chamado para ajudar outros em qualquer emergência que surja. Tem o significado de "advogado" ou "conselheiro".

Além disso, a mesma forma verbal é traduzida como "exortar". Assim, Ele também é um "exortador". De fato, este significado posterior é a característica preeminente da obra do Espírito como foi esboçada por João. Ele "ensinará" e "fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (João 14:26). Ele dará testemunho de Cristo (João 15:26). Convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (João 16:8). Guiará a toda a verdade e dirá tudo o que tiver ouvido e anunciará as coisas que hão de vir (v. 13). Glorificará a Cristo, receberá dEle e dará aos discípulos (v. 14).

Como o Espírito Santo trabalha em nossa vida hoje? 1 João 3:24; 1 João 4:13 

Os apóstolos e seus co-irmãos não foram deixados sós ou sem ajuda depois que Jesus ascendeu ao Céu. Um auxiliador adequado estaria com eles. "Pelo Espírito, disse, manifestar-Se-ia a eles."

"Se olharmos para Jesus e nEle confiarmos, chamaremos em nosso auxílio um poder que venceu o arquiinimigo em campo aberto e, para nossa tentação, Ele dará também o escape. Quando Satanás vem sobre nós como uma avalanche, devemos enfrentar suas tentações com a espada do Espírito, e Jesus, que é o nosso auxílio, levantará por nós um pendão contra ele."

 

 

 

Estudo V - O Cumprimento da Promessa


 

"De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem" (Atos 2:2-4).

O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes veio em cumprimento do que o Senhor havia prometido antes de voltar ao Céu: que esses apóstolos e discípulos seriam "batizados com o Espírito Santo" (Atos 1:5) e receberiam "poder" (Luc. 24:49). O Espírito Santo veio sobre eles como havia sido prometido, e eles começaram a falar em outras línguas "as grandezas de Deus" (Atos 2:11). Que interessante e revelador que a primeira coisa que eles fizeram com esse dom tenha sido testemunhar sobre o Senhor. É evidente que esse foi apenas o início do que o Espírito Santo faria, e ainda está fazendo, para a igreja do Senhor.

Esse grande evento foi a culminação de muitos outros eventos, todos centrados em torno da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus. Entre esses eventos, estava também a preparação do povo de Deus para que estivessem prontos a receber esse maravilhoso derramamento do Céu.

 

Fé e a Promessa

"E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (Atos 1:4, 5).

De acordo com Atos 1:4, os discípulos deveriam permanecer, ficar ou mesmo se assentar em Jerusalém até que se cumprisse a promessa. A ênfase na ordem para "esperar" ou "assentar-se" está no cumprimento da promessa de Deus em seu devido tempo. A espera em si não traria o Espírito. A palavra traduzida como "promessa" – epaggelia – como é usada em outras partes do Novo Testamento, enfatiza a graça de Deus em lugar do esforço humano. É dom de Deus, recebido pela fé.

Naturalmente, a fé também é um dom de Deus (Efes. 2:8), mas existem coisas que os crentes podem fazer a fim de fortalecer sua fé. É muito tolo e presunçoso acreditar que só porque nos foi prometida a fé, nos seria dado tudo de que precisamos, sem esforço nem cooperação de nossa parte. Grandes coisas são prometidas aos que têm fé (Rom. 5:1; Heb. 11:6), mas a fé é algo que os crentes devem apreciar, cultivar e proteger.

 

Espera como preparação

Estudamos os textos em que Jesus disse aos discípulos para permanecerem em Jerusalém. Foi exatamente isso que eles fizeram (Atos 1:12). Aqui, vemos imediatamente um dos grandes princípios da fé: obediência. Dificilmente se pode esperar que se cumpram as promessas aos que desobedecem a Deus.

Que atitude entre os discípulos os habilitou a estar preparados para receber o derramamento do Espírito Santo? Atos 1:14; Atos 2:1 e 46

Conta a história que o grande almirante inglês Lorde Nelson, justamente antes de uma grande batalha naval, levou dois oficiais que viviam às turras a um lugar em que podiam ver todos os navios do inimigo preparados para guerrear contra eles. "Lá", disse o almirante, "estão seus inimigos. Apertem as mãos e sejam amigos como bons ingleses". Em outras palavras, as questões em jogo eram grandes demais para que diferenças pessoais se atravessassem no caminho da vitória.

Assim também, podemos ver como era importante a unidade entre esses discípulos que, anteriormente, nem sempre estiveram unidos.

O que havia causado dissensão entre os discípulos, no passado? Mar. 9:33 e 34; Luc. 22:24 

O que os textos de Atos, acima, mostram é que, depois que os discípulos se uniram e não mais se esforçaram para buscar a posição mais elevada, o Espírito foi derramado. Eles estavam de comum acordo. As diferenças tinham sido afastadas. Tinham um alvo comum, propósito comum, muito mais importante do que qualquer questão pessoal. Eles tiveram que resolver essas coisas antes de estarem prontos para trabalhar juntos na missão comum. "Da multidão dos que creram era um o coração e a alma."(Atos 4:32).

 

O cumprimento do Pentecostes

"Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados" (Atos 2:1 e 2).

Pentecostes é derivado de uma palavra que significa "qüinquagésimo", uma referência aos 50 dias entre a Festa dos Pães Asmos e o Pentecostes – que é a Festa das Primícias. Nessa festa, os filhos de Israel apresentavam ao Senhor uma oferta movida da colheita de trigo, expressando gratidão pelos Seus benefícios materiais (Lev. 23:15-21).

Os rabinos também haviam concluído que 50 dias depois do Êxodo, o Senhor havia dado a Israel a lei no Sinai. Assim, o festival também chegou a ser entendido entre os judeus como uma comemoração do Sinai. Nesse sentido, o Pentecostes comemorava a fundação das 12 tribos de Israel como nação que entrou em relação de aliança com o Senhor, "reino de sacerdotes e nação santa" (Exo. 19:6) que pregaria a verdade de Deus a um mundo mergulhado em pecado e idolatria. Como é adequado que esse dia de festa representasse uma fase decisiva para introduzir gradualmente a fundação da primeira igreja cristã, que também foi chamada para pregar a verdade de Deus a um mundo mergulhado em idolatria e pecado!

Também é fascinante a respeito dessa época que, entre todos os festivais, o Pentecostes atraía o maior número de judeus de diferentes terras. Atos 2:5 fala de judeus devotos de "todas as nações debaixo do céu" que estavam lá. Que oportunidade perfeita para o incrível derramamento do Espírito Santo sobre a primeira igreja a fim de que estivesse pronta para cumprir sua missão para o mundo.

 

O Céu e o derramamento

Leia Atos 2:22-35 e então, pense:

a. Que contraste Pedro fez entre Davi e Jesus? Qual era o argumento?

b. No discurso de Pedro, que papel teve a morte e a ressurreição de Cristo?

c. Qual foi a promessa do Pai? (v. 33).

d. Que evento incrível no Céu propiciou esse derramamento do Espírito Santo?

"A ascensão de Cristo ao Céu foi, para Seus seguidores, um sinal de que estavam para receber a bênção prometida. Por ela deviam esperar antes de iniciarem a obra que lhes fora ordenada. Ao transpor as portas celestiais, foi Jesus entronizado em meio à adoração dos anjos. Tão logo foi esta cerimônia concluída, o Espírito Santo desceu em ricas torrentes sobre os discípulos, e Cristo foi de fato glorificado com aquela glória que tinha com o Pai desde toda a eternidade. O derramamento pentecostal foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. De conformidade com Sua promessa, Jesus enviara do Céu o Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, recebera todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido sobre Seu povo." –Atos dos Apóstolos, págs. 38, 39.

 

O dom de línguas- Atos 2:5-15

Tente imaginar a cena. Judeus devotos de todo o mundo conhecido de então se reuniram (como faziam cada ano) para o grande festival quando, de repente – o que aconteceu? Um grupo de galileus, conhecidos como pessoas rudes do campo (não exatamente a elite sofisticada de Israel), de repente começaram a falar em todas essas línguas diferentes!

Pode-se imaginar a consternação dos que, de repente, os ouviam falar em seu próprio idioma. Eles ficaram tão confusos que, em determinado momento (Atos 2:13), alguém os acusou de estar "embriagados!", uma resposta tola, se você pensar nela. (Afinal, quantas pessoas sob a influência do álcool de repente começam a falar em línguas estrangeiras que nunca haviam conhecido antes?)

Juntamente com o texto de Atos 2, leia Marcos 16:17, pois nos ajudam a entender o que significou o dom de línguas.

Em Atos 2, onde o dom de línguas foi mencionado pela primeira vez, é muito claro que "línguas" é a habilidade dotada pelo Espírito de falar em idiomas estrangeiros. De fato, a palavra traduzida como "língua" (como em 1 Coríntios 14) é glossa, que significa "idioma". Se usarmos o princípio de interpretação, em que as passagens difíceis são interpretadas com base nas mais simples, alguns dos textos mais difíceis que tratam com línguas (I Coríntios 14) precisam ser examinados levando em conta o que é claro – e é claro que, em Atos 2, o dom de línguas foi a habilidade de falar em línguas estrangeiras. Este ponto é importante, especialmente levando-se em conta o fenômeno hoje chamado "falar em línguas", em que as pessoas acreditam que a repetição de expressões vocais ininteligíveis sejam a manifestação do Espírito Santo. Certamente, não foi isso o que aconteceu no Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado.

"O Espírito Santo, assumindo a forma de línguas de fogo, repousou sobre a assembléia. Isto era um emblema do dom então outorgado aos discípulos, o qual os capacitava a falar com fluência línguas com as quais não tinham nunca tomado contato. A aparência de fogo significava o zelo fervente com que os apóstolos trabalhariam, e o poder que assistiria sua obra."

"Algumas dessas pessoas têm formas de culto a que chamam dons, e dizem que o Senhor os pôs na igreja. Têm um palavreado sem sentido a que chamam língua desconhecida, desconhecida não só ao homem, mas ao Senhor e a todo o Céu. Tais dons são manufaturados por homens e mulheres ajudados pelo grande enganador. O fanatismo, a exaltação, o falso falar línguas e os cultos ruidosos, têm sido considerados dons postos na igreja por Deus. Alguns têm sido iludidos a esse respeito."

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Estudo VI - O Batismo no Espírito Santo

 

 

"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Efésios 5:18).

Ao longo dos séculos, tem havido muita especulação e discussão na igreja cristã sobre o que significa o "batismo do Espírito Santo". Pelas poucas referências bíblicas, fica claro que se trata do Espírito Santo na vida de uma pessoa que nasceu de novo. Sem o impulso do Espírito, ninguém pode experimentar o novo nascimento; os que tiveram essa experiência foram batizados com o Espírito Santo

Em Atos 1:5, Jesus disse aos Seus seguidores que seriam batizados com o Espírito Santo; os eventos espetaculares do Pentecostes, dez dias mais tarde, parecem o cumprimento óbvio de Suas palavras (veja Atos 2), quando muitos aceitaram Cristo e se tornaram seguidores do Messias, nascidos de novo.

Uma coisa é certa: Qualquer pessoa que se tenha rendido em fé e obediência ao Senhor Jesus Cristo foi batizada no Espírito Santo. Um cristão amoroso e amável, que se dá em favor dos outros é a maior manifestação desse batismo.

 

Um só Espírito, um só corpo

De acordo com Paulo, quem é batizado no Espírito Santo? 1 Cor. 12:1-13 

Paulo estava lidando com uma igreja que tinha dificuldades quanto aos dons espirituais. Em resposta, Paulo exclamou: "Não estejam divididos acerca deste assunto". Ou, como ele mesmo expressou: "Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1 Cor. 12:13).

Em algumas versões, lê-se que fomos batizados "por" um só Espírito. Essa palavra também pode ser traduzida como "em" um só Espírito. Deste modo, os crentes genuínos são batizados em um só Espírito no corpo de Cristo (v. 13), que é a igreja. Um ponto é claro: Todos os crentes compartilham a realidade de serem batizados pelo Espírito, e esse fato nos torna parte do corpo de Cristo, a igreja.

Idealmente, o batismo no Espírito, ou conversão, precede o batismo da água. O batismo da água é uma demonstração exterior da mudança que já ocorreu no coração. O verdadeiro crente nasce pelo Espírito (João 3:5 e 6); o Espírito é o agente selador (Efés. 1:13, 14); e o Espírito foi dado como penhor (garantia) e lembrança de que pertencemos a Deus (2 Cor. 5:5).

 

Qual é a importância de que o Espírito Santo habite em nós? Rom. 8:9 

Ao aceitar pessoalmente a Jesus como nosso Salvador, recebemos o Espírito como um dom, ou garantia, celestial de completa salvação. O fato de que Ele habita em nós se torna uma constante garantia e lembrança de que algum dia, no futuro, Jesus não apenas habitará dentro de nós; haveremos de habitar com Ele e com os anjos não caídos em um reino onde não mais seremos tocados pela tentação nem pelo pecado. A fim de nos lembrar constantemente dessa total libertação do reino do pecado, Ele nos dá constantemente Seu Espírito.

Todo verdadeiro crente, desde o Pentecostes, recebeu a garantia do Espírito, que é a mesma experiência do batismo do Espírito. A pergunta importante para nós é: Quão dispostos estamos a receber o Espírito?

 

A culpa e o Espírito

"Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?" (Atos 2:37).

Pense na ação descrita pelo texto acima. Ao ler os versos anteriores em Atos 2 (começando no v.14), você poderá ver claramente o que estava se passando. Pedro, citando o Antigo Testamento, pregou sobre a morte, ressurreição e ascensão de Jesus. Ele estava expondo o plano de salvação.

Note, também, a resposta imediata desses homens. Era alegria? Felicidade? Ao contrário, eles "ficaram aflitos em seu coração" (NVI). O verbo grego significa "perfurar", e a idéia do texto é que eles ficaram angustiados, sofreram, sua consciência ficou perturbada. E não é de admirar, especialmente quando você lê o verso 36. Em certo sentido, todos somos tão culpados quanto esses homens, no sentido de que, em última instância, foram os pecados de todos nós que levaram Jesus à cruz.

Não obstante, a idéia é clara: foi a culpa, foi a tristeza, foi a dor que ajudou a levá-los para onde precisavam estar.

Segundo Paulo, qual é a diferença entre a tristeza que produz vida e a que produz morte? 2 Cor. 7:9-11. Qual foi o resultado da aflição dos ouvintes de Pedro? Atos 2:41

Neste contexto, é mais fácil entendermos as palavras de Cristo: "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos Céus" (Mat. 5:3). Por mais que o evangelho seja uma mensagem de alegria, paz e esperança, o processo de salvação, de arrependimento e de santificação envolve algum sofrimento de nossa parte (Atos 14:22). Realmente, um dos atos do Espírito Santo é levar-nos à convicção do pecado (João 16:8), e isso pode acontecer apenas até o ponto em que nosso coração seja "perfurado" pela realidade de quão pecaminosa tem sido nossa vida.

 

 

V II - O arrependimento e o Espírito

 

 

"Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (Atos 2:38).

Embora Pedro tenha prometido o dom do Espírito Santo aos que se arrependem e são batizados, eles foram levados ao arrependimento unicamente pela ação do Espírito Santo. Assim, podemos ver aqui a realidade do Espírito Santo trabalhando em cada fase da relação da pessoa com seu Criador.

Arrependimento é mudança de mente e de vida. As palavras traduzidas por "arrependimento", tanto no hebraico como no grego, envolvem a idéia de mudança, especialmente mudança de mente e de direção. É o reconhecimento de que você estava errado, reconhecimento que leva não só à tristeza mas à mudança, uma volta para a Fonte de vida e compreensão moral. O arrependimento, o verdadeiro arrependimento (2 Cor. 7:10), é uma evidência poderosa de que a pessoa foi tocada no batismo do Espírito Santo.

Leia qual é o papel do Espírito Santo em nos conduzir ao arrependimento. Rom. 2:4; João 15:26; João 16:13, 14

O Espírito Santo é o representante de Cristo aqui na Terra. Unicamente mediante Seu trabalho de revelar-nos a verdade sobre Cristo pode alguém ser levado à convicção e, conseqüentemente, ao verdadeiro arrependimento. Unicamente através do poder do Espírito podemos ser movidos a tomar a decisão consciente de render nossos caminhos pecaminosos e viver em submissão ao Senhor. Revelando-nos o amor de Deus, o Espírito nos toca e nos dá o único motivo verdadeiro para desejar servir a Deus: um coração agradecido que ama esse Deus que nos amou primeiro (1 João 4:10).

Mas o verdadeiro amor a Deus não pode ser forçado. O Espírito vem e nos toca; temos a liberdade de render-nos aos Seus apelos ou nos afastar deles. No fim, a escolha é nossa, e só nossa.

 

A obediência e o Espírito

Qual foi a resposta dos judeus ao testemunho de Pedro? Atos 2:37.

"Nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem." (Atos 5:32). Como este texto sugere, obediência é um dos pré-requisitos para se receber o Espírito Santo. Por mais que sejamos salvos pela fé, por mais que seja a justiça de Cristo creditada a nós que nos salve das conseqüências finais do pecado, não podemos viver em desobediência ao Senhor. O Espírito foi dado para nos trazer convicção, convicção que nos levará à obediência. Outra coisa qualquer é falsificação.

Quando viveu entre nós, Jesus advertiu Seus seguidores a obedecerem a Deus, andar nos Seus mandamentos, amar e perdoar uns aos outros como Deus nos ama e perdoa. Como seria tolo crer que o Espírito Santo, que está aqui em Seu lugar, nos ensinaria outra coisa. Os que alegam ter o "batismo do Espírito Santo" e usam, por exemplo, "o falar em línguas" como prova desse batismo, mas vivem em desobediência aos mandamentos de Deus, estão enganando a si mesmos. A maior prova de que vivemos pelo Espírito é uma vida em fé e obediência a Deus.

 

A fé e o Espírito

Os que se rendem à influência do Espírito Santo serão levados ao que Paulo chama de "obediência por fé" (Rom. 16:26). Porém, sendo verdade que os que são salvos em Cristo obedecem, e sendo que a salvação é inseparável da obediência, as pessoas podem cair facilmente na armadilha de confundir os resultados da salvação (obediência) com o meio de salvação (fé em Cristo). Este era o problema dos gálatas.

Que repreensão Paulo dirigiu aos gálatas? Qual é a relação entre Espírito, obediência e fé? Gal. 3:1-11

O Espírito Santo deve guiar as pessoas a "toda a verdade" (João 16:13); o centro de "toda a verdade", evidentemente, é Cristo e Ele crucificado (1 Cor. 2:2).

A maior e mais importante de todas as verdades é que Jesus Cristo morreu pelos pecados do mundo, que no Calvário Ele pagou a penalidade por todo pecado humano, e que qualquer pessoa pode, pela fé, ser perdoada de seu pecado e apresentar-se perfeita diante de Deus.

É um pensamento central dessa verdade que não há nenhum trabalho que qualquer ser humano possa fazer, até mesmo as obras da lei, que possa expiar seus pecados e trazer perdão (Rom. 3:20; Gal. 2:16).

Esse perdão e essa expiação só podem existir por meio de Jesus e se tornam eficazes na vida dos que crêem; isto é, aqueles que os reivindicam para si mesmos pela fé (Gal. 3:5 e 6).

Deste modo, o próprio Espírito Santo, que nos guia em direção à obediência, é o mesmo que nos ajuda a entender a grande verdade da salvação somente pela fé. É evidente que os gálatas estavam de alguma forma perdendo de vista essa grande verdade.

"Permita que Cristo trabalhe pelo Seu Espírito e o desperte como se o despertasse dentre os mortos, que ponha a sua mente em afinidade com a dEle.

Permita-Lhe empregar suas faculdades. Criou Ele cada uma de suas capacidades para que melhor pudesse honrar e glorificar o Seu nome.

Consagre-se a Ele, e todos os que se relacionam com você verão que suas energias são inspiradas por Deus, que as suas mais nobres faculdades são chamadas à ação para fazer o serviço do Senhor.

As faculdades uma vez usadas para servir o eu e promover princípios indignos, e que uma vez serviram como instrumentos de propósitos injustos, serão levadas em cativeiro a Jesus Cristo, e se unirão à vontade de Deus.

 

 

Estudo VIII - O Fruto do Espírito Santo

 

 

"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei" (Gálatas 5:22 e 23).

Somos salvos unicamente pelo que Jesus Cristo realizou por nós na cruz dois mil anos atrás.

Como Pedro afirmou: "Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles [os gentios] o foram" (Atos 15:11). Ou Paulo: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efés. 2:8 e 9).

No entanto, nenhum cristão que aprecia a promessa de salvação por meio de Jesus pode viver sem produzir os frutos do Espírito (Mat. 12:33), a manifestação diária do que Cristo fez por nossa vida. Podemos professar todas as verdades sagradas no Céu e na Terra, mas a melhor evidência de que estamos em Cristo é o fruto que produzimos.

 

Amor

"Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado" (Rom. 5:5).

Na primavera dos climas temperados, determinado tipo de árvore produz folhas inevitável e espontaneamente, conforme a seiva começa a subir o tronco e alcançar cada galho e ramo. Da mesma forma, um cristão cheio do Espírito produzirá o fruto do amor, por meio do Espírito.

Jesus é Deus. Como não existe vida sem de Deus, não existe amor ou virtude a não ser em Deus. Espera-se que um ser humano possua e manifeste o amor divino, mas ele deve recebê-lo de Deus. Não existe outra fonte. De onde mais viria, se não de cima? Será que seres que são apenas proteína, carbono, água ou apenas átomos e moléculas, não importa quão sadios sejam, podem expressar amor? Como esses elementos podem amar? Não importa quão bom pintor seja, não importa quão perfeitas sejam suas pinturas e tela, nenhuma flor que a pessoa pinte viverá, fará a fotossíntese ou produzirá semente. Carbono, água e proteína, por si mesmos, não podem viver, muito menos amar. O amor tem que vir de uma fonte que por si mesma sabe amar e pode conceder amor. Essa fonte, evidentemente, é Deus (veja 1 João 4:8).

Uma pergunta importante precisa ser respondida: o que queremos dizer por "amor"? Essa palavra foi tão ampliada e, conseqüentemente, tão desmerecida, para cobrir uma multidão tão grande de atos e emoções, que dificilmente lhe fazemos justiça. Mas a Bíblia traz versos que nos ajudam a entender o conceito bíblico de amor como fruto do Espírito.

 

Alegria e paz

A idéia de alegria e paz como frutos do Espírito (Gál. 5:22 e 23) pode ser mal-interpretada. Nosso mundo é pecaminoso; somos seres pecaminosos, cada um de nós sofrendo os efeitos do pecado: doença, perda, separação, medo, preocupação, incerteza... a lista é grande. Ninguém, nem mesmo um cristão, está livre das lutas dolorosas que nos afligem em um mundo caído. Jesus sofreu; nós também vamos sofrer.

E ainda, como cristãos, deve haver uma diferença. Ao contrário de muitas pessoas que atribuem a dor e o sofrimento às forças casuais e sem propósito da natureza, ao puro acaso ou à ira de maus espíritos, devemos, dia a dia, viver com o conhecimento constante de que não servimos só a um Deus vivo, mas a um Deus amoroso, e que esse Deus não só conhece nossas dificuldades mas nos ama e Se importa conosco em nossas aflições. Afinal, como ser humano, Ele conheceu bastante aflição em Si mesmo (Isa. 53:3; Mar. 15:15; João 11:35; Heb. 4:15; 1 Ped. 4:1). Deste modo, podemos saber que, seja o que for que nos aconteça, sejam quais forem nossos erros, sejam quais forem nossas negligências, Deus nos ama e promete nos ajudar a vencer, se formos fiéis. Deus também nos promete uma eternidade feliz. Essa idéia deve nos dar alegria e paz que nos habilitem a suportar melhor todas as circunstâncias difíceis em que nos encontrarmos agora.

Devemos nos lembrar, também, que, como fruto do Espírito, a presença de alegria e paz não significa sentir-nos sempre felizes; ao contrário, alegria e paz são resultado de saber – mesmo quando não nos sentimos felizes ou que as circunstâncias não sejam boas – que Deus está perto e promete nos ajudar em meio a tudo o que aconteça.

Por que devemos sempre ter, se não felicidade, ao menos alegria e paz em nossa vida como cristãos, não importando quais sejam nossas circunstâncias difíceis? Leia Mat. 6:31 e 32; Rom. 8:28; Apoc. 21:4

 

Longanimidade

Outro "fruto do Espírito" em Gálatas 5 é "longanimidade." No grego, essa palavra significa, basicamente, paciência, resistência, constância, firmeza e recusa em vingar a injustiça.

Leia as passagens seguintes que revelam para nós a "longanimidade" de Deus:

a. Gên. 15:16

b. Isa. 5:1-5

c. Oséias 11:8

d. Apoc. 2:21

"A longanimidade suporta todas as coisas, sim, muitas coisas, sem buscar desforra quer por palavras quer por atos.

"A ‘longanimidade’ é a paciência em face da ofensa. Se você for longânimo, não comunicará a outras pessoas o suposto conhecimento das faltas e erros de seus irmãos. Buscará ajudá-lo e salvá-lo, porque foi comprado com o sangue de Cristo. ... Ser longânimo não é ser melancólico e triste, áspero e desapiedado; é exatamente o oposto." – Minha Consagração Hoje, pág. 52.

Nossa paciência e longanimidade com os outros devem se originar, pelo menos em parte, da percepção da paciente longanimidade de Deus para conosco. Imagine se Deus tratasse cada um de nós como nós mesmos costumamos tratar uns aos outros! Felizmente, Ele não faz assim, e o fato de que Ele é sumamente paciente conosco e com nossas culpas significa que devemos ser pacientes com os outros e suas culpas. Quando nos olharmos no espelho e nos virmos como somos, e soubermos que Deus nos ama e suporta, apesar do que vemos no espelho, seremos mais capazes de manifestar verdadeiramente esse fruto da longanimidade. Por nós mesmos, não podemos fazê-lo; só quando rendemos a vontade a Deus e mantemos diante de nós a cruz e o que ela representa sobre a longanimidade de Deus para conosco, é que produziremos o mesmo fruto em nossa vida.

 

Benignidade e bondade

Também é interessante, como todos os frutos do Espírito refletem aspectos do caráter de Jesus. Recapitule aqueles frutos do Espírito que já examinamos até agora: em cada caso, esses atributos são encontrados em Jesus. Assim, quando olhamos para Cristo, podemos ver a maior revelação possível de bondade e delicadeza (BLH) ou amabilidade (NVI), porque, à semelhança de Deus, Jesus refletia perfeitamente essas características. Assim, como podemos ver, quanto mais manifestarmos o fruto do Espírito, mais seremos semelhantes a Jesus.

Se, por exemplo, tomasse a história do jejum de Jesus no deserto (Mat. 4:1-11), você veria um aspecto de bondade em Sua negação do eu pelo bem de outros. Ou se tomasse o exemplo de Jesus com a mulher junto ao poço (João 4:5-42), você veria um exemplo de delicadeza que consiste em tratar as pessoas, mesmo as que cometeram injustiça, com cortesia e respeito.

 

De onde vem a fé? Efés. 2:8 

Fé e crença são traduzidas da mesma raiz grega original. E isso tem sentido porque você precisa crer em alguma coisa, antes de ter fé nela. Você pode ficar rico em um emprego que detesta, ou pode ser curado por um médico em quem não confia – mas nunca terá fé em um Deus em quem você não crê. A crença é inseparável da fé.

Mas fé e crença não são a mesma coisa. "Fé" pode significar "crença" mas crença não significa automaticamente "fé". A Escritura adverte sobre a confusão entre as duas.

Veja a diferença entre fé e crença bíblica em Tiago 2:19.

A chave para a compreensão do que Tiago queria dizer em 2:19 é o verso 20. Fé bíblica e obras estão inter-relacionadas da mesma maneira como a vida humana está relacionada com a respiração: uma significa automaticamente a outra. Uma pretensa fé que não leva à submissão à vontade de Deus não é fé genuína, mas falsificação satânica. Uma fé que não é viva nem salvadora é simplesmente teórica. Ao contrário, a fé é sempre experimental e leva à ação. Ou, como Tiago afirma abruptamente: "a fé sem as obras é inoperante" (v. 20), assim como um corpo sem respiração está morto.

A fé é um dom, fruto do Espírito, mas não é dada sobrenaturalmente sobre nós, e continuamos nosso caminho muito contentes. É decisivo cultivar essa fé diariamente, fundamentada no amor a Deus e no que Ele fez por nós. Se a fé não for valorizada, se não for nutrida, protegida e fortalecida, ela degenerará em mera crença e, talvez mais tarde, em incredulidade. O mundo está cheio de pessoas que no passado foram fervorosas, mas não crêem mais. "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo" (Heb. 3:12).

Dois outros frutos do Espírito são mansidão e temperança: "Moisés foi o maior homem que se ergueu como líder do povo de Deus. Ele foi muito honrado por Deus, não pela experiência que obteve no tribunal egípcio, mas porque foi o mais manso dos homens. Deus falava com ele face a face, como um homem fala com seu amigo. Se alguém deseja ser honrado por Deus, que seja humilde. Os que levam avante a obra de Deus devem ser diferentes de todos os outros por sua humildade. Daqueles que são notáveis por sua mansidão, Cristo diz: Pode-se confiar nele." – SDA Bible Commentary, vol. 1, pág. 1.113.

"Discipline e controle as faculdades mentais. O domínio próprio é uma faculdade que todos possuem. É obtido colocando a vontade inteiramente do lado de Deus, tomando a vontade dEle como a sua própria."

 

 

Estudo IX - O Guia do Cristão

 

 

"Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir" (João 16:13)

A morte de Jesus pelos pecados do mundo é a mais importante de todas as verdades. Em contraste com ela, o que mais realmente importa? E sendo tão importante, Deus não nos deixou sozinhos para descobri-la. Ao contrário, recebemos a promessa do Espírito Santo, que nos guiará na compreensão dessa verdade. Por essa razão, afinal, ninguém terá desculpa no dia do juízo.

Realmente, o Espírito é um dom de Deus a nós, seres caídos. Sem a morte de Jesus, não haveria salvação para ninguém; ao mesmo tempo, sem o Espírito para nos guiar, regenerar e capacitar, não haveria salvação pessoal. Jesus e o Espírito estão unidos a fim de trazer a humanidade, perdida no deserto da transgressão, de volta à presença do Pai. É plano do Pai restaurar, por meio Jesus e do Espírito, a paz e a harmonia que reinavam entre Deus e a humanidade antes da entrada do pecado.

 

O Espírito, um Guia

"Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (João 14:26).

Assim como um embaixador fala a um governo estrangeiro em nome de seu governo, o Espírito fala com homens e mulheres em nome de Jesus e com Sua autoridade. Jesus perpetuou Seu ministério terrestre de ensino pelo Espírito. "O Senhor Jesus age por meio do Espírito Santo." –  Filhos e Filhas de Deus, pág. 282.

"Não foi senão depois da ascensão de Cristo para Seu Pai, e do derramamento do Espírito Santo sobre os crentes, que os discípulos apreciaram plenamente o caráter e a missão do Salvador. Depois de receberem o batismo do Espírito, começaram a perceber que estiveram na presença do próprio Senhor da glória. À medida que as declarações de Cristo lhes eram trazidas à memória, seu espírito abria-se para compreender as profecias e entender os milagres que operara. ... Suas lições, as quais não haviam compreendido senão imperfeitamente, acudiam-lhes agora como nova revelação. As Escrituras afiguravam-se-lhes um novo livro." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 507.

Que outras promessas Jesus nos dá com relação ao Espírito Santo? João 14:17; João 15:26; João 16:12-14

O Espírito é um mestre vivo, pessoal. Cada vez que abrimos a Bíblia, é possível ter o Espírito desvendando para nós o verdadeiro significado do que lemos. A chave para isso é a submissão diária ao Senhor, pedindo-Lhe que abra nosso coração e nossa mente para a verdade, qualquer que seja, onde quer que possa nos levar. Nessas circunstâncias, o Espírito Santo pode seguramente guiar.

 

Carne e Espírito

O cristão decide não seguir seus próprios impulsos e satisfazer suas inclinações, mas seguir as ordens do Espírito. O dedicado seguidor de Jesus nunca fará nada sem buscar o conselho e a direção de Deus. "Senhor, o que queres que eu faça?" é a pergunta que o cristão faz continuamente.

O cristão também não vive no reino da mera crença ou fé teórica. Nossa fé deve ser prática, e não teórica. Sob a direção do Espírito, a mentalidade celestial será derramada no molde terrestre de ação e comportamento.

Mas, por mais que a operação do Espírito Santo em nossa vida seja um milagre de fé, não acontece automaticamente. Poucos daqueles que deram o coração a Cristo e foram batizados no Espírito Santo se acham de repente vivendo em pureza e santificação, sem diligente esforço de sua parte. É aqui que muitos cometem um erro: Não confiar nas próprias obras para salvação, ou mesmo não contar com suas forças na batalha contra o pecado, não é o mesmo que não ter uma luta diária contra o eu e a carne. A batalha existe, é real, e exigirá sofrimento de nossa parte a fim de sermos vitoriosos. A boa notícia, porém, é que a vitória nos foi prometida pela habitação do Espírito.

Leia como a batalha contra a carne pode ser vencida. 1 Pedro 4:1 e 2

 

O Espírito e a Palavra

"Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus" (Efés. 6:17).

A Palavra de Deus aqui é chamada de espada do Espírito. Foi o Espírito que inspirou a revelação escrita, visto que "homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (2 Ped. 1:21). Este é um pensamento que todos os cristãos devem manter sempre diante de si. Deus nos promete Seu Espírito Santo, mas também nos dá advertências.

Que dom o Espírito concede para nos proteger contra os erros que Satanás lança contra a igreja? 1 Cor. 12:10; 1 Tim. 4:1; 1 João 3:24-4:1

O fato é que existem muitos e variados espíritos que ensinam todo tipo de doutrinas. Mesmo na igreja cristã, crenças estranhas, para não mencionar práticas estranhas, são promovidas por pessoas que alegam ter sido inspiradas pelo Espírito Santo. Embora, em alguns casos, os enganos e as falsificações sejam tão óbvios que é espantoso que alguém caia de amores por eles, em outros, os enganos podem ser bastante sutis, promovidos por pessoas que podem ser amáveis, gentis e até sinceras. Como, então, alguém pode provar os espíritos, se são de Deus ou não?

João Calvino adverte: "Devemos aplicar-nos zelosamente a ler e a ouvir as Escrituras, se é que realmente queremos obter qualquer ganho ou benefício do Espírito de Deus. ... Mas para que sob a Sua bandeira o espírito de Satanás não penetre sorrateiramente, Ele quer que O reconheçamos em Sua própria imagem, que estampou nas Escrituras. Ele é o autor das Escrituras: Ele não pode variar nem diferir de si mesmo. Conseqüentemente, Ele deve permanecer para sempre da mesma maneira como no passado Se revelou ali." – João Calvino, Institutos da Religião Cristã I, 9:2.

 

A obra do Espírito

O que Jesus diz que o Espírito Santo fará? João 16:14

A obra e o propósito do Espírito estão concentrados em Jesus. Ele não chama a atenção para Si mesmo, mas a dirige a Jesus. O teste indicador de qualquer pretensa ação do Espírito nos crentes ou nas organizações é o ponto em que eles concordam com Jesus. Se chamam a atenção ou glorificam o eu ou a humanidade, e até mesmo magnificam a experiência espiritual da humanidade, falta a eles a insígnia do Espírito.

O Espírito não deve apresentar Suas próprias idéias ou noções, mas só o que Jesus ensinou.

Sendo o Espírito da verdade, Ele dará especialmente testemunho de Jesus, que é a Verdade (veja João 14:6). E é unicamente pela palavra do Espírito diretamente aos nossos corações que chegamos a um conhecimento verdadeiro e vivo de Jesus Cristo e produzimos fruto para Sua glória.

Leia quais são outras formas de o Espírito Santo glorificar o Senhor. João 15:8; Gál. 5:22-25; Efés. 5:9

Uma das melhores maneiras de os crentes darem glória a Deus, diante do povo e dos anjos (1 Cor. 4:9), é pela vida que levamos, o caráter que formamos e a maneira de tratarmos outros. Essas ações e atitudes vêm por intermédio da obra do Espírito Santo em nós; até onde cooperarmos, até onde estivermos dispostos a morrer para o eu e submeter-nos à vontade de Deus, o Senhor poderá trabalhar em nós "tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade" (Filipenses 2:13). Como é decisivo que todos os que professam o nome de Jesus vivam diariamente em uma atitude de fé, ação de graças, e submissão ao Seu Espírito.

 

Um exemplo da direção do Espírito

Leia Lucas 2:25-30

Obviamente, Simeão mantinha uma relação tão íntima com Deus que o Espírito lhe disse que fosse ao templo no dia em que o menino Jesus estava sendo dedicado. Entre os vários meninos que estavam sendo dedicados a Deus naquele dia, ele foi levado a escolher Jesus, que, por todas as aparências externas, seguramente em nada parecia diferente de qualquer outro bebê. Enquanto isso, o sacerdote em ofício não reconheceu Jesus como o Messias prometido; aparentemente, ao contrário de Simeão, ele não estava suscetível às indicações do Espírito. Mas Simeão O reconheceu porque Deus lhe mostrou quem era "o Cristo do Senhor". Alguns dos outros meninos pelos quais Simeão passou também poderiam ter nascido em Belém como filhos primogênitos de mães que eram da tribo de Judá. Mas só a intimidade e a comunhão de Simeão com Deus pelo Espírito o capacitou a interpretar corretamente os detalhes proféticos de informações e reconhecer em Jesus o Prometido de Deus.

"A própria obra do Espírito Santo no coração deve ser provada pela Palavra de Deus. O Espírito que inspirou as Escrituras, leva sempre às Escrituras." –


Estudo X - Vida Pelo Espírito Santo

 

                                                  


 

"O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que Eu vos tenho dito são espírito e são vida" (João 6:63).

O Espírito "foi dado como agente de regeneração, sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se estivera fortalecendo por séculos, e alarmante era a submissão dos homens a esse cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Trindade, a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo. É por meio do Espírito que o coração é purificado. Por Ele torna-se o crente participante da natureza divina. Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer toda tendência hereditária e cultivada para o mal, e gravar Seu próprio caráter em Sua igreja." –O Desejado de Todas as Nações, pág. 671.

Devemos sempre lembrar: assim como Jesus nunca forçou Sua presença sobre ninguém, o Espírito também não faz assim. Devemos fazer uma decisão diária de cooperar; de outra forma, Ele poderá fazer pouco por nós.

 

A salvação e o Espírito

Como já vimos, o Espírito Santo nos guia à verdade; isso significa que Ele nos guia a Jesus, pois, como Ele próprio disse: "Eu sou... a verdade". Mas a verdade de Jesus não é só que Ele é Deus, quem é Ele ou que Ele assumiu a humanidade, o que fez, nem que viveu sem pecado, o que é verdade. Mas a verdade mais importante de Jesus é que Ele morreu como sacrifício pelos pecados do mundo. Não importa quão importante seja tudo sobre Jesus, no fim, todas essas verdades culminam em Sua morte substituta no interesse da humanidade. Qualquer teologia que ignore ou debilite esse ponto está se desviando da obra do Espírito Santo, que deve nos guiar a "toda a verdade" (João 16:13), e Cristo na cruz como nosso substituto é o centro de toda verdade (1 Cor. 2:2).

João 3:15-17; Rom. 3:22-24, Efés. 1:6 e 7 

Como cristãos, o fundamento de nossa esperança, nossa aceitação diante de Deus, não se origina de qualquer coisa que possamos fazer, ou quaisquer obras de justiça que possamos produzir, nem mesmo de qualquer fruto do Espírito, mas só da justiça de Jesus, creditada a nós pela fé. Esta é nossa segurança, nossa certeza, o único fundamento certo em que podemos ter qualquer certeza. Pelos méritos da vida perfeita de Cristo, concedida a nós por nada mais que a graça de Deus – que é Seu favor imerecido para conosco, pecadores obstinados – não existe condenação para nós (Romanos 8:1), nem agora e nem no juízo. Em toda a verdade que o Espírito Santo poderia nos trazer, o que pode ser mais precioso do que isso?

 

Morte para o eu: o Espírito em nós

Sem dúvida, o Espírito Santo nos guiará à verdade sobre Jesus. Mas Sua obra por nós não pára aí; pelo contrário, é aí que começa. Guiando-nos a Jesus, apontando-nos o caminho da salvação, esta é só a primeira parada na obra do Espírito. Pois o Espírito Santo não só trabalha por nós, guiando-nos a Jesus, mas também trabalha em nós, transformando-nos, tomando a salvação que temos em Jesus e fazendo com que se manifeste em nossa vida. O Cristo que morreu por nós é também o Cristo que vive em nós.

É evidente que o único modo de Cristo viver nos homens e mulheres é por intermédio do Seu Espírito. Jesus permeia nossa mente pelo Espírito Santo. As operações de Deus na humanidade e em seu favor ocorrem por Seu Espírito. Sem Ele, poderíamos conhecer intelectualmente sobre a morte de Jesus, mas isso nunca nos salvaria, pois nunca se tornaria a força transformadora de vidas que deve ser para todos os cristãos.

Quais são alguns dos efeitos da habitação do Espírito Santo em nossa vida? Rom. 8:6-11

Note a importância que Paulo atribuía à obra do Espírito Santo em nós. Embora tenha sido o grande pregador da salvação unicamente pela fé, Paulo igualmente enfatizava a importância do viver santo e da obediência. Não existe ambivalência aqui: se vivermos segundo a carne, morreremos; se não tivermos o Espírito operando em nós, não seremos de Cristo. É difícil imaginar como ele poderia ter sido mais claro.

De acordo com Paulo, devemos estar mortos para a carne; em outras palavras, nossos desejos carnais, embora existam, não nos devem dominar. O mesmo poderoso Espírito que ergueu Jesus da morte está trabalhando agora em nós, fazendo-nos morrer para o pecado e viver para a justiça. Aqui, Paulo não está falando só em teoria: Esta é a realidade da salvação na vida do crente.

 

Espírito e vida

Paulo ligou o Espírito com a vida, em contraste com a carne e a morte. Este é um tema encontrado em outro lugar em seus escritos. Obviamente, é algo que apóstolo considerava de suma importância. Nós, que estávamos mortos no pecado (Efés. 2:1), agora somos, pelo Espírito, mortos para o pecado e vivos para Deus (Rom. 6:11). Que mudança radical!

Gál. 5:16-25.    Aqui também Paulo é muito claro: se você praticar as coisas da carne, morrerá, estará perdido. É simples assim: o Espírito traz vida, a carne traz morte.

Também é interessante como ele contrasta "as obras" da carne com "o fruto" do Espírito. Talvez Paulo estivesse fazendo um contraste entre o que colhemos da carne e o que semeamos na carne. Em outras palavras, pecado é aquilo com que trabalhamos, sofremos e, finalmente, de onde colhemos os resultados. Em contraste, o fruto do Espírito é algo que acontece naturalmente em uma pessoa que está sob o controle do Espírito.

O fruto do Espírito é uma expressão da lei, assim como as obras da carne são violações dela. Os gálatas eram judeus que estavam retornando ao legalismo; Paulo estava procurando levá-los para algo mais elevado do que as obras mortas, que não podiam salvá-los. Longe de negar a lei, ele os estava persuadindo a viver no Espírito, que se expressa na obediência à lei.

"Nascidos do Espírito"

Leia sobre a distinção que Jesus fez entre o nascimento da carne e o nascimento do Espírito. João 3:3-6 

Por natureza, todos nascemos da carne. A menos que "nasçamos de novo" (que, no grego, significa realmente "nascer de cima") por intermédio do Espírito Santo, permaneceremos na carne e, evidentemente, morreremos na carne.

A única esperança é o novo nascimento, regeneração e participação na natureza divina. A natureza divina é dada ou mediada pelo Espírito por meio da Palavra. Portanto, regeneração não é a vida natural educada ao nível mais alto de realização, mas a vida divina que é concedida a "vocês [que] estavam mortos em suas transgressões e pecados" (Efés. 2:1, NVI). Isto se torna verdade pelo poder do Espírito Santo que trabalha em nós (veja Tito 3:5).

No entanto, o novo nascimento não é o fim da experiência de salvação. É o início. Não importa quão transformador seja o novo nascimento, devemos viver diariamente essa experiência. Não nascemos de novo e, então, caminhamos felizes e distraídos para o reino de Deus. Não é assim que acontece.

 

Como devemos viver a experiência do novo nascimento? Col. 2:6

A vida de uma pessoa nascida de cima inclui negação própria (Luc. 9:23), sacrifício próprio (Rom. 12:1), e rendição dos desejos pecaminosos (Rom. 6:19). Embora por nós mesmos não sejamos capazes de fazer essas coisas, o Espírito Santo que opera em nós nos conduzirá ao ponto em que teremos que tomar a decisão de nos render a Ele, e não à carne. Uma vez tomada essa decisão, Ele nos dará poder para obedecer. No fim, tudo depende da ação correta da vontade. Temos que fazer as escolhas.

 

Conexão

Antes de morrer, Jesus deu aos Seus seguidores a promessa do Espírito Santo. Note o que Ele disse especificamente em João 14:18: "Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros."

Jesus não está mais aqui em carne, mas está aqui no Espírito, que agora é Seu representante na Terra. Pela intimidade com o Espírito, temos intimidade com Cristo. O Espírito Santo mantém viva para nós a presença de Cristo. Pelo Espírito, podemos ter uma caminhada íntima com Ele.

E essa caminhada é a questão fundamental da vida pelo Espírito Santo. Queremos servir a Deus porque O amamos; queremos ser limpos do pecado porque amamos a Deus e sabemos o que o pecado trouxe à criação de Deus. A vida pelo Espírito requer submissão, sacrifício e morte para o eu; mas se o Espírito habitar em nós, manterá diante de nós o maravilhoso sacrifício de Jesus em nosso favor. Se, dia a dia, sob a unção do Espírito Santo, permanecermos em Cristo e no Seu amor maravilhoso manifesto para conosco por Sua morte na cruz, seremos capacitados do alto para viver como Deus pede que vivamos. Ser santificado não é só deixar de fazer coisas más; é ser "separado" para Deus, viver para Ele em fé, arrependimento e submissão. Isso só pode acontecer por uma conexão viva com Ele. "Podemos deixar muitos maus hábitos, e ainda não estar verdadeiramente santificados, porque não temos conexão com Deus. Devemos nos unir a Cristo." –  The Advent Review and Sabbath Herald, 24 de janeiro de 1893.

"O dom da justiça é comunicado aos homens pela agência do Espírito Santo. Esta é a diferença entre a justiça ineficaz que o homem busca por suas obras e a justiça eficaz que vem pela fé. Na primeira, o Espírito não tem parte, pois o esforço é meramente humano e, assim, independente da graça divina." – SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 977.

"Toda vez que alguém se converte e aprende a amar a Deus e guardar-Lhe os mandamentos, cumpre-se a promessa por Ele feita: ‘E vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo.’ Ezequiel 36:26. A mudança do coração humano, a transformação do caráter, é um milagre que revela um Salvador sempre vivo, operando para salvar. Uma vida coerente em Cristo é grande milagre. Na pregação da Palavra de Deus, o sinal que se devia manifestar, então e sempre, é a presença do Espírito Santo a fim de tornar a Palavra uma força regeneradora para os que a ouvem."

 

 

Estudo XI - O Restaurador

 

 

"Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6).

Uma das grandes esperanças de todos os cristãos é a vida eterna. Afinal, sem ela, que podemos esperar? Será que vivemos, morremos e nos decompomos para sempre no solo ao lado dos animais? Não, este não é nosso fim. Temos a esperança de vida eterna – que não é uma continuação da vida aqui neste mundo como agora é.  Nosso mundo de breve existência já é bastante complicado. Imagine este mundo continuando assim para sempre.

Ao contrário, recebemos a maravilhosa promessa: "Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos Novos Céus e Nova Terra, nos quais habita justiça" (2 Ped. 3:13). A vida eterna não é viver para sempre neste mundo pecaminoso, mas em um mundo novo onde iremos morar, sem pecado, sem morte, sem pecadores – mas com "justiça".

Desde o início, Deus vem trabalhando em direção a esse objetivo de um Novo Céu e uma Nova Terra em que habita a justiça. E é aqui que o plano de salvação fica decisivo, pois este plano é a maneira de Deus trabalhar para nos levar para essa nova Terra. É por isso que a salvação inclui o processo de restauração.

 

Criados à imagem de Deus (Gênesis 1)

Até mesmo a leitura mais simples do relato da criação em Gênesis revela que nossa existência não é por acidente. Não estamos aqui por causa de forças cegas, sem propósito que, depois de tempo suficiente, acabaram transformando este planeta em um mundo cheio de gente. Ao contrário, estamos aqui porque Deus nos pôs aqui intencionalmente. Verso após verso em Gênesis 1 descreve explicitamente Deus como agente da criação. Em outras palavras, havia um plano distinto para nossa existência. Nada foi deixado ao acaso. Contraste essa visão com a teoria evolucionista, que alega que estamos aqui por acaso; que não havia nenhum plano, propósito, intenção para nós. Somos um acidente cósmico, nada mais. É difícil imaginar uma posição mais contraditória com as origens bíblicas do que a evolução. Não é de admirar que Satanás trabalhe tão intensamente para promovê-la.

Seja o que for que signifique ser criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26, 27), também deve incluir a capacidade de amar. Como seres criados à imagem de um Deus que "é amor", o que mais poderíamos ser? Essa capacidade de amar nos torna completamente diferentes do restante dos seres criados em Gênesis 1. Nem a Lua, nem a grama, os mares e até os animais – nenhum dos quais foi criado à imagem de Deus – têm a capacidade de amar como os seres humanos. Certamente, a capacidade de amar, como nós temos, nos torna diferentes de tudo o mais que foi criado.

 

O amor e a queda

O que Adão e Eva precisavam possuir a fim de poderem cair? Gênesis 3:1-6

Fomos criados à imagem de Deus e, embora essa passagem possa ter outros sentidos mais, pelo menos deve significar que recebemos a capacidade de amar. Mas o amor, a fim de ser amor, precisa ser livre. Isto é, Deus não pode forçar Suas criaturas a amá-Lo, ou uns aos outros. O amor não pode ser forçado. Se recebemos a capacidade de amar, também recebemos o livre-arbítrio. A queda é um poderoso exemplo do que acontece quando seres com livre-arbítrio tomam decisões erradas.

E nós também, milênios depois do Éden, temos escolhas livres. Mas nossa situação é muito pior que a de Adão e Eva antes da queda. Eles eram seres perfeitos, vivendo à plena luz da glória de Deus; sua natureza não era corrompida ou pecaminosa. Em contraste, nós somos seres caídos com natureza pecaminosa, corrompida e mergulhada em iniqüidade. Uma coisa é ter livre-arbítrio enquanto se é perfeito; outra é ter esse mesmo livre-arbítrio depois de corrompidos pelo pecado. O que é mais assustador: uma pessoa bondosa, gentil e amável carregando uma arma de fogo, ou uma pessoa sórdida, rancorosa e odiosa que apresenta a mesma arma?

Que quadro os seguintes textos nos dão sobre a natureza humana não regenerada? Jer. 17:9; Rom. 1:21; Romanos 5:12; Efés. 2:3; Tito 1:15 

A Bíblia é muito clara sobre a condição da natureza humana caída. É má, muito má e, deixada a si própria, levaria toda a raça humana à morte e à destruição. Tudo o que precisamos fazer é olhar ao redor no mundo de hoje, e podemos ver, em todos os lugares, os resultados do que nossa natureza caída fez: guerra, terrorismo, vício, exploração, prostituição, crime, e por aí vai. Unicamente pela graça de Deus não nos destruímos a nós mesmos. Sem dúvida, se houvesse tempo suficiente, seria isso o que veríamos.

 

Segunda chance

Como criaturas caídas, nossa situação era desanimadora. As ações de Adão e Eva depois da queda refletiam perfeitamente o estado da humanidade: assustada, alienada de Deus e uns dos outros, culpada e envergonhada. Com seus filhos, foi acrescentado o assassinato à lista de maldades humanas (Gên. 4:8), e em breve seu coração "era continuamente mau" (Gên. 6:5).

Sabemos que Deus não abandonou a humanidade à própria sorte para sofrer os resultados plenos e finais do pecado. Todo o plano de salvação foi estabelecido pelo Senhor a fim de nos salvar da ruína que de outra forma teria sido nossa. Jesus veio e passou pela mesma experiência de Adão, com a diferença de que onde Adão falhou, Jesus teve sucesso – e por causa do que Jesus realizou, todo o mundo teve outra oportunidade. Pela fé em Jesus, todos, em qualquer lugar, podem ter a promessa da vida eterna, a promessa de ter restaurado tudo o que foi perdido pelo pecado.

Jesus veio e, por tudo o que realizou com Sua vida sem pecado e por Sua morte expiatória, a raça humana teve outra chance. Neste sentido, a raça humana, como um todo, foi restaurada ao favor de Deus. Isto não significa que a raça inteira está automaticamente salva ou justificada; significa, sim, que todos tiveram outra oportunidade. A destruição que deveria ter sido nossa por causa de Adão foi evitada por causa de Jesus.

"A Palavra de Deus declara que não somos de nós mesmos, que fomos comprados por preço. Foi a um elevado custo que fomos colocados em terreno vantajoso, onde podemos encontrar liberdade da escravidão do pecado, provocada pela queda no Éden. O pecado de Adão mergulhou a raça em desesperada miséria; mas, pelo sacrifício do Filho de Deus, foi concedida ao homem uma segunda oportunidade. No plano de redenção, foi provido um caminho de escape para todos os que se valerem dele." –  Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 15.

 

A restauração

Apesar de nossa situação desesperada, Deus não nos deixou sem esperança. Pelo contrário, recebemos grande esperança por meio de Jesus Cristo, que abriu o caminho para que cada um de nós voltasse ao que teríamos sido antes da queda.

E o processo começa agora. O evangelho não é apenas salvação; não é apenas mudança em nossa condição legal diante de Deus. Evangelho também é restauração. Originalmente, fomos feitos à imagem de Deus. O plano de salvação é o processo para nos restaurar àquela condição. Isso não é algo que só acontecerá na segunda vinda: é um processo que começa agora. O Espírito Santo está trabalhando para restaurar em nós o que foi perdido pelo pecado.

Deus trabalha para transformar à Sua imagem os seres caídos, mudando sua vontade, sua mente e seus desejos. Em resumo, o Espírito Santo trabalha em nosso caráter. Participando da natureza divina, somos transformados. "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (2 Cor. 3:18). Essa é a imagem de Deus, e isso nos foi revelado por Jesus, que era "a expressão exata" (Heb. 1:3) da pessoa de Deus. Mas, pelo fato de Jesus não estar aqui em carne, o Espírito Santo está aqui como Seu representante, nos revelando as verdades que mudarão e transformarão nossa vida. Esse é um processo de restauração que não será completado até que exista um Novo Céu e uma Nova Terra. Até lá, Deus está trabalhando em nós agora, preparando-nos para uma nova existência que foi tornada disponível para nós por Jesus.

 

A restauração

a. Rom. 5:1;     b. 2 Cor. 5:17   c. Efés. 4:24

d. Filipenses 2:12, 13;     e. 1 Ped. 5:10

A vida cristã é uma estrada em direção à perfeição (Rom. 12:2; Tiago 1:4), uma palavra que no Novo Testamento traz a idéia de concluído, completamente crescido ou amadurecido. Devemos ser perfeitos em nossa esfera finita e caída assim como Deus é perfeito em Sua esfera infinita e absoluta (Mat. 5:48).

À parte de Cristo, evidentemente, não podemos atingir qualquer tipo de "perfeição". Mas Cristo "Se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (1 Cor. 1:30). Em Cristo, essas qualidades constituem nossa "perfeição" diante de Deus. Ele completou, de uma vez por todas, nossa santificação e redenção. "NEle, [estamos] aperfeiçoados" mesmo agora (Col. 2:10). É trabalho do Espírito Santo tomar esses produtos "aperfeiçoados" e manifestar em nossa vida a realidade do que Cristo fez por nós. Nosso crescimento, o desenvolvimento de nosso caráter, nossa restauração em direção à imagem de Deus, se tornam expressão viva do que significa ser "tomados de toda a plenitude de Deus" (Efés. 3:19). Em Cristo, o Espírito Santo está tornando real em nós a realidade do que Cristo fez por nós. Ninguém pode ser cristão sem estes dois aspectos da salvação, fundamentais para a nova vida em Cristo.

"Não há constrangimento na obra da redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que se opera quando a pessoa se entrega a Cristo, há o mais alto senso de liberdade. A expulsão do pecado é ato do próprio indivíduo. Na verdade, não possuímos capacidade para livrar-nos do poder de Satanás; mas quando desejamos ser libertos do pecado e, em nossa grande necessidade, clamamos por um poder fora de nós e a nós superior, as faculdades são revestidas da divina energia do Espírito Santo, e obedecem aos ditames da vontade no cumprir o querer de Deus." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 466.

"Aqueles que são gerados para uma nova vida pelo Espírito Santo se tornam co-participantes da natureza divina, e em todos os seus hábitos e práticas dão testemunho de sua relação com Cristo

 

 

Estudo XII - O Pecado Contra o Espírito Santo

 

 

"Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno" (Marcos 3:28 e 29).

Este Verso está entre os mais difíceis da Bíblia. Considerando o que Jesus foi e o que Ele fez a fim de perdoar nossos pecados, a idéia de um pecado que nem mesmo a cruz perdoa deve nos fazer tremer. Assassinato, incesto, orgulho, adultério, roubo, idolatria, e até palavras proferidas contra Cristo (Mat. 12:21-32) podem ser perdoados (Efés. 1:7). Mas, nas palavras do próprio Cristo, "aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre" (Mar. 3:29). Isto é incrível!

Assim, a pergunta lógica é: qual é o assim chamado pecado imperdoável? Esta é uma expressão que, a propósito, nunca aparece nas Escrituras. Toda a idéia de um pecado que não pode ser perdoado parece muito contrária a tudo o que conhecemos sobre o Deus que tanto fez justamente para nos perdoar todos os pecados. É por isso que este é um tópico merecedor de estudo – pois todos precisamos estar cientes daquilo que, mais do que qualquer outra coisa, nos deixa, como Jesus disse, em perigo de pecado eterno" (v. 29).

 

Para salvar pecadores

De acordo com 1 Timóteo 1:15, qual foi o propósito da vinda de Cristo à Terra?

Poderiam ser escritos muitos livros sobre as razões para a história incrível de Jesus Cristo, o Deus que ocultou Sua divindade em humanidade e morreu em nosso lugar a morte que todos nós, como pecadores, merecíamos. Entre as razões para a vida e a morte de Jesus temos:

Ele veio a fim de nos revelar como é Deus (João 14:9).

Veio a fim de ser Servo de Deus e mostrar o que significa servidão (Mat. 20:25-28; Filipenses 2:5-7).

Veio para nos deixar um exemplo de como viver (1 Ped. 2:21; João 2:6).

Veio a fim de ser para nós sumo sacerdote fiel e misericordioso (Heb. 2:17 e 18).

Todas estas coisas, por mais importantes que sejam, seriam sem sentido para nós sem o que é indubitavelmente o aspecto mais crucial da missão terrestre de Cristo.

Entre todas as razões por que Jesus veio e morreu, a mais importante – pelo menos de nossa perspectiva – é que Ele morreu para nos salvar da penalidade legal do pecado, que é a morte, e morte eterna. E a grande notícia é que, por Sua obra, Ele pode fazer isso para qualquer pessoa que O aceite. A salvação vem a todo o que crê, tanto judeu como gentio (Rom. 2:9). Os que crêem são, então, poupados da "condenação eterna" que Jesus advertiu em numerosos textos, inclusive Marcos 3:29, quando falou de um pecado que pode levar a essa condenação. Deste modo, se pela fé nEle somos poupados dessa "condenação eterna", e se o "pecado imperdoável" leva a essa condenação, qual é realmente o sentido mais provável desse "pecado imperdoável"?

 

"Todo pecado e blasfêmia"

Leia Mateus 12:22. Veja também Marcos 3:22-30.

As palavras fortes de Cristo não foram ditas sem um motivo. Elas foram pronunciadas em resposta a uma declaração de certos fariseus que, depois de testemunharem uma cura operada por Jesus, disseram: Ele "expele demônios" (Mat. 12:24) por Belzebu, o maioral dos demônios. Essa atitude foi assumida diante da evidência inegável de Seu poder divino: a santidade de Sua vida, que eles não podiam deixar de reconhecer e que mais tarde admitiram tacitamente (João 8:46); o fato de curar os doentes de maneira sobrenatural (Mat. 8:14-17; Mar. 1:29-34 etc.); o fato de expulsar demônios (Mat. 9:32 e 33) e Sua ressurreição (Luc. 7:11-17).

Porém, recusando admitir a divindade de Cristo e opondo-se ativamente a Ele, esses homens se colocaram em posição em que foram forçados a explicar as obras de Cristo em alguma base que não admitisse Sua divindade e, conseqüentemente, atribuíram a Satanás a obra de Deus. Assim, fecharam a mente à evidência do Espírito Santo. O Espírito Santo traz impressões sobre a verdade na mente e no coração (João 14:17; 16:13) e convence do pecado (João 16:8). Mas embora Deus seja paciente, misericordioso e não deseje que ninguém pereça (2 Ped. 3:9). Seu Espírito não trabalhará indefinidamente com o coração obstinado (Gên. 6:3). Se a verdade for persistentemente resistida e recusada, os apelos do Espírito deixam de ser ouvidos, e o coração é deixado em terrível escuridão.

Possivelmente, esta foi a condição a que Paulo se referiu quando descreveu certas pessoas "que têm cauterizada a própria consciência" (1 Tim. 4:2). Para a pessoa culpada do pecado contra o Espírito Santo, fechou-se a oportunidade, e para ela "não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo" (Heb. 10:26 e 27).

 

O pecado imperdoável

O pecado é fatal para nossa existência, mas Deus Se alegra em perdoar nossos pecados. Não precisamos perecer, apesar de que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rom. 3:23). Jesus morreu para conquistar o direito de perdoar os pecadores arrependidos.

Mas existe um pecado imperdoável, e este inevitavelmente resulta em morte eterna. Quando alguém recusa responder à bondade de Deus, que procura levar ao arrependimento (Rom. 2:4), essa contínua recusa de aceitar a proposta divina de graça finalmente resultará em pecado imperdoável.

Leia Mateus 12:31 e Marcos 3:29.

O pecado imperdoável, ou o pecado contra o Espírito Santo, é a rejeição persistente da luz, rejeição persistente do que Cristo fez por nós. Essa rejeição cega inevitavelmente os olhos espirituais e endurece o coração daquele que rejeita os apelos do Espírito, como exemplifica a atitude dos líderes de Israel. Finalmente, existe escuridão absoluta, e a pessoa está perdida eternamente porque arruinou a perceptividade de sua mente para as sugestões do Espírito.

O ato de colocar-se além do alcance do poder do Espírito Santo é "imperdoável" porque a pessoa não pode sequer se arrepender sem a ajuda do Espírito de Deus. Deus não pode fazer nada pela pessoa a menos que a force, e isso Ele não fará. Por suas escolhas, essa pessoa se colocou fora do alcance da salvação.

 

Convicções do Espírito

"Quando Ele [o Espírito] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em Mim" (João 16:8 e 9).

A fim de se qualificar como candidato à salvação, alguém deve reconhecer que é pecador. Ninguém pede ajuda do Salvador a menos que tenha sentido essa necessidade. Uma de nossas maiores necessidades é a convicção pessoal do pecado. Não podemos trazer essa convicção sobre nós mesmos; é prerrogativa e ofício da obra do Espírito nos convencer do pecado. Seu primeiro trabalho é tornar o pecador ciente de sua pecaminosidade e, conseqüentemente, sua condição perdida. O Espírito não é meramente o Consolador. Ele também é – e primeiramente – quem nos convence do pecado. Ele Se torna Consolador para os que fizeram paz com Deus, admitindo e confessando seus pecados.

"Precisamos ter conhecimento de nós mesmos, conhecimento que resultará em contrição, antes de podermos achar perdão e paz. O fariseu não sentia convicção de pecado. O Espírito Santo não podia nele atuar. Sua vida apoiava-se numa couraça de justiça própria, a qual as setas de Deus, farpadas e desferidas pelos anjos, não podiam penetrar. Cristo só pode salvar quem reconhece ser pecador." –Parábolas de Jesus, pág. 158.

Quando a pessoa recebe uma visão da justiça e santidade de Deus, como aconteceu com o profeta Isaías (Isa. 6:5 e 6), o Espírito Santo convence essa pessoa de que ela é pecaminosa e nada além de absoluto juízo e destruição a aguarda, a menos que Jesus intervenha. Assim, o poder convencedor do Espírito Santo é muito importante em nos guiar a Cristo. Imagine, então, a condição desesperada das pessoas que, por sua própria teimosia, tornaram-se imunes aos apelos do Espírito Santo.

 

Arrependimento e o pecado imperdoável

Às vezes, tem havido membros da igreja que vivem com medo de terem cometido o pecado imperdoável. De certo modo, não é difícil entender por quê. Somos pecadores; se não vivermos momento a momento sob o controle do Espírito Santo, somos capazes de fazer quase qualquer coisa. E para uma pessoa que conheceu o Senhor, que obteve um vislumbre da santidade de Deus, seu sentimento de pecado pode parecer horrivelmente condenatório. A culpa pode ser subjugante. A maioria dos cristãos, em algum ponto de sua experiência cristã, teve momentos de temor, momentos em que acreditou que seu caso era sem esperança, que não podia alcançar o ideal de Deus e que, de fato, poderia ter cometido o pecado imperdoável.

O fato de alguém haver cometido algum crime ou pecado não é obstáculo permanente para a salvação. Jesus pode salvar qualquer pessoa que esteja disposta a aceitar a salvação. Ele não está primeiramente preocupado com o escuro passado de ninguém. Qualquer pecado e negligência pode ser apagado pelo Seu sangue derramado. Existe uma condição para esse perdão, e este é o arrependimento, que vem unicamente pela obra do Espírito Santo. Enquanto houver arrependimento no coração do homem, haverá perdão no coração de Deus.

É evidente que devemos nos lembrar de que o pecado não pode ser considerado trivial. Cada pecado nos endurece; cada vez que caímos, fazemos assim unicamente porque afastamos a convicção. Quanto mais fizermos isso, mais fácil será fazê-lo outra e outra vez. E embora possamos sempre nos arrepender e encontrar perdão, quanto mais pecarmos, mais endureceremos o coração àquele que nos leva ao arrependimento, o Espírito Santo.

Assim, é importantíssimo, cada dia, reclamar o poder de Deus para nos purificar, regenerar e restaurar à imagem do Salvador. (Veja 1 Cor. 10:13; Gál. 5:16; Tito 3:5).

"Todo pensamento impuro contamina a mente, enfraquece o senso moral e tende a apagar as impressões do Espírito Santo." –O Desejado de Todas as Nações, pág. 302.

"Mas se alguém, por recusar repetidas vezes a direção de Deus, perder a capacidade de reconhecer a bondade quando a vir, se fizer com que seus valores morais sejam invertidos até que para ele o mal seja bem e o bem, mal, então, mesmo quando for confrontado por Jesus, não terá consciência do pecado de que não se pode arrepender e nunca poderá ser perdoado. Este é o pecado contra o Espírito Santo."

 

Estudo XIII - O Espírito Santo nos Últimos Dias

 

 

Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele" (Isaías 30:21).

"Foi pela confissão e abandono do pecado, por fervente oração e consagração de si mesmos a Deus que, no dia de Pentecostes, os primeiros discípulos se prepararam para o derramamento do Espírito Santo. A mesma obra, mas em maior grau, deve ser feita agora. Naquele tempo, o agente humano só teve que pedir a bênção, e esperar que o Senhor cumprisse o trabalho a esse respeito. Foi Deus quem começou a obra, e Ele a terminará, tornando o homem perfeito em Jesus Cristo. Mas não deve haver negligência da graça representada pela chuva temporã. Só os que estiverem à altura da luz que têm receberão maior luz." –  Advent Review and Sabbath Herald, 2 de março de 1897.

 

O Espírito nos últimos dias

"E acontecerá, depois, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o Meu Espírito naqueles dias" (Joel 2:28 e 29).

As palavras de Joel aqui são algumas das mais empolgantes em toda a Escritura. Elas apontam para um tempo em que o Espírito Santo será derramado de modo poderoso, como foi no Pentecostes. Esse derramamento, porém, não acontece sem causa; é parte de um único propósito: levar o povo a um conhecimento salvífico de Jesus Cristo. Este ponto se torna especialmente claro no discurso de Pedro no Pentecostes, em que, depois de citar esses versos de Joel, ele começou a pregar sobre Jesus Cristo (Atos 2:22-24).

Joel 2:28 diz, também, que Ele derramaria Seu Espírito sobre "toda a carne". Isso não significa que "toda a carne" responderá com a rendição e a humildade necessárias para receber a bênção do Espírito. Pela ação do Espírito Santo, o Senhor pode tocar em cada coração com convicção. A Bíblia diz: Jesus é "a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem" (João 1:9). Infelizmente, nem "todo homem" responde como Deus gostaria.

As boas-novas são que todos os que respondem, todos os que fazem essa submissão têm a promessa de vida eterna em Cristo.

 

O Pentecostes e os últimos dias

Joel fala de um abundante derramamento do Espírito de Deus sobre Seu povo, de jovens tendo visões, velhos sonhando e filhos e filhas profetizando. Ele até fixa o tempo para esta experiência: haverá fenômenos cósmicos com o Sol escurecendo e a Lua se transformando em sangue. Os desastres na Terra são descritos simbolicamente como "sangue, fogo e colunas de fumaça" (v. 30). Tudo isso deve vir imediatamente antes do "grande e terrível Dia do Senhor" (v. 31).

Pedro e outros crentes cristãos da primeira igreja consideravam a primeira vinda de Cristo como "os últimos dias" (1 Cor. 10:11; Heb. 1:2; Hebreus 9:26; 1 Ped. 1:20) e aplicou a profecia de Joel à experiência do Pentecostes (Atos 2:16-21), ligando o dom de profecia ao dom de línguas.

Que imagem Joel usa para o derramamento do Espírito Santo? Joel 2:23 

A profecia de Joel sobre a vinda o dom profético é dada no contexto das chuvas temporã e serôdia (Joel 2:23-32). A chuva refrescante e vivificante do outono, que permitia que a semente brotasse e germinasse, é chamada de chuva temporã. A chuva da primavera, que amadurecia o grão e o aprontava para a colheita, é chamada de chuva serôdia. Este fenômeno no ciclo agrícola palestino é símbolo do refrigério espiritual que Deus dá a Seu povo por intermédio do Espírito (Oséias 6:3). Pedro, crendo que vivia nos últimos dias, experimentou a chuva temporã. A chuva serôdia ainda está para vir sobre o povo de Deus no tempo do fim.

O que devemos entender por chuva serôdia?     "Ao avizinhar-se o fim da ceifa da Terra, uma especial concessão de graça espiritual é prometida a fim de preparar a igreja para a vinda do Filho do homem. Esse derramamento do Espírito é comparado com a queda da chuva serôdia." – Atos dos Apóstolos, pág. 55.

 

A chuva serôdia

"Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas" (Tiago 5:7).

Joel pronunciou sua profecia no contexto da "chuva". Os termos chuva, chuva temporã e chuva serôdia, foram emprestados pelos escritores hebreus no contexto de suas estações agrícolas. A primeira chuva, ou temporã, caía no sétimo mês, normalmente logo após a Festa do Tabernáculos. Isso correspondia ao outono do hemisfério norte, ou setembro/outubro. Para os israelitas, nessa estação, os campos eram arados para a sementeira da cevada e do trigo. A chuva serôdia caía logo antes da colheita do grão, em março e início de abril. Essa chuva permitia que o grão se enchesse e amadurecesse para a colheita.

Essas palavras são usadas pelos escritores da Bíblia para simbolizar grandes períodos de refrigério espiritual com relação à pregação do evangelho. O que importa é que, para a colheita ser feita, havia a necessidade de ambas as chuvas.

O propósito da "chuva serôdia" espiritual é semelhante à natural: deve preparar a colheita. Que imagem poderosa a respeito do trabalho que o Espírito Santo está por fazer entre Seu povo, pois foi este que Deus usou para pregar ao mundo a mensagem do evangelho! "Embora acariciemos as bênçãos da primeira chuva, não devemos, do outro lado, perder de vista o fato de que sem a chuva serôdia, para encher a espiga e amadurecer o grão, a colheita não estará pronta para a ceifa, e o trabalho do semeador terá sido em vão. Necessita-se da graça divina no começo, da graça divina em cada passo de avanço; só a graça divina pode completar a obra." –  A Fé Pela Qual Eu Vivo [Meditações Matinais, 1959], pág. 334.

 

O refrigério

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie Ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus" (Atos 3:19 e 20).

Examine esta incrível declaração de Pedro. Note como ele relaciona o arrependimento e a conversão com os "tempos de refrigério". Em outras palavras, o que acontece em nosso coração está relacionado com o derramamento do Espírito Santo. Nunca devemos esquecer a realidade dessa íntima relação entre o Céu e a Terra.

A declaração de Pedro contém um elemento temporal mais definido. Sob inspiração, Pedro se refere a grandes eventos dos últimos dias da Terra – o poderoso derramamento do Espírito de Deus e a remoção final dos pecados dos justos – que estão ligados a um terceiro clímax, o segundo advento de Cristo.

Por que sabemos que as mensagens dos três anjos precedem imediatamente a segunda vinda de Cristo? Como vemos nestes versos as evidências de um poderoso derramamento do Espírito Santo? Apoc. 14:6-16

Em todos estes textos, vemos a evidência do Espírito Santo trabalhando por Seu povo, não só a fim de prepará-lo para pregar o "evangelho eterno" (v. 6) ao mundo, não só para advertir os outros contra a adoração da "besta" (v. 9) mas também para prepará-los para permanecerem como os que "guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (v. 12).

 

O alto clamor

Embora, no Pentecostes, tenhamos visto um derramamento poderoso do Espírito Santo, cremos que nos últimos dias veremos algo ainda mais poderoso. O mundo inteiro precisa conhecer a verdade do Senhor Jesus no contexto dos três anjos de Apocalipse 14, em lugar das falsas doutrinas de Babilônia, que levam à marca da besta.

Assim, cremos que bem no fim, de modo notável, o Espírito Santo trará Seus dons para a igreja. Ele terá que fazer isso; de outro modo, os eventos finais, como retratados na profecia, nunca terão lugar.

No Apocalipse, que evidência temos dos resultados desse derramamento do Espírito Santo na igreja? Apoc. 18:1-5

Este "alto clamor" se estende a todos os lugares, enquanto o Senhor usa Sua igreja para chamar todo o Seu povo para sair de Babilônia, dos falsos sistemas religiosos e políticos do mundo, unidos sob algum poder perseguidor. Esse clamor contém o último apelo para escapar das últimas pragas (Apocalipse 15) e encontrar abrigo sob os braços de Jesus, o Salvador. Na batalha final entre os seguidores do Cordeiro e os seguidores da besta, Cristo será exaltado pelo poder pntecostal renovado que deve ser derramado sobre a Terra pelo Espírito Santo. Nesse momento, veremos a colheita da chuva serôdia.

Assim, nos últimos dias, a consumação da cruz e a obra da cruz chegarão ao seu epílogo. Todos os mortos em Cristo ressuscitarão (1 Tessalonicenses 4:16), e juntamente com os que estiverem vivos, todos seremos tirados deste planeta pecaminoso, de uma vez por todas (v. 17). No fim, veremos em clímax a manifestação da operação do Espírito Santo nos corações, não só dos que são chamados para proclamar esta mensagem mas naqueles que a recebem e que permanecem conosco – não só nos últimos dias contra as forças de Babilônia – mas também no mar de vidro no Céu (Apoc. 15:1-5).

Que dom nos é dado pelo Espírito Santo!

 

Estudo Realizado por Pastor Rogério Costa

Caxias do Sul – Janeiro 2009

 

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